Deverasmente curioso

Sabe o que eu acho interessante? No segundo semestre do ano passado eu tinha amigos que só falavam em eleição. Em política. Em debates. Encheram a minha paciência à exaustão tecendo loas ao candidato A ou B, acusando o candidato B ou A, enviando e-mails apocalípticos para a minha caixa de mensagens, avisando como seria o mundo se Fulano ou Beltrano se tornasse o novo cacique da nação, anexando arquivos gigantescos em power point com fotos e links para supostos escândalos. Esgotaram meus níveis civilizados de tolerância para com a falta de noção alheia, torceram como se eleição presidencial fosse final do Brasileirão, desfilaram adjetivos pouco lisonjeiros para qualificar o candidato A ou B, blogaram, facebookaram e tuitaram sobre o assunto, baixando o nível da discussão a índices nunca vistos, até eu resolver bloquear e evitar conversar com vários deles em qualquer circunstância, por mais inocente que o bate-papo pudesse parecer.

Curiosamente, nenhuma dessas pessoas, nenhumazinha de nada, falou até o momento uma linhazinha sequer sobre o caso do milagre da multiplicação dos tostões na conta do Antônio. E que deve permanecer mesmo na esfera dos milagres, já que o procurador-geral da República resolveu arquivar, engavetar, trancar e engolir a chave de todas as representações contra o Antônio. De repente, toda aquela torcida, toda aquela indignação, todo aquele entusiasmo, todo aquele engajamento de 2010, puf!, sumiu e foi pro espaço, ninguém daquela minha turma fala nada. Naquela época, quando eu dizia que, pra mim, os candidatos e seus partidos eram basicamente farinhas do mesmo saco, quando eu argumentava que direita e esquerda hoje em dia são dois lados da mesma moeda de um centavo, essas pessoas torciam o nariz e diziam que eu era alienada, apolítica, vendida, apática. Bem que eu gostaria de saber desse pessoal onde foi parar aquele engajamento todo. Aparentemente, eles devem estar achando que está tudo muito bom e muito bem neste país e que, portanto, não existe a menor necessidade de ter as perguntas devidamente respondidas.

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12 respostas em “Deverasmente curioso

  1. vc também é uma chata, né não?
    só cau’z’di quê o Antonio juntou um dinheirinho para a aposentadoria dele – e, aposto, ainda contribui com o Partido nessas horas – vc fica pegando no pé dele?
    humpf!

    • Chato bobo feio é ele, que não quis liberar a lista de clientes no Jornal Nacional. Eu queria tanto oferecer meus serviços ‘a nível’ de profissional ‘enquanto’ fessôra, fiquei sabendo que a galera ali paga super bem e adiantado!!! Mas, né, o moço ficou amarrando mixaria pra chegado… humpf!

  2. Então Monica, conhece aquela história bíblica onde Jesus múltiplicou o pão e o peixe, aqui na terra brasílis o negocio não é história não, a multiplicação do dinheiro acontece a olhos vistos, mas é uma pena pois contam esses causos de uma maneira tão bonitinha que a maioria acha que é história mesmo ou acredita em tudo, e acaba ficando pra ou na história vergonhosa do nosso país, e depois ainda te chamam de alienada, fazer o que? Abraços e boa semana.

    • E nenhum desses milagres de multiplicação de tostões vai parar na minha conta bancária… 😦
      (pensando bem, melhor mesmo…)
      Sabe que é isso que me irrita? Não o fato de ser chamada de alienada, porque sei que não sou. Mas é o caboclo me aparecer com uma história estapafúrdia e achar que, só porque ele tá contando, eu tenho a obrigação de ser burra e acreditar!!!
      abraço!

  3. Eh, Monica,
    àquela época mencionei que não faço assinatura nem de revistas, nem de jornais, em época de eleição,
    não vou gastar meu dinheirinho com tagarelices, aberrações, imoralidades e engodo!!! Considero que o país nunca foi ‘democrata’: quando Colônia e Império por razões óbvias; quando República, começaram as ditaduras, tantas e tantas, abertas e silenciosas!

