Poizé,

é aquela história. Aprendi com a minha mãe, desde quando eu era deste tamaninho, que a gente não resolve os problemas da gente arrumando problema pros outros. Quer dizer, pelo menos não deve. Aprendi que o meu momento ‘eureka’, aquele que me faz acreditar que os meus problemas acabaram, tem realmente que apresentar uma solução, e não simplesmente empurrar o abacaxi pro próximo da fila. E que eu não devo nem mesmo pensar em sugerir um desfecho que vai me deixar tranquila, ao mesmo tempo em que coloca outra(s) pessoa(s) numa sinuca de bico, sem saber como se desenroscar.

Daí que uma pessoa me pediu um favor. Nem foi desses favores grandões, complicados, cheios de nós-cegos não, foi coisa até bem simples de fazer, em tese. E, claro, a pessoa espera que eu colabore, afinal de contas é um favorzinho à toa, né, não custa nada. O meu ‘sim’ resolve a questão do lado dela e ela fica toda ‘happy e sastifeita’; o meu ‘não’ provavelmente vai deixá-la chateada e pensando ‘nooossa, mas que má vontade por conta de uma coisinha tão pouca!’. Só que concordar pode significar abrir um precedente, e aí outras pessoas na mesma situação num futuro próximo ou até nem tão próximo assim podem fazer o mesmo pedido. E aí eu 1) vou ter que atender, afinal já quebrei o galho pra um, o que custa quebrar pra outro  2) não vou atender e aí vai ser ‘noooossa, fez pro outro mas não pra mim’  3) posso cogitar sair pela tangente e contar uma mentirinha branca só para não repetir a dose, mas as mentirinhas de qualquer cor têm perninhas muito curtas e aí a emenda vai ficar muito pior do que o soneto. Francamente, nenhuma das opções é do meu particular agrado.

O caso é que quem começou a história toda estava pensando (até certo ponto uma atitude bastante compreensível) em solucionar seu caso, mas certamente não parou pra pensar nas consequências do seu pedido para outras pessoas (euzinha). E, olha, é incrível como eu vejo situações como essa se repetindo por aí hoje em dia. Tem cada vez menos gente disposta a calçar os sapatinhos dos outros pra saber onde é que aperta o pé.

Anúncios

10 respostas em “Poizé,

  1. e por nao calçar os sapatinhos dos outros, que os jeitinhos acontecem e o mundo é mundo… (vou falar Brasil não, que aqui tb tem jeitinho. rs)

    Bjs!

    • É, quando o favor vira hábito (e depois obrigação) é o fim da dinastia. Sem contar que o resto da galera fica achando que, se você quebrou o galho de um, também tem que quebrar o de todo mundo. Simancol, pelo visto, é um medicamento que as pessoas não tem tomado mais (ou então estão apelando pro genérico…)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s