Poema esquisito

Poema Esquisito

Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa.
Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos,
não existe mais o modo
de eles terem seus olhos sobre mim.
Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos?
É dentro de mim que eles estão.
Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão.
Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa,
que abunda nos cemitérios.
Quem plantou foi o vento, a água da chuva.
Quem vai matar é o sol.
Passou finados não fui lá, aniversário também não.
Pra que, se para chorar qualquer lugar me cabe?
É de tanto lembrá-los que eu não vou.
Ôôôô pai
Ôôôô mãe
Dentro de mim eles respondem
tenazes e duros,
porque o zelo do espírito é sem meiguices:
Ôôôôi fia.

(Adélia Prado)
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5 respostas em “Poema esquisito

  1. devo estar muito sentimental..quase chorei.
    mui lindo..

    bjs querida

    ps: Sabe algum remdio especial para dor de chifre nascendo??? rsrs to dodoi disso…

    • É muito linda a simplicidade da Adélia Prado, né Greici, ela fala num tantinho assim de palavras tudo que a gente levaria uma enciclopédia pra dizer.
      Quanto ao remédio, sei não, já olhou no Google? Porque se o Google não souber, é porque não existe! 🙂
      Boa sorte!

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