    Agora, um país que se diz democrata: a eleição é ‘obrigatória’ sob pena de pagar multa; se for funcionário público, complica no fisco e não recebe o salário do mês subsequente à votação.

    A mídia estatal ou não, tem seu horário regulamentar ‘obrigatório’ (ainda bem, que muitos podem desligar,ou… ir para as emissoras pagas).

    PASMEM! desde a posse (1o./jan./2011) de todos que foram eleitos. IMPÕE-SE, “propaganda ‘partidária’ obrigatória, todos os dias da semana”, o ano todo!

    Irei eu, gastar meus neurônios de estimação!
    Alguns se dizem ‘apartidários’. Do ponto de vista filosófico, não se pode considerar ‘apolíticos’.
    Já nascemos seres políticos. Eu… não me considero obrigada a continuar.

    Aaaah, E SUA CIDADANIA ONDE FICA??? – Elementar – onde eu possa exercê-la na sociedade e na comunidade onde vivo, sem ser necessário espetáculos pirotécnicos para isto!!!
    Nada tenho contra os espetáculos, são lindos, maravilhosos, mas em situações pertinentes!!!
    Grande abraço.

  4. Ia esquecendo.

    Analfabetos, semi-analfabetos, detentos, menores de 16 e 17 anos de idade podem votar,
    mas se um deles livres ou em liberdade condicional, matar 5 ou dez pais de famílias, estudantes, senhoras donas-de-casa, mães de famílias que deixam órfãos, “eles” não estão aptos a ‘assumir’ e ‘pagar’ pelas barbáries cometidas, terem um julgamento à altura do que a sociedade precisa!

    As cidades que foram acometidas pelas cheias, até hoje ainda sofrem consequências. Entretanto todos seus habitantes poderam cumprir com seu dever ‘cívico’, uma vez que a reimpressão de seus títulos eleitorais foram providenciados com toda brevidade, e as pessoas que já não mais tinham endereço, eram encaminhados por vizinhos, parentes, populares em geral, de forma que se fizesse chegar o importante documento em mãos!
    Mentira, Terta??? Não precisa responder.

  5. Uma correção,
    quando mencionei “liberdade condicional” me referi aos detentos que vão passar os feriados com “famílias”, e jamais retornam e quando a polícia consegue apreender alguns, eles já somaram muitos outros crimes a ‘sua ficha’, principalmente homicídios.

    • Como diria o meu pai: “É… é complicada a situação!!”
      Tudo que a gente sabe é que, deixadas à sua própria sorte, as coisas vão ser resolvidas de modo que a gente, e não eles, leve na cabeça.
      bjk

  6. Minha família me alerta para isto, afinal, me preocupo, fico indignada, perco minha saúde, não tenho recursos potenciais para sequer amenizar algumas injustiças, a quem compete, não estão nem aí (mas os honorários? haja benefícios e justificativas para mais cifras) – enquanto isto – em outras salas: professores, pesquisadores, um porcentual da classe médica, cientistas e outros de profissões de alto risco e confiabilidade (Mon Dieu!!! confiabilidade, competência, etc – por incrível que pareça… ainda existem) – e com uma remuneração vergonhosa!!!…
    Poder-me-iam dizer: se estivesse lá seria igual a nós! Existe um diferencial – “qualquer pessoa com caráter, justeza”, uma vez que não possa se queixar de sua situação financeira, o módico é cumprir com sua tarefa. Ora!!! não etá fazendo nenhum favor!!!

    Um amigo nosso sempre coloca o seguinte, abaixo de seus e-mails; claro que em tom de ironia:
    – “se não está quebrado, não tente consertar”
    – “escuta o mato crescendo em paz, escuta o mato crescendo, escuta o mato, escuta”. Tom Jobim
    Simplificando tudo, como dizia seu pai: “É… complicada a situação!!!”
    Vamos aguardar e escutar o mato crescer!!!…
    Bjk, também!

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