De 1985 pra cá

O primeiro computador lá de casa apareceu em meados dos anos 80 e foi um Apple II como esse aí da foto. Ele ainda está na família, como uma dessas relíquias que a gente guarda com carinho como peça de decoração no escritório (junto com o gravador de rolo, a máquina de escrever e a filmadora Super8), para um dia mostrar pras crianças: ‘olha, isso aí era do vovô, olha que engraçado esse monitor com letrinhas verdes e tela preta, sabe o que é isso? é um disquete de 5 1/4, você nem imagina a barulheira que aquela impressora matricial fazia!’ Parece que isso tudo foi há milênios, né, e estamos falando de +- 25 anos atrás. Hoje as criancinhas mal sabem falar, mas já sabem usar o iPhone, é tudo tão óbvio e lógico e natural, ícones, banda larga, tudo aparecendo em tempo real na sua tela, e pra elas as coisas sempre foram essa facilidade toda.
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Provavelmente ainda vai levar muito tempo até que elas entendam quem foi Steve Jobs, e para elas compreenderem que o mundo não foi sempre assim, portátil, conectado, iTudo e que se agora ele é desse jeito, devemos muito mesmo a esse moço. Porque a gente via o Jobs lá na frente, aquele tanto de gente correndo atrás, quando emparelhavam ele saía pela tangente e ia inventar outra coisa. Até que finalmente parou. E nem bem ele fez log off – e porque a vida da gente hoje é assim, conectada, interativa, tuitada e facebookada – em questão de minutos começaram a surgir mensagens, vídeos, postagens, links, gráficos interativos. E as inevitáveis piadas, o jeito universal que as pessoas têm de lidar com a morte, essa coisa mais sem-graça. Em menos de uma hora, apareceu de tudo. Disse o Twitter que foram mais de 500 mil mensagens com o nome do Steve Jobs no site em menos de uma hora. Pra quem passou os últimos 30 anos na vanguarda, não poderia mesmo ser diferente.
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* Steve Jobs já chegou aqui no Céu perguntando como funciona o Meu sistema de computação em nuvem.  (@oCriador)
* Steve Jobs já está na sua ICloud.  (@RealMORTE)
* foi o Bill Gates na biblioteca com um iPad  (@biatells)
* Morre o homem, fica o micro  (@JoaoVicente27)
* Steve Jobs encontrou um problema e precisou ser encerrado. Lamentamos o inconveniente.  (@aomirante)
* Steve Jobs não morreu, tá travado. Segura home+power por 15 segundos que ele volta.  (@bqeg)
* Caramba, agora que eu vi, na minha ficha estava Steve JONES. Agora já foi.  (@RealMORTE)
* STEVE JOBS SEMPRE DEMONSTROU ACREDITAR EM SUA CURA PARA ELE HAVIA UMA LUZ NO FIM DO ITUNES  (@Raphildis)
* RT @stevejobs: iDead  (@kibeloco)
* Eu estava precisando que alguém consertasse Meu iGod  (@oCriador)
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14 respostas em “De 1985 pra cá

  1. É, Monica, e por intermédio da manchete revejo o passado como se fosse ontem (já estudei num micrão com tela verde, já usei terminais burros, e namorei um Apple quando não tinha um centavo no bolso…). Parece que foi ontem, mas a hora tinha que chegar, e chegou. Que descanse o gênio, e que se celebre sempre o triunfo da inteligência sobre a irracionalidade, da facilidade sobre a burocracia, da beleza sobre o lugar comum…
    Gostei da grande maioria das frases, e esse humor lembra um pouco desse grande homem. Descanse em paz, Steve, até a vista!

    • Hoje eu me ‘divorciei’ da Apple, mas não por vontade própria, acho tudo deles super show – é o bolso mesmo… Realmente, o que o Jobs fez mudou tudo que a gente entende por tecnologia hoje. Ele entendia pra que lado ela estava indo, corria e ultrpassava, e aí era a tecnologia quem corria atrás dele. Genial.

  2. “Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma — which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of others’ opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.”
    -Steve Jobs

    • Pois é, Max, e quantas vezes a gente faz justamente o contrário, né… E a história de ‘connecting the dots’ é isso mesmo: no fim, tudo se encaixa e faz sentido. Quando eu vejo de onde eu comecei e onde vim parar, foi exatamente igual. A gente não pode largar a intuição de lado de jeito nenhum. E às vezes dar uma banana pros chatos de plantão também é de ótima valia…

  3. Não tenho nenhum produto da Apple, por dó de gastar muito $$$ (pra mim ainda é muito o valor que eles custam). Mas meu irmão gosta muito.
    Fiquei triste com a morte do Steve Jobs. É triste quando alguém realmente útil, morre.

    • Tou no seu time, Cassiano, mas inconformada – sou apaixoonada pelos produtos da Apple. Também fiquei triste com o ‘log off’ do Jobs. Aos 56 anos, ele ainda teria muita coisa interessante pra nos apresentar…

  4. Fez a verdadeira revolução, sem disparar um só tiro.
    Mudou a vida de toda a humanidade, inclusive de aborígenes e índios da Amazônia.
    Há o antes e o depois de Steve Jobs.
    Desconfio que era mineiro: gostava de trabalhar em silêncio.
    RIP, Steve!

    • É isso aí, Stélio, mudou mesmo. Eu entào, que ‘me apego’ com a maior facilidade a essas engenhocas maravilhosas, nem consigo me imaginar voltando no tempo. Realmente a nossa realidade é A.J.e D.J.

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