Obrigada mas não, obrigada

Se tem uma coisa que eu acho bacana nesse mundo é a tal da diversidade. Porque, pensa bem, a vida ia ser um bocado chata se todo mundo fosse igualzinho, pensasse igualzinho e gostasse das mesmíssimas coisas. Danadinha de chata mesmo. Descobrir o que nós temos em comum e respeitar as diferenças de gostos e opiniões dá tempero a tudo, né não? Com a dose certa de persistência e interesse, dá pra apreciar – e até mesmo adotar – algumas das preferências dos outros. Foi assim que eu aprendi a tomar cerveja, ler ficção científica (filme eu ainda chego lá!) e gostar de pratos vegetarianos. Mais um empurrãozinho e quem sabe eu até consiga usar crocs e achar funk minimamente legal de se ouvir? Nunca se sabe.

E já imaginou, por exemplo, se todo mundo nutrisse a gigantesca preguiça que eu tenho do Zé Celso Martinez, como é que ia ser, hein? Talvez neste momento ele estivesse na casa dele de pijamas fazendo sudoku ou jogando damas com os amigos na praça, totalmente sem serviço. Mas como tem gente que acha que ele ainda é super moderno e que suas intervenções na arte brasileira continuam extremamente pertinentes, lá está o Zé Celso encerrando a programação da Flip em Paraty. Quatro horas de espetáculo, minha gente, tou aqui tentando decidir o que deve ser mais divertido, isso ou um tratamento de canal sem anestesia. Já tentei encarar peça do Oficina, já tentei assistir entrevista do Zé Celso ao vivo, já tentei Zé Celso em som, imagem e letras, mas até agora nada. Legal que tem gente que faz fila pra entrar nos espetáculos dele, porque eu fico com a impressão de que tudo isso que ele faz pode ter sido super vanguarda lá na década de 60, mas hoje em dia me parece pura falta de assunto. Não que eu tenha qualquer coisa contra palavrão, cenas de sexo e um monte de gente andando pelada no palco, mas essas coisinhas por si só não me convencem nem um pouquinho, sem contar que costumo ficar com um pé atrás com esse teatro excessivamente interativo – eu paguei ingresso pra assistir quieta no meu canto, uai, não pra ajudar a fazer o trabalho dos outros.

Eu já estou imaginando o que pode acontecer no ano que vem, quando a Flip vai homenagear o Drummond. Na cabeça do Zé Celso, Quadrilha pode virar um enorme bacanal. Tou começando a achar que aquela ideia do tratamento de canal vai ser bem mais negócio.

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12 respostas em “Obrigada mas não, obrigada

  1. Pois é, na falta do Zé Celso tem o Gerald Thomas, outra criatura. Que aliás anda sumido, o que foi feito dele? Ok, pergunta sem sentido, eu REALMENTE não quero saber a resposta.

    • Ah é, tem o Gerald Thomas, não vamos deixar a peteca cair!
      Quando você tiver saudades do Gerald (que, vi outro dia na Folha, está com espetáculo novo mas, né, minha curiosidade realmente parou aí), anota aí o blog dele: geraldthomasblog.wordpress.com . É dos diretores que você gosta também, super interativo… 😛

  2. Total acordo em relação ao ZéCelso. Ainda bem que tem quem goste, eu acho muito chato, pretensioso e gasto.
    Quanto a crocs, discordo. Nunca tinha pensado em usar até que minha mulher levou um par pra mim no sítio e é muito bom (pelo menos pra usar num sítio). Mais fácil de colocar que uma bota, não escorrega na grama molhada como as havaianas, protege o pé, é confortável, etc. Pode não ser muito charmosa, mas eu adorei.

    • É que eu sempre achei esse modelito tamanco holandês danado de feio, mas nunca coloquei um no pé pra testar o conforto. Em sítio deve ser uma mão na roda, se bem que minha preferência, não estando na rua, é sempre estar descalça – adoro um pé no chão. Na grama, então, não fico calçada de jeito nenhum… 🙂

  3. Mônica, boa noite.
    Então somos dois que não vemos graça neste meu conterrâneo.
    Fazer o quê, né? Falaram para ele que ele era legal, e ele acreditou…
    Sou muito mais o Ignácio de Loyola Brandão, grande escritor, apesar de também não ser flor fácil de se cheirar…

    • Eu tenho um bocado de preguiça dessa gente que se acha, ou acha que os outros acham eles… É ego demais pro meu gosto. O Ignácio de Loyola Brandão não é flor de se cheirar, é? Taí, dele eu não sei nadinha fora do óbvio…

  4. AHHAHAHHAHA. Minha nossa! Agora você literalmente presenciou (espiritualmente, mentalmente, ou sei lá) minha conversa com uma amiga no sábado. Falavamos justamente de Zé Celso e o quanto não pagaríamos (no caso ela, nunca assisti, nada do Zé) para ver uma peça. Mas como levo a sério alguns amigos para evitar desgaste e chateação futuro, vou acatar, por enquanto, até um dia minha curiosidade insana me decepcionar, como faz vezenquando.

