A (pen)última ceia

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Meu catolicismo costumava dar umas derrapadas. Não que eu não estivesse preparada para relevar algumas passagens bíblicas meio nebulosas demais para a minha então tenra compreensão, mas outras simplesmente me pareciam conversa de pescador. Quer dizer, de uma maneira geral a história toda até era bacana e fazia seu sentido, mas alguns detalhes às vezes me deixavam com a pulga atrás da orelha.

A Última Ceia, por exemplo. Eu sempre achei o seguinte: deve ter sido O Último Café da Manhã ou, no máximo, O Último Almoço. Tentei rever os cronogramas, horários, a ordem dos eventos e todo o resto, mas por mais que eu fizesse e refizesse os cálculos, eu não conseguia descobrir como foi possível espremer tanta coisa entre uma noite de quinta-feira e uma tarde de sexta. Pensa bem, Jesus estava numa ceia (então devia ser fim do dia), foi preso, levado pelos guardas, encaminhado pro Pilatos, Pilatos mandou chicotear, foi pra Herodes, voltou pra Pilatos, Pilatos mandou perguntar pro povo quem devia ser eliminado no paredão, Jesus ou Barrabás, Jesus fez todo o caminho pra ser crucificado e tal. Tudo, literalmente, da noite pro dia, naquele tempo em que tudo era feito a pé e a comunicação em tempo real era isso mesmo, tinha que ir lá e comunicar ao vivo e a cores. Pra mim não fazia o menor sentido, não dava tempo, nem se usasse um teletransportador do Star Trek.

Mas eis que Sir Colin Humphreys, professor e cientista de Cambridge, veio em meu socorro esta semana. Gente, parece que toda essa confusão na minha cabeça não passou de uma simples questão de calendário. Troque de sistema de folhinha e podemos ir da véspera até uma semana depois. Convenhamos, 24 horas a mais podem fazer bastante diferença. Daí que a última ceia deve ter acontecido na quarta, eliminando a entrada do teletransportador na história.

Claro, essas coisas não chegam a comprometer the big picture, embora eu ache legal contar com essa mãozinha da ciência para explicar algo que sempre me deixou curiosa. Além disso, para efeito de feriado (algo sempre relevante no calendário da brasilândia), antecipar a quarta e emendar a quinta não parece uma má ideia. Mas o que eu acho mais curioso é constatar que aquela história maluca do Monty Python sobre a Penúltima Ceia de repente começou a fazer muito mais sentido.

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8 respostas em “A (pen)última ceia

  1. A Dê, minha cara-metade, anda dando uma de troll em um forum daqui e a discussão atual é, exatamente, religião.
    Então ela está colecionando as contradições da Bíblia só para provocar o povo lá. A lista está enorme, e ela está se divertindo de montão com as reações enfurecidas e completamente sem pé nem cabeça…

    • Mas ela é ‘troll do bem’, né? 🙂
      Eu acho a Bíblia um livro bem legal (ótimas histórias e algumas words of wisdom que valem muito a pena), mas longe de mim levar as coisas todas a ferro e fogo. Pelo menos em forum o grupo é fechado e quem está lá dentro sabe que o bicho pega. Preguiça mesmo é quando o bate-boca acontece em comentários de blogs, como vejo a toda hora. Você quer dar uma olhadinha no que o povo tá falando e sai fora rapidinho, a menos que queira oferecer ‘facas e canivetes pra depois do amistoso’!

    • É porque é terceiro contando o dia da morte (deve ser, né? sexta, sábado, domingo!). Não dá exatamente 72 horas, mas o que são 24h faltando, quando se está pensando na Eternidade e mais um pouco? 😀
      bjk

    • Hahaha, então a sexta-feira santa foi um primeiro de abril? Melhor do que se fosse o domingo da Páscoa, né, senão essa história de ressurreição ia dar o que falar! 🙂
      bjk

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