Dia Mundial sem Tabaco

Mr. Google, aquele que tudo sabe, me avisa que dia 31 de maio é o Dia Mundial Sem Tabaco. Por mim, tudo bem, porque nunca consegui fumar mesmo, nem na adolescência, quando contrariar as recomendações paternas e seguir o exemplo da galera era tudo o que realmente importava. Tinha vários amigos e primos fumantes mas concluí, após algumas tentativas coroadas de fracasso, que devo ter vindo de fábrica com o gene da intolerância ao tabaco, porque até acender o cigarro para alguém me fazia sair correndo pro banheiro para escovar os dentes. Muito mais do que a fumaça, era o gosto ruim na boca que me irritava de verdade. E também achava meio bobinha a história de ficar soltando baforadas pro alto ou na direção de um desavisado, não via absolutamente nada de cool naquilo. Daí que não me custou nadinha passar léguas longe dos marlboros da vida. No máximo, gostava do aroma perfumado do cachimbo; em compensação, meu estômago embrulha até hoje com o cheiro forte do charuto.

Depois de tantas restrições ao fumo em todo lugar, um amigo brincou que os fumantes deviam pleitear um dia mundial com tabaco. Porque, pensa bem, sem ele já são os outros 364 dias do ano, né, não dava pra dar uma aliviada um diazinho só, pra alegrar a turma? Claro, eu também acho ótimo trabalhar e circular pelos ambientes livre da incômoda fumaça do cigarro. Gostaria muito que a restrição se estendesse à fumaçona dos canos de descarga desregulados rodando pela cidade e, quem sabe, aos perfumes franceses extra-doces dentro de elevadores lotados às oito da manhã de segunda com você na maior ressaca, mas acho que isso já seria exigir demais da benevolência dos deuses.

Eu devo ser uma criatura de sorte porque, apesar de não ter ganho a MegaSena, fui brindada com amigos fumantes que, de um modo geral e com pouquíssimas exceções, possuem bom senso (o que, aparentemente, não é a regra nesse mundo de modêus). Pessoas que não fumam em locais fechados, à mesa, na presença de futuras-mamães ou de seus filhotes, não sopram a fumaça para longe deles próprios (mas na direção dos não-fumantes), não deixam o cigarro aceso com aquela fumacinha irritante e que, seguindo à risca a lei de Murphy, persegue quem não fuma, não derrubam cinzas pelo tapete e não deixam o cinzeiro cheio, com aquele cheiro horrível de cigarro apagado. Em troca, não me importo de sair das reuniões sociais levemente defumada, se isso significa poder desfrutar de bons momentos ao lado de pessoas que me são queridas. Sim, comemoro muito quando algum deles abandona o lado negro da Força e se junta ao meu time, existem muitos e muitos motivos para se abandonar um hábito tão ruim, mas de resto estou disposta a ceder um pouquinho também, em prol da boa convivência. Nem todos têm a minha sorte, infelizmente, parece que o número de fumantes sem-noção à solta por aí é bem maior.

Não que a gente vá escolher quem é o ‘menos pior’, mas me preocupa muito mais nessas horas o bebum de praxe, desde aquele que te abraça jogando o peso do corpo contra você enquanto berra no seu ouvido ‘Cara, eu gozdocêpacaraaaaaalho…’ até o tipo mais perigoso, aquele que acha que está ótimo pra voltar pra casa atrás do volante, colocando em risco não só sua própria segurança (isso é problema dele, né), mas também a de quem está com ele e, potencialmente, quem quer que cruze seu caminho. Para esses ceresmuanos, sim, bem que poderiam existir campanhas e restrições mais pesadas. Mas essa é uma outra história…

Anúncios

14 respostas em “Dia Mundial sem Tabaco

  1. Gentedoceu, Google de Portugal não sabe disso não… Minha história é parecida com a sua, nunca consegui sequer tragar e como não acho piada naquilo, deixei pra lá. Em Portugal havia uma publicidade que dizia ‘Beijar um fumador é como beijar um cinzeiro’. Foi um escândalo, mas acho que acabou por funcionar um tiquinho…com a proibição de fumar em espaços fechados há cada vez menos gente a fumar, sobretudo na turma mais jovem. Ainda bem, né?
    Bjs,
    Ana

