Matemática de revista

Parei de assinar revistas há muito tempo. Minha última tentativa foi com a revista Isto É, assim mesmo só pra ajudar o irmão de uma ex-aluna. Era pra ser um ano só e tive muita dor de cabeça porque a editora queria renovar a assinatura automaticamente sem a minha permissão (inclusive fazendo débito no cartão de crédito sem ter autorização), e-mails foram e vieram, ameaças e tudo o mais, então cansei. Além disso, já faz muito tempo que não vejo nada nessas revistas semanais (e não só na Isto É) que me faça querer gastar meu rico dinheirinho com elas. Na eventual possibilidade de alguma delas trazer algo minimamente interessante, vou ali na banca e compro um exemplar.

E nos últimos tempos tenho percebido mais um excelente motivo pra não assinar nada – e não estou falando do conteúdo cada vez mais pobre e superficial, as reportagens de picuínha pura, as entrevistas tolas. Estava hoje folheando a Veja desta semana (edição de 1 de junho, com a capa falando sobre as caixas-pretas do voo da Air France). Matemática básica, queridos, vamos a ela. Quanto custa uma revista dessas? Sério, já tem muito tempo que não compro uma, então perdi a noção. De qualquer maneira, essa edição específica tem 158 páginas. Até a página 77 – praticamente metade da revista – tudo o que temos são páginas e mais páginas de anúncios de página inteira ou até duplas – joalherias, bancos, automóveis, xampu anticaspa, lojas, o que você imaginar tá valendo. No meio disso tudo, tem duas páginas e meia com a entrevista das páginas amarelas (a primeira delas traz uma foto enooorme do entrevistado), cartas do leitor, montes de notinhas do tipo coluna social – só que com celebridades – uma página do Cláudio Moura Castro. E só. Depois da página 77, você acha que melhora? Das 81 restantes, 26 também são de anúncios. Sobram 55 para ‘informação’, algo como um terço do total. As reportagens de duas ou três páginas caberiam em uma só, porque as fotos são gigantescas, algumas ocupando uma página inteira. Faça as contas.

E duvido muitíssimo que o caso seja diferente em outras revistas. Por isso, galera que fica me enviando e-mail e telefonando oferecendo assinatura, não existe a menor possibilidade de um dia voltar a ser assinante de publicações como essas. Tenho destino bem mais útil para meus queridos tostões.

Pê Ésse: dei um rápido Google na página de assinaturas da Veja: o preço do exemplar avulso da revista é R$8,90.

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11 respostas em “Matemática de revista

  1. Essas revistas tem uma função social importantíssima: não deixar as pessoas se enfurecerem nas salas de (longas) esperas que somos obrigados a frequentar por diversas razões. É divertido (e ajuda a passar o tempo inútil) ver matérias de meses atrás, sobre assuntos já esquecidos que eram fundamentais para o país ou mesmo para a humanidade. Isso sem falar nas revistas tipo Caras que tem informações da maior relevância sobre quem fica/sai/briga com quem e até que possamos entender quem é o primeiro “quem” chegou nossa hora de ser atendido.

    • É deveras. Há tempos venho dizendo pro meu oftalmologista que a revista do consultório tinha que ser Caras, com aquelas fotos ENORMES. Tentar ler VEJA depois que as pupilas dilatam é tarefa inglória…
      Meu problema é que fico lendo as revistas antigas achando que estou me inteirando das novidades, quando comento com alguém ‘então Fulano e Beltrana divorciaram?’, o comentário geralmente é ‘mas isso foi no mês passado’. Sem contar que não conheço 90% dos envolvidos, as sub-celebridades não duram nem os 15 minutos de praxe mais…

  2. Eu também tenho preguiça destas revistas há anos. Há muito tempo perderam a relevância e a alguma isenção que um dia tiveram e transformaram notícia e informação em novela, em drama, ou pior, em instrumento de influência política. Com propagandas muito coliridas e atraentes, vendendo um estilo de vida de sonhos. Informação e análise, porém, foram pro saco e realmente não valem o dinheiro que cobram.
    Já a Caras pelo menos é honesta. Se espremer não sai nada dali, o negócio é dopar os sentidos da gente com imagens de um mundo dourado onde todos são bonitos, charmosos, bem sucedidos. Fantasia pura, mas desde quando Caras prometeu alguma coisa além disto? E cá entre nós, é divertido pra caramba ver aquela atriz/modelo/manequim famosa fazendo modelito da última moda, caras e bocas incluídas, na Ilha de Caras.
    j.

