Vendo de cima

A gente ouve o pessoal comentando sobre os shows, lê a ‘crítica’ dando seus pitacos sobre o que funcionou ou não em cada performace, eu vejo a minha timeline no Twitter indo à loucura – o mesmo show sendo considerado ótimo por uns tantos e péssimo para outros – e o ponto de vista, claro, é sempre o de quem está cá embaixo, no montoeiro de gente, ou acompanhando pela TV. Mas sábado, vendo a galera pular com o Skank e cantar This Love com o Maroon 5 no Rock in Rio, fiquei tentando imaginar como deve ser a sensação de estar lá em cima, no palco, e ver aquele marzão de gente dançando e cantando sua música. Um amigo (que acompanhou o Ivan Lins no show dele no RiR de 1985) me disse que foi mesmo indescritível a emoção de ver do alto aquele povaréu na plateia e ouvir milhares de vozes entoando ‘Ah, Dinorah, Dinorah’. E olha que era o Ivan Lins, hein, que ‘nem é rock’ (#mimimi_in_Rio).

Deve ser mesmo algo surreal. Que o diga James Taylor, que na época da primeira edição do festival estava na pior, pensando em chutar o balde e abandonar a carreira, mas o impacto da gente cantando You’ve Got a Friend com ele foi tal que acabou virando a música Only a Dream in Rio e, no final da história, a aposentadoria foi adiada. Quer dizer, acho que eu posso dizer que ajudei a dar um gás na carreira do James Taylor, né? E a gente já tinha dado uma palhinha pro Queen na véspera, liberando o Freddie Mercury de soltar o gogó no Love of My Life. Se já foi inesquecível pra mim, que estava lá no meio do bololô, para a banda deve ter sido coisa do outro mundo. E como deve ser para um veterano como sir Paul McCartney a surpresa de olhar lá de cima e ver os milhares de balões coloridos e os cartazes com ‘NA’ no coro do Hey Jude?

Um dos grandes momentos deste festival, para mim (mais do que o celebradíssimo Viva La Vida e seu interminável Ôôôôôô), foi ver o público cantando Yellow com o Coldplay, da primeira até a última sílaba. Olha, a visão de quem estava no palco deve ter sido de arrepiar.
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6 respostas em “Vendo de cima

  1. A música desperta emoções, e o músico vive da troca de energia com seu público. Além do dineiro, lógico, mas é uma sinergia. Mais uma vez foste muito feliz no seu post, Monica!

    • Obrigada, Jeremy. Eu também acho essa troca de energia entre artista e público uma coisa incrível. Num evento dessa magnitude, então, deve ser ainda mais emocionante!

  2. Monica, ‘tive lá com Helena e Leo (meus dois garotões), e o dia 1º foi de arrepiar! Além do respeito de todos que tocaram no Palco Mundo pelo público (10 minutinhos de atraso na programação toda!), Frejat e Skank arrasaram, Maná foi ótimo, o Maroon, bem o Maroon foi rápido.. hehehe, mas o principal da noite foi de impressionar: o Coldplay deu um show, literalmente! Foi emocionante ver a meninada – e nós, coroas – cantando a plenos pulmões junto com o Senhor Simpatia! Pra mim, foi um dia pra ficar num cantinho bem legal do coração: meus filhos e ótima música!

    • Nossa, que legal, Maurício! Essas coisas, ainda com mais a família toda lá, cantando junta, são mesmo pra ficar num cantinho todo especial na memória e no coração! Fiquei impressionada, vendo pela TV, com o fato de ninguém se atrasar, tudo certinho, super profissional, né? Frejat eu adoro (eu o vi nos tempos do Barão Vermelho no primeiro Rock in Rio) e Skank é mesmo tudo de bom! Conheço menos o Maná – só mesmo os hits – mas com certeza deu pra divertir, e eu acho legal ouvir gente cantando em outras línguas que não o inglês. Do Maroon 5 eu gosto bastante, aqueles hits bacaninhas, sem compromisso, show bonitinho… Mas o Coldplay realmente ar-ra-sou. Gosto muito da banda e, curiosamente, tenho pouca coisa deles, apesar de conhecer muitas músicas, e acho o Chris Martin uma simpatia. Deu pra ver a empolgação da galera e do pessoal no palco. Quem foi realmente fez valer o ingresso!

  3. Eu sou meio assim, emotiva demais. intensa demais nos sentimentos. Ainda estou tentando me desligar da emoção desse show. Foi impressionante. Se quem não curtia tanto se amarrou, imagina alguém como eu, que tinha todas as músicas na ponta da língua, inclusive as novas, ainda nem lançadas oficialmente…honrada de ter feito parte desse coro, viu? Monica, se prepara aí, que no próximo vc vai comigo!

    • Êba, tou dentro! o/
      Eu sei bem como é isso, quando vi o vídeo do Queen no RiR de 1985, a multidão cantando Love of my Life, e eu pensei ‘putz, eu estava lá na fila do gargarejo!!!’ É realmente incrível E, né, Queen é aquela banda que todo mundo quer ver ao vivo pelo menos uma vez na vida, e eu ainda tive a sorte de ver duas! Essas coisas a gente não esquece mesmo. Esse show do Coldplay certamente foi assim também.

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