Dando tchau pro filhão

Na verdade, a coisa é basicamente muito simples. Se você tem adolescente em casa, você tem boas chances de ser sempre considerado ridículo. Se o adolescente em questão for seu filho ou filha, parabéns! – você acaba de ser automaticamente catapultado para o topo da pirâmide do ridículo, e de lá só deve sair depois de ficar ‘de castigo’ por uns bons anos. Não se preocupe, isso é default e, segundo uma ex-aluna, terapeuta de adolescentes, nenhum pai/mãe deveria tentar reverter essa situação; o adolescente insuportável de hoje será (dedinhos cruzados!) o adulto normal de amanhã, é só ter um cadinho de paciência (respire fundo, beeem fundo).

Sem precisar apelar para fórmulas e teoremas sofisticados, a equação é bem simples: você está errado, sempre. Você não sabe de nada, quem sabe mesmo é a galera. A Pat, o Cabeça, a Bia, a Carol, o Thiagão, eles sim, estão por dentro de tudo. A música que você escuta é horrível, por favor não ache que, só porque você leva seu adolescente de carro pra escola todo dia (isso já é suficientemente embaraçoso para ele), está autorizado a ouvir Djavan no volume máximo. Seu guarda-roupa nem merece comentários, e de onde saiu essa ideia de que você sabe o que está na moda? Sim, você até pode ir com ele/ela ao shopping para comprar roupas, mas mantenha uma distância segura. Sabe aquelas medidas cautelares que mantêm o Dado Dolabella a não-sei-quantos metros da Luana Piovani? Pois é, é por aí. Fique por ali e só apareça pra pagar a conta, claro. E, por mais que tente, você nunca vai acreditar que seu adolescente é capaz de estudar para a prova de matemática, postar no twitter, baixar um vídeo, subir as fotos do churrasco, conversar com alguém no MSN e mandar uma mensagem no celular enquanto ouve a última da Lady Gaga no iPod, tudo ao mesmo tempo agora. E essa sua mania de querer saber quem vai à tal festinha, quem é o Fulano ou a Beltrana, como assim voltar à meia-noite?, pai de quem vai levar e trazer, ai que chatice.

Então, a menos que você tenha certeza absoluta de que seu adolescente está OK com o seu ridículo, a menos que você jure de pé junto que ele ou ela tem um bom humor absolutamente inabalável, nem pense em fazer isto:

                 

‘Isto’ é o que Dale Price, um pai de adolescente em Utah, faz todos os dias, religiosamente. Alugando, improvisando e pegando emprestado fantasias dos amigos e vizinhos, ele fica na frente de casa esperando o yellow bus que traz seu filho de 16 anos da escola, tudo com o intuito inicial de deixar o coitado o mais sem-graça possível. Ele garante que a essa altura o filhão já superou o trauma, sobretudo depois que a história toda ganhou manchete nos jornais e virou um blog, e que hoje acha tudo super legal. Pode ser, talvez o adolescente da família Price esteja naquela porcentagem ínfima de desvio padrão de qualquer estatística. Não sei. Provavelmente só saberemos com certeza daqui a muitos anos, quando o rapazinho tiver seus próprios filhos adolescentes. Sabe-se Deus o que ele pode estar planejando. Seja lá o que for, a única certeza que temos é a de que eles vão achar o pai muito ridículo (mas eu, que já estou anos-luz distante da minha própria adolescência, achei a ideia do Dale muito divertida).

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8 respostas em “Dando tchau pro filhão

  1. Eu tenho umas lembranças que hoje são super engraçadas. Mas, antes, eram o ápice da vergonha… Lembro-me que uma vez meu pai me buscou numa discoteca onde morava no Rio. Já era um horror ver meu pai parado na porta da “buatchy” com o chevelhão reluzente… e, para piorar a minha situação, ELE APARECEU DE PI-JA-MA!!!! Hoje, a gente solta boas gargalhadas… mas, eu não sabia onde enfiar minha cara naquela noite.

    • Eu tinha amigos que pediam pro pai deixá-los a um quarteirão da escola, só pra evitar o embaraço! 😀
      O consolo é que depois a gente cresce, vira pai e aí é a nossa vez de pagar mico pra meninada!!!

    • Desvio-padrão, Ana, essas coisas acontecem. Se ela mudar para o lado negro da Força, não se apavore, que depois ela volta. Eu nunca tive muita chance de ser rebelde porque meus pais eram considerados ‘super cool’ por todos os meus amigos, mas a gente sempre dava um jeito de encrencar com alguma coisa. Minha adolescência foi meio atípica e meus momentos de rebeldia, bem poucos!
      bjk

  2. Esse pai fez foi é tratamento de choque. Muito ridículo, mas muito mesmo, pra ver se o filho levava as coisas de rotina na boa…

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