No palco com Rihanna anna anna ê ê ê

Existem duas coisas que a gente acaba aprendendo, de um jeito ou de outro. A primeira é que alguns programas ‘casam’ melhor com algumas épocas da vida. Eu, por exemplo, fico muito feliz por ter viajado pela Europa de mochilão nas costas, fazendo apenas uma refeição decente por dia e encarando trem noturno pra economizar no albergue, isso lá nos meus 20 e poucos anos. Foi uma aventura super bacana acampar na praia de Trindade em um verão mezzo-ensolarado, mezzo-chuvoso. Tenho ótimas lembranças dos super shows que vi em pé ou lááááá atrás na plateia em mega espaços variados – Paul McCartney, Eric Clapton, Rick Wakeman, Paul Simon, Kiss, Jethro Tull, Queen, Iron Maiden e mais um monte de bandas durante o primeiro Rock in Rio, em um cada vez mais distante verão de 1985. Tá tudo na minha lista, devidamente riscado e marcado como ‘feito’.

A segunda coisa que a gente aprende é a nunca dizer nunca. Eu estava crente que, sendo uma inegável sobrevivente daqueles tempos, eu me julgava no pleno direito de usufruir de certos confortos da vida sem qualquer receio de um dia esbarrar num karma mal cumprido. Coisinhas simples como banheiro no quarto de hotel, refeições com real valor nutritivo, carro alugado pra ir aonde quisesse sem depender de horário e trajeto, assentos com lugar marcado em teatros confortáveis com ar condicionado. Esses pequenos luxos que nos fazem tão bem e nos dão a certeza de que ‘sim, eu agora sou grandinha!’. Potenciais programas de índio, nunca mais.
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Mas aí aparece sobrinha louca pra ir ao show da Rihanna. E ninguém pra levar, né, e é claro que ela não podia ir sozinha. Pára pra pensar, você no início da adolescência, um dos seus ídolos vem tocar na sua cidade, pouco mais de 10km da porta da sua casa, e você tem que ficar em casa com a tríade ‘F’ da depressão de domingo (Futebol-Faustão-Fantástico)? Ninguém merece. Tia é pra essas coisas, então lá fomos eu e ela, destemidas e prontas para encarar a aventura com garbo e elegância, nem ligando pra fila enorme, o atraso de mais de uma hora pra começar o show, os banheiros ficando visivelmente mais nojentos ao longo da noite, gritos histéricos de ‘aaaaaaaaa’ aos primeiros acordes de cada super mega blaster sucesso da moça. Sobrinha comprou uma faixa de cabelo com os dizeres: Rihanna, Loud Tour – Eu Fui!, e eu procurei, mas não encontrei, uma faixa que completasse: E Eu Sobrevivi a mais um mega show!!!

Depois ficou todo mundo comentando ‘nossa, você foi?’ ‘puxa, que animação’ mas quer saber? Foi tudo bom demais. Eu me diverti horrores com o tanto que a sobrinha se divertiu cantando, dançando e exibindo o cartaz cuidadosamente confeccionado na véspera. Me diverti vendo o resto da galera fazendo a maior festa enquanto eu mal mal reconhecia um trechinho cá, outro lá, de algumas músicas. Me diverti vendo adolescentes super prduzidas para ir a um ginásio de esportes, enquanto eu, pensando na pura e simples praticidade, tinha optado pelo trio básico jeans-moletom-botas impermeáveis (sabe-se lá no que a gente vai ter que pisar, né?). E, claro, me diverti também com o show, porque essas produções são sempre impecáveis e sim, a moça tem ótima voz e canta ao vivo (hello, Britney Spears!), a banda é ótima e as músicas são, em sua maioria, esquecíveis como todo pop, mas na hora são boas demais da conta. No final todo mundo saiu muito feliz, inclusive a própria Rihanna, no dia seguinte eu não estava valendo um lote atrás do cemitério mas tudo bem, e ainda passei a segunda-feira todinha com aquele leve zumbido nos ouvidos e a música Umbrella ella ella ê ê ê na minha cabeça eça eça. Mais um item riscado e marcado, e olha que esse nem tinha entrado na lista original…
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4 respostas em “No palco com Rihanna anna anna ê ê ê

  1. Mas essa é mesmo uma coisa boa demais na vida da gente, re-descobrir certos prazeres com a nossa filha ou sobrinha adolescente…a gente revive a emoção de outros tempos outra vez nos olhos delas…
    Mas eu confesso que não consigo ir a shows quando o meu respeito mais básico pela pessoa foi por rio abaixo…nesse caso específico, ela levou porrada de criar bicho do namorado (Cris Brown) e quando sarou o que ela fez? Voltou pra ele. É triste, mas essas coisas a meninada tem de saber também…
    Beijos,
    Ana

    • É isso mesmo, Ana, é uma delícia! Minha mãe me acompanhou diversas vezes a shows, peças, balés quando eu ainda não podia ir sozinha, e tenho certeza de que ela não era exatamente fã de tudo que viu. Mas estava lá, firme, se divertindo. E, cá pra nós, o show tem uma produção impecável, a voz dela é ótima e as músicas são pra gente pular e cantar junto – não tem jeito de dar errado! 🙂
      bjk

  2. É, Monica, acho que temos mais ou menos a mesma idade, e alguma vivência dessa vida nesse mundão de meu deus. Invejo sua capacidade de aguentar uma maratona assim. Penso no show do Eric Clapton que está para vir, mas olho para minha poltrona, meu livro, ah, não consigo reunir forças… acho que esse móvel controla minha mente através de uma relação “conforto / busca de carinho”, e meu livro está mancomunado com ela…
    Parabéns pela sua disposição!

    • Ah, que nada, pode tratar de animar aê, que Eric Clapton vale cada centavo gasto e cada músculo dolorido no dia seguinte! Acho que é dos poucos que me fariam voltar a encarar a muvuca de um megashow – sobretudo se ele for mais pro lado do blues que, pra mim, é o que ele faz de mais especial. Dá um pouco preguiça antes, mas no final acha ótimo ter ido. E, claro, a gente não tem que ir ‘no montoeiro’, dá pra arrumar um lugar mais tranquilo pra assistir com certo conforto. Eu não ousei ir pra pista no show da Rihanna, fiquei bonitinha na arquibancada vendo a galera se acabar de tanto dançar na pista. E foi ótimo! Eu ainda tenho (quase) o mesmo ânimo de antes, só o meu corpo é que me avisa – no dia seguinte – que as consequências são implacáveis! 😀

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