Não amplifique a voz dos imbecis

Acompanhar programas potencialmente cafonas (tais como entregas de prêmios), monótonos (a CPI do momento na Corte) ou simplesmente chatos (pro meu gosto, praticamente qualquer partida de futebol) ficou muito, muuuito mais tranquilo com o advento do Twitter. Mais ou menos como ouvir uma final de campeonato no radinho de pilha (ainda existe isso?) ou aguentar a narração do Galvão Bueno na rede GRobo – a versão ‘alternativa’ é sempre muito mais lúdica e emocionante.

Vai daí que eu resolvi seguir o Miss Universo com um olho na tevê e outro na tela do notebook, ‘logada’ (ah, os neologismos nossos de cada dia!) na minha conta número dois do Twitter. Eu, achando todas as moças parecidas e sem ter nenhuma preferência de início, rapidamente aderi à torcida da minha timeline e passei a colocar todas as fichinhas na angolana Leila Lopes, uma moça danada de bonita, elegante e simpática. Não me juntei ao coro da galera do ‘vou torcer pra ela porque ela é negra’; achei que ela merecia ganhar porque era a mais bonita mesmo e se destacava no meio daquele monte de Barbies saídas da mesma fábrica. Quando anunciaram o resultado final, a comemoração online não deixou margem para qualquer dúvida: o pessoal ali era Angola desde criancinha.

Mas depois fiquei sabendo de lugares aqui, ali e acolá no ciberespaço onde o preconceito e a ofensa deram o alô de praxe – como acontece nessas ocasiões, já que cerumano sem-noção costuma encontrar terreno fértil para suas asneiras nas caixas de comentários de sites, blogs, etc. Alguns amigos me enviaram links para esses comentários, outros se deram ao trabalho de ler centenas de comentários postados nos portais mais populares só para selecionar os textos mais horríveis dos internautas. Sem falar no twitter.

Sinceramente, não sei pra que tanto trabalho. Haters gonna hate, não é isso que dizem do lado de lá do equador? Não consigo me imaginar perdendo meu tempo preciosíssimo com gente assim. Claro, existe um pessoal barra-pesada que deve e precisa ser comabtido, mas o idiota que resolve investir seu tempo na trollagem só pra causar alvoroço merece nada mais do que a minha sincera indiferença. Alguns amigos se indignaram com a minha falta de indignação. Mas eu ainda acho melhor deixar essa turminha fromhell falando sozinha, deletar/bloquear quem aparecer no meu grupo e dar um reforço pra outra turma. Eu estou mesmo é com o Millôr – não devemos amplificar a voz dos imbecis.
***

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15 respostas em “Não amplifique a voz dos imbecis

  1. Acho que você está certa. Não conhecia essa frase do Millor, mas concordo com cada letra.
    Sem ódio, não haveria 11 de setembro nem torcida organizada. E sem ignorância, o ódio não existiria.
    Deixar prá la… como eu disse ontem, só vi o finalzinho do concurso, e, entre Angola e Ucrânia, as finalistas, fala sério, a moça de Angola era muito mais bonita mesmo. Mas, francamente, algumas moças bem bonitas foram eliminadas antes, e fariam bom papel na final.
    Mas quem sou eu para entender de concurso de miss? Politicamente corretos que me perdoem (são o grupo mais “chaaaato” que conheço), fico com a Monica, que entende muito mais de miss que eu. Angola ganhou bonito!

    • Acho que é do Millôr sim, pelo menos me foi ‘vendida’ como sendo – em internet nunca se sabe. Mas é bem a cara dele. Também achei que tinha muita moça bonita ficando de fora da lista final, provavelmente foi um pouco pra ‘agradar a todos’, afinal de contas mr. Donald Trump tem milhões de dólares, quer dizer, motivos, para fazer média com a galera.
      De resto, não presto atenção nos chatos. Se já está difícil acompanhar o tanto de gente bacana falando, escrevendo e fazendo coisas fantásticas, imagina então ter tempo pros sem-noção?! Meu lazer é bem mais ‘caro’ do que isso, né…

  2. é nessas horas que a gente reconhece os imbecis, e pode selecionar o joio do trigo. Porque, ó, quanto mais eu vivo, mas me assusto com determinados comportamentos. A própria moça, linda por sinal, falou que não dará ouvidos. Porque, ou a gente dá ouvidos, ou a gente vive. E acho que viver, para os imbecis, é o pior castigo.