    • Adoro ver as sub-celebridades esparramadas no sofá da sala, com aquela overdose de decoração em volta, ou então as sub-sub-celebridades fazendo pose no tapete vermelho de algum evento, exibindo um modelito medonho com a maior cara de ‘sou rykkah!’. Meu problema na hora de ler sobre o último bafão é saber quem é mesmo a pessoa em questão, eu tou sempre atrasada nos 15 minutos da fama.
      Mesmo as revistas internacionais (TIME, Newsweek e afins) andam bem chatinhas. Ou então quem tá ficando chata sou eu, tem sempre essa possibilidade! 😛
      bjk

  3. Mônica, boa noite.
    Sua avaliação sobre essas revistas de “atualidades” também pode retroceder no tempo.
    Há alguns anos eu era viciado nisso. Cheguei a assinar Gazeta Mercantil, Exame, Você SA e HSM Management ao mesmo tempo. Overdose de informações sobre negócios e carreira. Comecei a cortar até eliminar tudo, e não senti falta. Não tive crises sérias de abstinência.
    Mas voltando ao bovino resfriado. A Exame, que era a mais famosa de negócios, também tinha quase metade de sus páginas de anúncios. E as fotos também ocupavam boa parte dos espaços. A Você também não era diferente. Só a finada Gazeta e a HSM se salvavam, pois seus públicos eram diferentes.
    Conclusão: basta trocar o nome da revista, e a avaliação cai como uma luva.
    Em qualquer tempo, em qualquer lugar.
    E viva o marketing!

    • Pois é, GeGe, e some-se a isso o fato de que boa parte do conteúdo não é lá grande coisa, né… Eu também cortei todas as assinaturas – já tive Folha, Estado de Minas, Isto É, Viagem e Turismo, TIME, um monte. Agora acesso o que é possível pela internet e de vez em quando compro algum exemplar. E olhe lá…

  4. Eu faço download dessas revistas e leio no meu pc.
    Ou seja, custo zero.
    Pq vc nao faz a mesma coisa??
    O lancamento da Veja nas bancas é sempre quarta -feira.
    Logo, no google:

    download veja 01 de junho de 2011

    E voua-lá…
    Tem o pdf pra tu baixares;;…

    • Asnalfa, é isso mesmo que eu faço! 😉
      Mas não chego a baixar o pdf não, leio direto na internet, tenho achado tão pouca coisa que justifique um download…
      Sumido você, hein?

  5. Monica, Gente!… Concordo.
    Tem apenas dois detalhes a serem acrescentados.

    – Desde uns três anos passados até agora é necessário um cadastro para vc acessar as matérias na ÍNTEGRA, já que na revista, estão incompletas! (ao menos é o que percebo em algumas!)
    Quem assina (VEJA BEM… ‘OS PAGANTES’), ainda são submetidos ao ‘atrevimento’, a ‘ousadia’ de vez que encontram A INFORMAÇÃO TRUNCADA, SEREM MANDADOS PROCURAR INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES ‘ON LINE’.
    É de-mais: vc paga… a maioria das páginas com publicidade faz com que não haja espaço suficiente para que uma matéria seja explorada de maneira eficiente.
    Não me digam que a publicidade é quem está pagando a circulação da revista, isto é economia extra, pois o preço do exemplar é calculado nas despesas da tiragem da publicação! Mas podem acrescentar: publicidade também é utilidade pública, sim! mas a metade ou maioria das páginas??? Tenha a santa paciência!!!

    – Sabemos que a maioria das pessoas são informatizadas, mas não todas.
    Pergunto: os Editores, podem partir da premissa de que o país inteiro, possua computador,
    ORA se comprou a revista “tem O DIREITO de ter uma informação completa”, não um tratado, lógico!
    mas uma matéria com começo, meio e fim, bem esclarecedora e imparcial!

    Precisamos não acessar estes meios complementares, uma vez menos visitados, lógico, não terão sucesso, e em nosso favor FAZEMOS VALER NOSSA INTELIGÊNCIA E DINHEIRO – não permitamos que nos façam de idiotas!!!

    • Por mim, enquanto mantiverem a versão online, tá bom demais. Acho o fim da dinastia pagar por informação tão mal dada e gastar parte dos meus tostões para ver anúncio de página inteira. …

  6. Compreendo sua posição Monica, é justíssima e concordo,
    questiono é a – ‘necessidade’ de uma forma ser complementar da outra – e quem atualmente dispõe de tempo para correr de uma mídia para outra, tendo apenas algum detalhe suprimido ou acrescentado? Não sou contra redes sociais, porque são mais objetivas e racionalizam a vida das pessoas. Deve-se mesmo optar pelo mais prático!
    Apesar da temática no momento, ser crítica, porém, em tudo logicamente há excessões, uma oportunidade também de observar uma boa iniciativa já que estamos falando sobre ‘o sistema online’ e aí, já não sei se nesta forma a reportagem está na íntegra, vale conferir:
    outro dia, lembrei-me de vc, sobre suas crônicas e quem sabe… não foram elas que ‘despertaram’ o interesse de divulgação de algo tão precioso! A seguinte reportagem me chamou a atenção:
    “O museu de arte contemporânea de Inhotim encanta adultos e crianças”, fazem referências como “inédito” e “o mais espetacular…” Estava desejando um espaço para este comentário – no caso, via internet.
    http://claudia.abril.com.br/materias/4811/?sh=31&cnl=31
    ‘Grazadeus’, imagino que não foi simples coincidência, mas, informações que originam outras, e como estamos defendendo o sistema online, mais rápido e amplo impossível.
    Abração!

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