    Gerald Thomas está com a peça Gargolios em Cartaz no sesc Vila Mariana aqui em Sampa. Comprei ingressos hoje e vouuuu feliz da vida! :)))

    Mas gosto demasiadamente muito de Paraty, visitei por duas vezes e me apaixonei pela cidade histórica mais charmosa. Idem a vontade insana a algum tempo de conhecer Ouro Preto, que dizem ser, uma Paraty sem mar.rsrs Outra vontade imensa pe São Thomé das Letras, puxa muita vontade!

    Adoraria ir a Flip, rodeada de livros e palestras. Na verdade nem espiei a programação a risca e não sabia da presença do Zé por lá. Mas sou louca para ir a Flip, quem sabe ano que vem, ou prá logo, no festival da cachaça hummmm, delícia. OU que nada passar a virada do ano, como fiz, já seria tudo de bom!

    Adoro seu blog, adoro seus textos, dicas, vídeos, adoro :)))

    E não deixo de passar nunca por aqui. beijo ôôô das minas gerias.

    • Olha, se você dá conta de Gerald Thomas, bem provável você conseguir engolir o Zé Celso! Eu sinceramente não dou conta de nenhum deles, meus dois neurônios (Adamastor e Hermengarda) ficam com cãibra e não registram nada. Depois conta o que achou do Gargolios!

      Paraty é muito lindinha, espremida entre o mar e a serra. Da última vez em que estive por lá, estava um calor pavoroso e a louca aqui resolveu atacar uma caldeirada. Olha, acho que eu estou digerindo o jantar até hoje!!! 😀

      Também acho que a Flip deve ser muito legal de visitar, mesmo se não der pra acompanhar os ciclos de palestra porque a concorrência é uma loucura. Taí, pro festival de cachaça deve ser melhor ainda (só toma cuidado com o calçamento de pedras, kkk).

      Obrigada por adorar tanto o blog, eu adoro gente aqui adorando tudo! 🙂
      E apareça sempre, claro!
      bjk procê também!

  5. Também não curto muito essa coisa de “apresentação interativa”, Monica.
    Acho esses programas de humor de improviso na tv (como se alguém ainda tivesse paciência pra ela) uma enrolação sem tamanho.
    Não sei quem é o tal Zé Celso, mas pelo jeito não estou perdendo nada.
    Gostaria de agradecer a sua visita lá no site e dizer que o Rafael não está respondendo aos comentários ultimamente porque ele está se formando em Direito, trabalhando e fazendo seu tcc ao mesmo tempo.
    Ou seja, ele tem de marcar hora para poder respirar, daí a falta de tempo.
    O pessoal lá posta sobre praticamente qualquer assunto, e acho que irás gostar dos posts mais antigos dele (ele devora livros de História com catchup e mostarda).
    Eu vou dar mais uma boa pesquisada por aqui, que parece ser um ótimo lugar.
    Valeu mesmo.

    • Meu maior problema com essa ‘interatividade artística’ é que, muitas vezes, ela é imposta, e eu acho isso o fim. Quando o ator é bom mesmo, ele consegue identificar rapidamente quem ali na plateia vai topar entrar na brincadeira numa boa, mas já vi casos em que o coitado da poltrona se submetia a papéis ridículos só pra satisfazer o ego e o espetáculo do sem-noção no palco.

      Também tenho preguiça desses programas de pegadinhas que colocam o desavisado numa situação complicada ou ridícula. Antigamente tinha o Candid Camera (lembra dele?), programa da TV americana que brincava com o cotidiano das pessoas, mas a grande diferença era que o mico era sempre do ator, nunca do público. Até porque lá nos Istêitis as brincadeiras sem-graça costumam terminar em processos com indenizações milionárias…

      Nossa, multi-tasking é isso aí, trabalho, escola, blog, tudo ao mesmo tempo… Fiz isso na época do mestrado e não sei como não detoonei Hermengarda e Adamastor, meus dois neurônios. Sobreviveram a duras penas!

      Depois passo lá de novo com mais vagar, ou seja, no fim de semana! 🙂
      Continue explorando por aqui, tem umas bobagens divertidas…
      abraço!

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