    • É, já namorei fumante e é dureza… Por aqui as restrições também são muitas, sem contar a cara feia que a galera faz mesmo em lugares onde o fumante poderia acender legalmente seu cigarrinho. Acho ótimo poder frequentar lugares com menos fumaça, mas não consigo ser radical como muitos não-fumantes às vezes são. Um cadinho de boa vontade dos dois lados (e, claro, noção por parte dos fumantes, já que são eles que estão enfumaçando o ambiente) bem que poderia ajudar a resolver a peleja.
      bjk

  2. Já fui fumante, parei há dez anos. Nunca mais fumei nada, não me faz nenhuma falta, acho ótimo ter parado, BUT, diferentemente de você, acho que fumar um cigarrinho em algumas horas é muito gostoso. O problema é o vício que não deixa ficar apenas em um cigarrinho e quando você vê já fumou 20 sem nem perceber. Esse aliás é o problema de toda droga, deixar de ser uma curtição eventual para tomar conta da vida do usuário.

    Quanto a incomodar os outros, hoje, para mim, o celular é imbatível. Desde o amigo que vai com você tomar um café na esquina e você acaba tomando café sozinho porque alguém ligou pra ele e ele ficou o tempo todo no celular (com você e todo o boteco acompanhando o assunto) até aqueles que já sacam da arma assim que o trem de pouso do avião bate na pista ou que compartilham seus problemas na livraria, no ônibus, no banco e em qualquer outro lugar.

    • Vício é mesmo uma coisa, né? Parabéns por ter parado de vez! Tinha um amigo muito querido que tentou de tudo, de verdade, pra parar e nunca conseguiu. Foi com ele que vi como é realmente difícil dar adeus definitivo a um vício. Conheço pessoas que conseguem administrar e só fumar ocasionalmente e imagino que isso seja ótimo pra quem, como você, gosta de um cigarrinho de vez em quando.

      Mas estou com você, viu, o celular é campeão mundial da falta de noção. Isso de deixar o outro olhando pro infinito porque a ligação é mais importante do que quem está bem na frente é o fim da dinastia.

  3. há alguns dias atrás dei carona pra um amigo. Não ficou mais de 5 minutos no meu carro e não fumou, mesmo assim, 3 dias depois precisei deixar o carro aberto no sol por um bom tempo, pra sair o cheiro de cigarro. Além do mais, este amigo é meu paciente e eu acompanhei a derrocada da sua saúde bucal desde que começou a fumar, e não faz mais que 3 anos… qualquer dependência é lamentável.

    • É sim, Camargo, dependência é fogo. E quem fuma sabe disso tudo, imagino, sabe o mal que faz, sabe os perigos que corre, é incrível constatar que o vício fala mais alto do que o bom senso.

  4. Concordo que não dá para ser radical. Comigo, por exemplo, é assim: os fumantes não fumam de jeito nenhum e eu tolero eles. É realmente muito simples ser tolerante.

    Acontece que tive sorte de ser alérgico a fumo. Na adolescência tentei fumar algumas vezes (mas não traguei) escondido (não sei de quem, com aquele fedor irradiando). Só que as crises alérgicas não compensavam e eu parei com a brincadeira. Acredite, em família em que mais de 50% das pessoas fumavam foi um milagre não viciar em cigarro e sobreviver às reações alérgicas dos almoços de domingo.

    Gente sem noção existe em diversas modalidades: os que fumam, os que bebem, os que falam no celular, os que usam perfumes fortes e grudentos. Os que conversam alto no cinema. Os que ouvem funk (ou qualquer outro tipo de música) no último volume e obrigam as pessoas a ouvir. A lista não tem fim. O trem tá feio…

    Bj.
    j.

    • Nossa, com alergia não dá, né? O problema é que às vezes é difícil convencer o fumante do mal que se passa por conta do fumacê que ele provoca… Meu problema não é de alergia, mas as lentes de contato, que quase saltam dos olhos com o excesso de fumaça. Mas aí o dia a dia com a poluição das ruas é bem pior…

      Eu morria de rir quando minhas amigas diziam que fumavam escondido. Comassim? Com aquele cheiro todo na roupa, no cabelo, nas mãos, na boca? E o pessoal só tinha grana pra cigarro barato, né, então o cheiro era ainda pior.

