Desculpe, número errado

Ô gente, que saudade danada daqueles bons tempos em que eu saía pra comprar uma calça jeans, entrava na loja, dava meu número, entrava no provador, experimentava umas duas ou três, escolhia, pagava e ia embora da loja feliz da vida de sacolinha na mão! Calça jeans hoje em dia é um enigma na minha vida e é uma verdadeira saga sair pra comprar uma. A confusão já começa quando a mocinha toda solícita me pergunta ‘qual o seu número?’. Fia, eu sei o número do meu CPF, do meu PIS, sei o número do meu passaporte de cabeça, a placa do meu carro, lembro dos aniversários de todo mundo da minha família, mas pelamordedeus não me pergunte qual o número que eu visto. Isso não é minha culpa, é que a numeração de roupas agora ficou totalmente lúdica – foi feita pra você levar uns 100 modelos diferentes pro provador, todos de numeração diferentes porque, né, um deles TEM que ser o seu número, só que você não faz a menor ideia de qual vai ser. Antes eu sabia o que era 38, 40 e 42, hoje esses números não significam nada até você colocar a roupa no corpo pra checar. Aí a vendedora tenta te convencer que o seu jeans tem que ser justinho e de cintura baixa, né, porque ‘tá usando’. Tá usando se você é adolescente, meu bem, quando eu tinha 14 anos eu arrasava nos modelitos, só Deus era mais justo do que as minhas roupas, e quando eu extrapolava nos carboidratos, era só fechar a boca na segunda pra caber no vestidinho fashion no sábado. Agora multiplique aí a idade por 3 e você vai ver que depois dos 40 não tem a mesma graça, aquela mordidinha inocente no pé-de-moleque vai ter consequências incontestáveis e você vai penar pra situação se normalizar, vai por mim. Cintura baixa é um no-no, eu explico pra moça, nada contra isso em tese, eu até tenho algumas roupas assim mas parece que hoje em dia até roupa de odalisca tem cintura mais alta do que os jeans que tenho visto nas lojas, o que será que aconteceu com o bom e velho jeans azul-escuro e bem cortado, reto, sem desbotados, rasgados, apliques, bordados e etiquetas que fazem o meu derrière parecer um outdoor da marca? Aí, depois de uma peregrinação de horas, a caçada chega ao fim e eu finalmente encontro uma loja fora do circuitão de xópin que me oferece o trivial simples a preços honestos. Aproveito o embalo e já compro mais de um modelo porque, né, sabe-se lá Deus quando é que eu vou dar outra sorte dessas. Moda é legal e tudo o mais mas, ó, tem hora que ela dá uma surra em quem não curte essa vibe magricela fashionista. E se você tem lá seus 20 e pouquinhos anos e tá me achando exagerada, volta pra gente conversar de novo daqui a vinte, tá? Aí você vai ter entendido do que eu estou falando.

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9 respostas em “Desculpe, número errado

  1. Hahahahaha! Sensacional!
    Mas ó… vou contar que jean é mistério pra mim desde os 13! Esse negózi de bunda grande e cintura fina não se ajusta em jeans nenhum desde o primeiro cowboy do Velho Oeste!

    • Miniiiina, a história da minha vida! Cintura fina, bunda e quadris à brasileira, pernas grossas (morar em BH é morro acima, morro abaixo, não tem como ter gambitinhos por aqui, kkk), uma luta. O tempo passa e a situação só fica mais complicada… 🙂
      bjk

      • Ô inveja das duas aí. Aqui é bunda chata, quadrada, sem cintura, joelhão e batatão (à japonesa). Quem disse que eu consigo fazer essas skinnies passarem pela batata? Trava tudo lá embaixo. Sinto muito, moda vai, moda vem e eu vou continuar usando um regular bootleg (sem falar que essa moda de botas por cima não rola. Mal consigo fechar a bota, inda mais colocar calça dentro. Só se for bombacha, né?). Ah, e todo mundo que eu conheço gosta de jeans escuro, lavagem discreta, corte reto sem detalhes… e ninguém faz dessas??

  2. estava eu desfilando a Filhota no xópim quando parei em frente a uma dessas lojas de roupas para adolescentes (sacumé, né? roupas esquisitíssimas, feiosas, ficaram horas pensando em como fazer o negócio ser o mais desconjuntado e com aparência de velho possível). Mas, enfim.
    Na vitrine, um manequim com um par de jeans.
    Chamei D. Patroa e perguntei, inocentemente, quem é que caberia dentro daquele negócio. A moça teria que ser alta, mais de 1,70. Mas, se pesasse mais de 30 kg, eu truco que entrava.
    Mas tá usando, né?

    • Você e D. Patroa são corajosos, hein, já estão introduzindo a fiota no submundo do consumismo americano? Daqui a pouco não vai ter cartão de crédito que dê conta… Agora imagina a pequena daqui a alguns (vários) anos, enfiada nessas roupas esquisitíssimas e feiosas que imperam nas vitrines. The horror, the horror… 🙂
      E eu fico pasma de pensar que por mais que existam pessoas de mais de 1,70 por aí, ninguém, mas ninguém mesmo, pesa 30kg nesse oceano de Taco Bells, Big Macs e Coca Cola!
      Mas tá usando, é vero, deve ter um jeito de prender a respiração por algumas horas pra caber no modelito. Tenho que aprender o truque, facilitaria minha vida um tanto…

    • Uau, valeu demais a dica! Não vi por aqui, mas também não estava procurando, né…
      Ah, esse problema das pernas eu até que não tenho não. Aliás, tenho o contrário, sobra perna pra fazer um short, eu tenho 1,60 e alguns modelos parecem ter sido feitos pra gente com mais de 1,90! 🙂
      bjk

  3. O problema aqui comigo é o tal de soutien…
    Quem é que disse que por que eu uso numero 54 tenho de ter 150 kg???
    aff…toda vez é assim..ja é um trabalhão danado achar o tal do “numero”, quando acontece de achar, fica folgadissino pra fechar…
    E se achar algum que caiba direitinho, pode desembolsar e levar o estoque inteirinho por que sabe lá Deus quando é que se vai achar outro né…
    Dai é só apelar para boa e velha agulha e tendar dar uns pontos manuais-caseiros mesmo…
    Ninguem merece rsrs

    bjos querida, como sempre, texto realissimo…

    • Ah, a saga da lingerie, claro! É isso mesmo, eles relacionam tamanho com peso, sem margem para ajustes… Eu fico besta quando vou comprar um biquini e a moça me mostra os números, o tal P é microscópico, o M é minúsculo, o G é mínimo e o GG é P. A gente tem que vestir e colar com Superbonder, do contrário é mais confortável ficar peladona mesmo, kkkkkk…
      ‘Brigada, bjks!

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