Abrindo a temporada

O clima desta cidade segue a tendência fashion já encontrada em outras esferas da sociedade e dos governos e resolve aderir à total falta de planejamento e ao seja-o-que-Deus-quiser. Porque, olha só, foram meses – quase quatro, pra ser um pouco mais precisa – de secura ampla, geral e irrestrita, olhos ardendo, narizes sangrando, jardins esturricados, fogaréu nos parques e montanhas, poeira horrorosa dentro de casa (mimimi típico de mezzo-dona de casa-mezzo-faxineira, confesso) e clamores incessantes para que os deuses nos enviassem uma chuvinha benfazeja, e daí acontece o quê mesmo? O céu desaba sobre nossas cabeças assim, na maior, sem qualquer aviso prévio. Uma ventania medonha balançando o carro da gente como se fosse Godzilla invadindo Tóquio, árvores inteiras arrancadas do chão pela raiz e atiradas no meio das ruas e avenidas, semáforos apagados dando sua singela contribuição para o caos generalizado no já tradicional caos do trânsito local, motoristas dirigindo sem enxergar um palmo adiante do nariz, the horror. E eu fico pensando cá comigo se precisava desse alarde todo, desse exagero superlativo, se o início da temporada das chuvas carecia de ser assim com esse furor, como se quisesse aparecer mais que sub-celebridade na mídia. Depois tudo passa e ficam só os galhos das árvores atravancando a passagem, as calçadas e bueiros entupidos de folhas, alguns carros estragados e engarrafamentos gigantes por toda a cidade, bairros inteiros no escuro, gente encharcada andando pelas calçadas, pilhas de sombrinhas quebradas jogadas fora porque não tem guarda-chuva que dê conta de um aguaceiro dessa magnitude. E foi a primeira chuvona da temporada, meus amigos, outubro não chegou ainda nem na metade, imagina que teremos que passar pelo sufoco das festas de fim de ano, pelo caminho da praia em janeiro, o Carnaval e as águas de março fechando o verão. Já tou aqui pensando em vender meu carrinho e comprar um modelito anfíbio. Ou investir num bote salva-vidas. A coisa tá prometendo.
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4 respostas em “Abrindo a temporada

  1. É o tal negócio: rezou com Fé demais aí deu nisso! Fé deu, pau comeu. A coisa veio de-com-força demais!…
    Mais pra frente a coisa tende a maneirar… mas “são feitios” de Primeiras Chuvas. Chegam que nem mata-mosquito em convento: causando alvoroço (como diria o Veríssimo). Agora, ter um carro anfíbio pode ser uma boa também… Bjins.

    • Eu espero mesmo que ela dê uma maneirada, né, porque ‘de com força’ do jeito que veio, não tem muita serventia não… Eu até gosto de uma chuvinha, mas essa história de temporal com raios e trovões e alagamentos, sei não… sei não…
      bjk

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