Dois e dois são cinco

Tem hora que a gente se pergunta como alguns ceresumanos conseguem. Amigo e amiga, morando juntos há muitos anos, resolvem se casar no civil. Tocam pro cartório com aquela pilha de documentos originais, xerox em várias vias, a burocracia que você já conhece, tudo pra dar entrada nos papéis. A funcionária examina tudo e diz:
– Vai ter problema. A certidão de nascimento diz que o senhor (?) nasceu na cidade do Rio de Janeiro, estado da Guanabara.
– Eu sei, é que entre 1960 e 1975 era esse o nome do estado, depois virou Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
– É, mas Guanabara não existe, né? E este documento aqui diz que o senhor (?) é do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
– Fia, é a mesma coisa, o mesmo lugar. A Guanabara virou Rio de Janeiro, só isso.
– Mas vai dar problema. Eu tenho que copiar igualzinho como está na certidão, mas não posso copiar assim, com um lugar que não existe…
– Pode sim, copia do jeito que está no original, só isso.
– Vai dar problema…

Olha, pois foi um tempão pra convencer a mocinha que, muito a contragosto, escreveu ‘Rio de Janeiro, Guanabara (hoje Rio de Janeiro)’. A noiva já estava quase desistindo da história. E ainda bem que ninguém pediu a certidão dos pais dele, porque o pai é estrangeiro naturalizado e a mãe é do Rio de Janeiro. Antes de 1960. Quando o estado ainda era Distrito Federal. Aí eu fico imaginando quem nasceu nos atuais estados do Mato Grosso do Sul e Tocantins antes da divisão, ou quem é de cidades que mudaram de nome e ninguém nem sabe onde fica. O pior é que casos como esse dos meus amigos não são exatamente uma raridade nessa brasilândia. A gente se pergunta onde foram parar os neurônios de criaturas assim, se os funcionários são mal treinados ou se fazem isso só de sacanagem, pra se vingar de quem vai lá perturbar o sossego da repartição.

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12 respostas em “Dois e dois são cinco

  1. Essa moça deve ter feito de burrice tal argumentação!Tb sou do Estado da Guanabara(nasci em 1974) e na hora de casar ninguém questionou nada!
    Tem gente que só mandando ‘pros infernos’,sabe…
    Ô cambada!

    • é até difícil saber o que se passa na cabeça de uma pessoa, se ela ainda é novata no trabalho (nesse caso, tinha mais é que perguntar pra quem sabe, né) ou o que pode ter acontecido… E, claro, tem muita gente neste país na mesmíssima situação do meu amigo e imagino que todos tenham encontrado sua solução (aliás, nem devia ser problema, hehehe). Enfim, tem de tudo nesse mundo de modêus!
      bjk

    • Tem hora que eu acho que eles fazem só de pirraça mesmo, Karine, é difícil acreditar que eles simplesmente não conseguem raciocinar de maneira minimamente lógica! 🙂

      • Funcionário público nem é tão estúpido assim… é mais o mau humor matutino, a calça jeans apertada e otras cositas más.

  2. São nessas horas que eu agradeço ter nascido onde nasci, para não precisar enfrentar “ceresumanos” como essa mocinha aí…..rsrs

  3. Isso lembrou-me de um livro de Camus, se não me engano, “A Peste”, em que um personagem tinha que tirar uma certidão de vida, para provar que estava vivo… e, se bobear, vai ver que existe mesmo isso… é, acho que o mundo está para acabar mesmo, rsrsrs…

    • Olha, já ouvi a história de alguém que levou essa certidão (ela existe, minha mãe tinha a da minha avó, para poder receber a pensão dela, que saía pouco de casa) e o funcionário encontrou a cópia da daquele ano, ‘mas não a do ano passado’. A pessoa argumentou que, se o pensionista estava vivo naquele ano, possivelmente estava vivo também no ano anterior… O moço ficou com cara de dúvida, pensou, pensou, mas acabou aceitando o argumento! 😀

  4. Vou comentar com outra história. No meu trabalho, quem liga é atendido por uma gravação, que diz mais ou menos assim: “para cobrança, disque 1; para jurídico, disque 2, para outros assuntos, disque 3”. Em 90% dos casos as pessoas discam qualquer coisa e geralmente é o número 2. Resultado: de 20 ligações que eu atendo no dia, 2 são para o jurídico (o meu setor) e 18 são para a cobrança, mas a pessoa apertou qualquer botão, aí fica brava quando eu digo que ela tem que ser transferida de novo. Burrice? Limitação? Preguiça? Não sei, mas quem tiver a resposta ganha um pirulito.

    • Também não faço ideia, mas acho que as pessoas ainda estão distraídas quando ouvem ‘1 para cobrança’, aí quando prestam atenção, já está no ‘2 para jurídico’ e aí resolvem digitar o 2 mesmo. Minha sugestão? Troque a ordem e faça ‘1 para jurídico’, ‘2 para cobrança’, possivelmente vai melhorar bem! 😉
      (Ondé que eu busco o pirulito?)

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