    Bjs!

    • É issaí, Eve. tem gente que realmente dá medo. Mas é o que uma amiga budista me disse uma vez: pode ser que você não possa escolher quem vai estar com você na mesma estrada, mas em geral dá pra escolher ao lado de quem você quer caminhar.
      E não é isso mesmo???
      bjk

  3. Oi, Mônica! Acho que tenho escolhido bem com quem quero caminhar.
    Também pela primeira vez assisti à transmissão do programa. Concordo com a expressão “monte de barbies” que você usou. E achei bacana a Miss Angola ter sido escolhida porque pareceu-me a mais natural de todas.
    Seus textos são muito, mas muito bons. Leio-os com delicada atenção.

    • Oi Leda,
      nossa, obrigada! É tão bom saber que as pessoas gostam do que eu escrevo, cê nem imagina!
      O pior nem é ter aquele monte de barbies ‘em campo’, o pior mesmo eu achei a Galisteu e a outra comentarista achando o máximo as misses este ano estarem mais no padrão modelos de passarela. Porque, né, todo mundo achando que as modelos hoje estão abusando da magreza e aí vem o comentário sem-noção de que isso é que é bacana. Oi? Dureza.

    • Ah, mas escreve sim, porque foi lá no seu post que eu tive a ideia de escrever sobre o assunto (você dizendo que tem gente que foi parar no seu caderninho… adorei!). Certeza de que você ainda tem muito o que falar sobre o assunto!
      Concordo, e denunciar o que vale a pena, né, porque sair denunciando tudo e qualquer coisa pode fazer as pessoas num minutinho pararem de prestar atenção – afinal, é só mais do mesmo… (ótimo link!)
      bjk

  4. Não vou dizer que não reparei no fato dela ser negra, mas em nenhum momento passou pela minha cabeça que ela deveria ganhar por ser. Também não conhecia essa frase, aliás, ÓTIMA!
    Mesmo não comentando, tu sabe que “te leio” everyday!!!!
    Ah, me ajuda a escolher o bouquet! Postei dois lá no blog!

    Bjos

    • Ôba, dar pitaco no casamento dos outros é comigo mesmo! 🙂
      A gente repara que é negra, né, claro, uma belíssima negra, na minha opinião. E com um jeito natural (adorei o cabelo pra cima, destacando as feições do rosto) e um sorriso lindíssimo.
      Que bom que você está aqui sempre, ainda mais com tanta coisa pra providenciar pra vida nova! Many thanks!
      bjk

  5. Pingback: Domingueiras « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  6. Pois eu ia escrever um artigo sobre isso… comecei… e ah, bateu uma leseira…

    Ando pensando em baixar a metralhadora um pouco e trocar Bagdá pela Polinésia.

    Resta descobrir se terei (bala na agulha) jeito pra coisa… (Duvido.)

    Até que eu luto um blog-fu que não é pancadaria gratuita, mas ando precisando de ar marinho (escadinha infame para um comentário infame, lá vem…)

    • Podexá que o comentário eu guardo pra mim!!! 😀
      Eu sou da galera de Bora Bora faz tempo. O caso é que, em geral, as pessoas não querem conversar e debater ideias, ouvindo (ou lendo) o que o outro tem a dizer. Elas querem é usar a argumentação do outro como simples ‘escada’ pra justificar o argumento delas. Tou fora…

  7. Sou Joel ( RJ ). No Brasil discute-se todos os assuntos políticos, mas ninguém discute a “OBRIGATORIEDADE DO SERVIÇO MILITAR “, Por que não criam um SERVIÇO SOCIAL como opção para o rapaz ? Deveriam profissionalizar as Forças Armadas. Mesmo com nossa democracia, ainda obrigam o rapaz a servir contra a sua vontade.
    Divulguem esse tema.

    PANZETI.RJ@GMAIL.COM

    Agradeço

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