Mas todos conhecem Eric

Foi num 11 de outubro, só que de 1990, que eu vi Eric Clapton ao vivo e a cores pela primeira (e até agora única) vez. O local não podia ser pior – se o ginásio do Mineirinho ainda tem sérios problemas de acústica até hoje, imagina como era há 21 anos. Mas pelo menos dava pra ouvir e ver bem de onde eu estava, então não me arrisquei a sair do lugar nem dez centímetros, com medo de perder o que devia ser um dos poucos metros quadrados daquela quadra em que era possível entender o que o moço estava cantando.

Clapton havia lançado o album Journeyman no ano anterior e estava a pouco mais de um ano de gravar seu Acústico, então o show teve um pouco de tudo – o que foi perfeito pra mim, que sempre gostei muitíssimo mais dele como bluesman do que como o roqueiro de Cocaine. Para você ter uma ideia, só consegui gostar mesmo de Layla depois que ele fez a versão mais lenta e cadenciada e amei ainda mais a versão que ele e o Wynton Marsallis fizeram para a música, no melhor estilo de Nova Orleans, simplesmente genial.

Andei checando comentários sobre os shows da semana passada pela imprensa escrita, falada e mal falada – todos elogiosos, mas alguns criticaram sua frieza e pouca empatia com o público. Sei não, acho que o pessoal viciou no estilo Rock in Rio de ser e agora ficam esperando cantor enrolado na bandeira do Brasil, uma introdução de Garota de Ipanema ou uma meia dúzia de palavras em português para delírio da plateia. Vamulá, né gente, essas coisas combinam tanto com Eric Clapton quanto Justin Bieber combina com ópera. Se o moço já não era muito afeito a caras e bocas no passado, agora então, um senhorinho de seus 66 anos (tá, sempre existem exceções, né Mick Jagger?) é que eu não vejo a menor chance disso acontecer. Ele vai lá, dá boa noite, toca e canta como poucos. Contentem-se com isso, senhoras e senhores, que já está de ótimo tamanho.

Ainda não vai ser desta vez que vou vê-lo de novo, infelizmente. Acho que, pra comemorar essa ‘maioridade’ do meu primeiro show, vou ficar daqui ouvindo em looping essa lindeza de música do Jimmy Cox. Nobody Knows You When You’re Down and Out – Ninguém te conhece quando você está na pior. É, pode ser, mas todo mundo conhece Eric Clapton.
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4 respostas em “Mas todos conhecem Eric

  1. Belo post como sempre, Monica. E, realmente, ele é super “na dele”. Resta agradecer quando alguém do calibre de Eric aparece por essas bandas, e se ele quisesse cantar atrás de uma cortina ainda assim seria um show “mítico”.

    • Obrigada! Tem artista que parece estar no palco por diversão, como o Paul McCartney, super simpático e animado, e tem artista que prefere ficar mais circunspecto e concentrado. O chato é que público e crítica cismam de resolver como o cara tem que se comportar no show como se isso, e não o trabalho dele, fosse da maior relevância… Por mim, Clapton pode continuar do jeitinho que está – vou ao show dele para ouvi-lo, não para interagir com gritinhos e palmas no ritmo da música…

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