Jaime de Paletó

Flávio querido,
veja só como são as coisas… Não faz muito tempo (ou faz e eu ainda não me dei conta?) você teria feito uma cópia da gravação pra mim numa fita cassete, eu teria ouvido no meu 3 em 1 da Gradiente ou no toca-fitas do carro, rebobinaria umas trezentas vezes pra ouvir mais uma vez e aí pegaria no telefone (fixo, naturalmente) pra te dizer que adorei todas as músicas – que eu até conhecia, né, já tinha te ouvido tocar, mas amei tudo de novo. Só que estes são tempos digitais, então as duas demos em mp3 me foram gentilmente repassadas pelo Stélio por e-mail, eu baixei aqui no notebook, fiz cópia no pendrive pra ouvir por aí, e até pensei em te ligar (no celular, evidentemente) ou mandar um e-mail, mas foi aí que eu vi que o Rodrigo tinha postado alguns vídeos daquele show que vocês fizeram no Conservatório da UFMG, e entre eles estava essa delícia que é o Jaime de Paletó. E pensei que talvez mais gente que costuma passar por aqui mais amiúde também poderia apreciar o mimo. Porque Saudades dos Meus Amigos tem essa delicadeza que a gente encontra e cultiva nas boas amizades (menino, o que é a falta de tempo da gente hoje em dia, que mal sobra uma horinha espremida entre pacientes e alunos e afazeres mis para prosear e tomar um café com pão-de-queijo entre livros?), mas meu coração tem uma quedinha mesmo é pelos choros mais animadinhos, quase saltitantes, que me fazem remexer na cadeira e balançar os pés, e Jaime é bem assim. E como acho que muita gente vai gostar desse seu chorinho, resolvi compartilhar (essa palavrinha tão na moda graças às redes sociais) vídeo, choro e recadinho por aqui. Porque, como disse uma vez o Arthur, este blog é mais ou menos como amigos passando férias em Bora Bora – levinho, como Jaime de Paletó. Bjk.
***


***
Grupo Naquele Tempo – da esquerda pra direita…
Thiago Balbino – bandolim
Flávio Fontenelle – violão de 7 cordas
Marcelo Issa – violão de 7 cordas
Rodrigo Rift – cavaquinho
Luiz Lobo – percussão
(Hermínio de Almeida – oboé e corne-inglês
Marco Bigô – saxofone)

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11 respostas em “Jaime de Paletó

  1. Moniquete, xô intrometer:
    sabia que tem um choro do Flavinho devidamente classificado no Festival de Choros da Bandeirante deste ano?

    Jaime de Paletó, você esqueceu de informar, foi inspirado num fato que aconteceu na passagem de som de um dos shows que o Naquele Tempo acompanhou o Cartola aqui em BH, nos idos de 77/78. O comentário do Cartola sobre o fato do Jaime chegar todo bonitão, mas atrasado…
    É pura energia, saltitante, como você pede e gosta num choro.

    Beijoca

    • Uai, menino, tava sabendo dessa história de festival de choro não! Já é pra final? Muito chique esse moço, viu… 🙂
      Ah é, é que eu não sabia do caso todo do Jaime de paletó, por isso não me arrisquei. Mas sempre tem alguém mais bem informado (aliás, muito mais!) do que eu pra dar esses detalhes! Merci!!!
      bjk

  2. Monique,
    se depender do Flávio, mineiro e modesto, nunca saberemos destas coisas. Fiquei sabendo porque a Pipida, irmã dele, divulgou no Facebook, toda feliz.
    Não sei em que etapa se encontra o festival, mas o Flávio sempre tem chances concretas.

    O negócio do Jaime foi porque, no lufa-lufa antes do show do mestre, ninguém estava bem vestido, aliás, segundo o Flávio, todos precisavam dum bom banho. O Jaime, sempre o elegante do grupo, escafedeu-se, foi em casa, tomou banho, perfumou-se e se apresentou para a passagem de som com um paletó, num calorzinho aí duns 30 graus. Cartola ao vê-lo, não perdeu a deixa e disse algo como: “Quem é este via… (nho ) que está chegando aí”?
    O Flávio morreu de rir e disse que bateu um insight nele e não deu outra: chegou em casa e compôs esta maravilha de choro num só fôlego. O detalhe é que, segundo o autor, ele fez questão de torná-lo bem bachiano. Vindo do Flávio…

    É, precisamos conversar mais e tomar café com pão de queijo na livraria mais amiúde. Da última vez eu achei inesquecível.

