Onqofui: cachoeira do Bicame

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É uma das cachoeiras mais lindas que eu já vi na vida (e olha que, mineira que sou, já vi um bocado delas por aí). E perfeita: o lugar é simplesmente de tirar o fôlego (de beleza e porque, pra se chegar até o poço, são mais ou menos 10km de ida e outros 10 de volta), a queda é um espetáculo – algo em torno de 30m, mas eu sou uma negação pra calcular espaços – a cachoeira fica no sol durante boa parte do dia (e você vai agradecer muitíssimo depois de sair da água gelada), e só o caminho já valeria o passeio, com uma trilha bem demarcada e sinalizada, vales belíssimos, jardins rupestres e uma vista do ‘mar de montanhas’ que é uma coisa de louco.

Pra gente chegar até lá, saímos de Lapinha da Serra de carro, passamos pela primeira porteira da fazenda, e na segunda encontramos o sêo Raimundo, que passa o dia na entrada controlando o número de visitantes. É que a cachoeira do Bicame fica dentro de uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural) e, embora o acesso seja gratuito, apenas trinta pessoas podem entrar a cada dia. Não me perguntem sobre o que falou o sêo Raimundo, com seu sotaque mineiro fortíssimo, uma avalanche de frases e causos e nomes um atrás do outro, se a gente não colocasse um ponto final na prosa, estaríamos lá até agora. Ali na segunda porteira deixamos o carro, porque o resto do caminho só dá pra ser motorizado se você tiver um jipe dos bão. Dá uma hora e meia de caminhada até a terceira porteira, onde fica a casa da fazenda, e onde é possível encher a garrafinha (ou ‘as’) de água direto na bica – porque, galera, ainda tem mais uma hora e meia de pé no chão até chegar na cachoeira.

Mas é tudo muito tranquilo, as subidas de morro (que grazadeus viram descidas na volta, quando a gente já está bem mais cansada) não são difíceis e, claro, é sempre hora de dar uma paradinha para admirar a beleza da região, fotografar as zilhares de espécies diferentes de flores nos jardins rupestres e fazer um lanchinho providencial. E o silêncio, gente, que maravilha poder andar um pouco ouvindo só o barulho do vento e um ou outro passarinho nas árvores (difícil é manter o pessoal calado com tanta coisa bonita pra comentar, mas o truque é ficar um pouco pra trás no grupo). Aí você contorna uma montanha e chega na parte mais alta, e lá do alto você vê a cachoeira lá embaixo (sim, um último trechinho morro abaixo e provavelmente os metros mais difíceis na volta), no silêncio a gente só ouve o som gostoso da água caindo, coisa mais linda.

Como essa é a cachoeira mais distante de Lapinha, pouca gente se aventura na caminhada, e isso quer dizer que tivemos o lugar só pra nós por um bocado de tempo, até aparecer uma meia dúzia de gatos pingados. E como o poço é muito grande, tinha espaço pra todo mundo com sobra (porque, gente, cachoeira com muvuca é o fim da dinastia, né?). O caminho de volta, apesar de ser rigorosamente o mesmo, parece diferente na luz da tarde (o ideal é sair o mais cedo possível na ida, pra fugir do calorão do meio do dia), o sol amarelo do outono batendo no paredão da montanha, flores que a gente não tinha visto antes, mais um outro lanchinho e a parada estratégica pra reabastecer as garrafinhas de água. Olha, não tem explicação o tanto que o lugar é bonito, o tanto que a caminhada é boa, o tanto que vale a pena encarar os muitos quilômetros (botas e boné são muito recomendáveis) para ter uma visão como essa. E, pros mais animadinhos (eu não ‘se’ dou com água gelada de jeito nenhum), cair no poço e nadar até à queda e tomar uma ducha radical. Olha, a gente volta pra doidolândia depois de um feriado desses com as baterias recarregadas.

7 respostas em “Onqofui: cachoeira do Bicame

    • Mas é uma caminhada muito divertida, Ana, não é tão puxada como parece. A gente foi parando pra fotos, conversando, depois foi só colocar os pés pro alto de volta na pousada e estávamos todos inteiros pra cachoeira do dia seguinte (Lajeado – 6km pra ir e 6 pra voltar…)
      bjk

  1. Texto bacana, divertido, informativo e fotos belíssimas. Parabéns, pois isso valeu para mim como uma dica de passeio já que pretendo visitar esta região em 2012. Parabéns!

    • Obrigada, Edvard! É um ótimo passeio, você vai adorar. Toda a região do Cipó e pra frente é lindíssima e Lapinha da Serra é dos meus lugares favoritos, daqueles que eu sempre volto com o maior prazer. Existem outros passeios ótimos pra fazer, e mesmo ficar à toa no sossego da cidadezinha é uma delícia e descansa a gente que é uma maravilha! E se você for como eu e gostar de fotografia, não se esqueça de levar a câmera! Eu coloquei algumas fotos de Lapinha (entre outros lugares) aqui no blog, é só você clicar na aba ‘Fotos’ no alto da página.
      abraço!

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