      Mas a lista de sem-noção é gigantesca mesmo, boas maneiras atualmente é artigo de luxo. ‘O trem tá feio e é bem por aqui’, como dizia a música do Tavinho Moura e Murilo Antunes (achei um vídeo com os pernambucanos da Banda de Pau e Corda, por onde andarão? Eram ótimos…)
      bjk

  5. Mônica, pertenço ao seu grupo. Nunca fumei, a não ser passivamente, em reuniões e encontros de turma em bares. Dizem que isto é até mais nocivo à saúde. Como você, sempre fui tolerante àqueles que tem o hábito ou vício de fumar. Mas, depois que houve essa “perseguição” aos fumantes, tenho que admitir que me dei muito mais conta do mal que faz fumar passivamente. Percebi que uma noite em um bar, ou uma boate fechada não me deixa mais com uma mega ressaca: dor de cabeça e uma terrivel sensação de cansaço e mal estar. Eu sempre pensava que era a bebida que havia ingerido que era a grande vilã. Hoje, sei por experiência, que depois de uma noite dançando numa boate, acordo no dia seguinte, com, no máximo, uma dor nos pés e nas batatas das pernas. Então sei que o problema todo era estar num recinto fechado com centenas de fumantes, a respirar aquele ar viciado literalmente por horas a fio. Se, por acaso, a sua idéia vingar, e seja instituído o dia do tabaco, quero saber com antecedência, porque neste dia vou abster-me de sair.

    • Ah, um ambiente smoke-free é tudo de bom, lembro-me de entrar naqueles pubs londrinos e me perguntar como é que o povo dava conta de ficar ali, naquele ambiente fechado, com carpete e veludo, no meio daquela fumaça toda.

      Acho que com um pouquinho de bom senso de ambos os lados, dá pra levar numa boa. Mas isso pode ser porque realmente minha convivência com fumantes é bem tranquila, de um modo geral e, como não vou assim com tanta frequência a boates (de longe o ambiente mais ‘poluído’), não tenho muitos problemas (mas minhas lentes de contato agradecem o arzinho mais limpo!)
      bjk

  6. quando eu tinha 17 ou 18, lembro-me de ter fumado, puxado e cuspido o fumo, inalar?, oh, deus!, nem pensar, porque estava a tentar impressionar um par de raparigas, cujo estilo era da pesada. Funcionou? funcionou. Porém, ainda hoje não entendo por que uma pessoa tem que pôr em risco a sua saúde para passar o ar de cool ou de rebelde. Mas se fosse hoje, sabendo o que sei, será que fumaria para engatar um miúda? Não vou enganar a ninguém, fumaria. Porém, se tivesse que o fazer todos os dias, nesse caso preferiria ir engatar a um convento.

    • Já houve uma época em que fumar era super cool (lembra dos filmes de Hollywood, as mulheres e as cigarrilhas…), depois foi sinônimo de rebeldia, hoje todo mundo olha torto pro fumante. No meu caso, homem nenhum jamais ganhou pontos comigo por fumar, mas já tive namorados fumantes e sobrevivi… 🙂

      O prazer é algo bem pessoal, né? Tem gente que acha super gostoso fumar. Eu não tenho nada contra, desde que o faça com bom senso, pelo menos na minha presença. De resto, não gosto de fazer coro com a turma do ‘não fume’. Quer fumar, pode fumar, uai! A essa altura do campeonato, todo mundo sabe dos riscos e danos. Só não me peçam pra entrar nas estatísticas dos fumantes passivos…

  7. Esse assunto dá pano pra manga, né? Estou contigo, sem exageros, cada um faz o que quer, respeitando o próximo, e isso já é bem difícil.

    É claro que o cigarro pode incomodar e quem não fuma tem todo o direito de não querer fumaça por perto, mas essa história de que o fumo faz tanto mal para o fumante passivo do que para o ativo não faz o menor sentido.

    É uma questão de lógica: pra se descobrir que o fumo faz mal foi preciso uma comparação entre quem fuma e quem não fuma, criando-se grupos distintos, tabulando-se resultados, verificando os percentuais de doenças contraídas, etc e tal, como mandam os bons manuais de pesquisas médicas. Daí que se o mal fosse disseminado indiscriminadamente nunca que se ia concluir nada, né não?

    • Faz sentido… 🙂

      Mas não é interessante como tá cada vez mais difícil navegar nas águas do bom senso? Me incomoda tanto o fumante sem-noção quanto o não-fumante histérico; se cada um respeitasse o outro lado, acho que dava pra conviver num nível legalzinho.

      E o que me incomoda no cigarro (a fumacinha secando as minhas lentes de contato e o cheiro de cinzeiro) também incomoda quem fuma, pelo que já pude perceber em conversas. Acho que dava pra entrar num acordo, mas tenho achado as pessoas meio ‘8 ou 80’ demais, sem a menor boa vontade pro que está aí no meio…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s