    Beijim

    • Ah, adorei a história completa, não sabia dos detalhes!
      Pois é, da última vez tava bom demais, ainda temos que conseguir uma tarde com quorum completo… 🙂
      bjk

    • Eve, xô intrometer de novo:
      ao vivo e em cores a Mônica é tão ou mais sensacional que aqui neste saudável e amistoso minifúndio dela.
      Impossível não virar “amigo desde criança”, embora eu seja alguns (muitos) aninhos mais velho.
      Beijoca.

  3. Mônica querida,
    Não sei o quie te dizer… Pessoas como você, e digo comovido, fazem a vida valer a pena. Nada em nossas vidas acontece sem consequências e por acaso. Eu tinha que conhecer o Época de Ouro, índice máximo do choro, quando teimosamente, a partir de um presente do Rennó – o disco de Elizeth, Jacob e Zimbo Trio – tentava tocar alguns choros. Comecei pelo mais difícil. Destino? Seja. O primeiro choro que toquei foi o “Murmurando” de Fon-fon. Na minha timidez, fui ajudado pelo inestimável Renato Fioravante -e aí vou desfilando o meu pedrigree- e tive a cara de pau de tocar duas músicas com eles. Fui parar em Varginha, onde moravam Renato e Weber, mago das sete cordas, e por lá encontrei o Stélio. Nadcia ali amizades que me honram, acima de tudo. Nunca esperei chegar onde cheguei, e, depois de volteios importantes pela MPB, eis-me de volta ao meu antigo sonho: o “Naquele Tempo”. Não propriamente um grupo e mais sonhado como um movimento de músicos que hoje me enchem de alegria e realização. A realização de um músico só tem razão de ser com o laço que fazemos com a Música: aqueles que sabem nos ouvir. Não é um compromisso qualquer e sou muito chato, por vezes intransigente, mas exerço aquilo que suponho ser a causa de minha vida: espalhar Música. Não me considero um músico, mas, antes, um instrumento da Música. Não haveria significado sem você e Stélio, sem meus queridos amigos de copo e de cruz, como disse o Chico uma vez. Andamos de ,mãos dadas, tenha certeza. Obrigado, amiga querida, pelo carinho na alma. Vindo de você me engrandece. Minha resposta é sempre com a Música. É bom ver meu choro num espaço tão especial É também importante estar classificado para o Festival Choro Novo, tão bem formulado e executado pelo nosso Hudson Brasil, música maiúsculo, depois de trinta e cinco anos de ser composto. É um reconhecimento também engrandecedor. Não tive boas expreriências com os festivais, mas esse é diferente em muitos aspectos. Nada me entristece tanto quanto a disputa, tão bem conhecida em todas as áreas do humano, mas a Música não admite isto: ou o compromisso é com a Música ou com o sucesso. As duas coisas não andam juntas. Então espero fazer do festival uma festa de amigos compositores, e que eu possa engrandeçê-lo. Quem ganha é a Música, Mas ganhar este espaço em seu blog faz ganhar corpo e sentido a existência. E vaomos nos encontrar mais. É o que quero. Adoro você e isso cresce a cada gesto seu. Obrigado, sincero e ao som de Bach. É minha homenagem a você e ap presente que ganhei ao te conhecer.
    Beijo grande e dia 15 estaremos no 104, às 21:00h, onde espero contar com você e Stélio para comemorar o sucesso do Jaime!

    • Flavinho, vez em quando eu me pego fazendo o caminho de volta, pensando ‘como é mesmo que eu e o fulano nos conhecemos ?’ e é uma viagem muitas vezes surpreendente. Alguns amigos muito queridos eu nem consigo precisar a data, só mesmo a época, foram entrando de mansinho na minha vida e eu na deles, quando dei pela coisa já éramos amigos de infância. Adoro isso e adoro cultivar a amizade com as pessoas que fazem meus dias mais felizes.
      Aqui no blog foi bem assim também, já fiz ótimos amigos e muitos deles eu não conheço ao vivo ainda,
      Pros que ficam de mimimi dizendo que a internet afasta as pessoas, eu digo que é uma bobagem. Continuo adorando encontrar todo mundo, mas este espacinho aqui me ajuda a conhecer muita gente bacana, de cuja existência eu dificilmente saberia se não existisse o Crônicas. É o que eu falo pro pessoal: a vida é E, não OU… 🙂
      bjk e até dia 15, ao vivo!!!

    • Pena que não deu pra vocês verem a turma ao vivo quando estavam aqui em BH (foi naquele sábado em que vocês foram pra Sete Lagoas, lembra?). Ficou pra próxima…
      Mas nada como um domingo ensolarado de outono, adoro!
      bjk

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