Medão

Sabe barata? Aquele bicho cascudo e nojento, que quando aparece faz a mulherada (e um bocado de marmanjos também, que eu sei!) dar chilique e subir na cadeira? Pois é. Tenho medo não. Vou lá e piso e mato, sem maiores dramas. Sapo, cobra, aranha, lagartixa? Morei anos no mato, não acho graça nessas criaturinhas, mas não me incomodam. Cachorrão tipo pitbull e rottweiler? Também é tranquilo, não sou besta de sair provocando, mas não me abalo. Gente mal humorada que faz cara feia pro meu lado? Nem tchuns. Então vocês me deem licença, mas filme de terror eu declino, muito agradecida mas não assisto não. Escolha o tema – fantasma, zumbis, capeta, vampiro, alma penada – nada disso me pega. Conto nos dedos os filmes de terror que eu já vi, e a maioria eu só descobri do que se tratava quando já era tarde demais, eu já estava com o baldão de pipoca em mãos e sair no meio da projeção, só mesmo se o filme for ruim de doer. Gosto de um bom suspense à moda Hitchcock, encaro até um susto ocasional, com parcimônia. Mas meus níveis de adrenalina são daqueles que, mais normaizinhos, impossível. Ter que deixar a luz do corredor acesa ou olhar debaixo da cama na hora de dormir, desligar a TV antes de aparecerem os chuviscos (nunca se sabe que mensagens subliminares podem surgir daqueles chiados, lembra de Poltergeist?…), olha, essas coisas feitas pra meter medo não são pra mim, não. Acho que quem gosta disso é meio doido, por isso chamo o filme Atividade Paranormal de ‘Atividade Para Anormal’. Claro, a anormalzona aqui sou eu, se o pessoal não gostasse de morrer de medo, Hollywood já teria aposentado esse gênero faz tempo.

Uma vez visitei o Timberline Lodge, um hotel que fica no Oregon. No verão, cheio de turistas, mesmo com neve, é uma lindeza. Aí me contaram (aliás, a gente vai chegando no alto da montanha e bate aquele déjà vu) que ele foi usado nas tomadas externas de O Iluminado. Sabe, né, aquele hotelzão coberto de neve, onde o Jack Nicholson pirou o cabeção e saiu querendo matar a Shelley Duvall com uma peixeira deeeste tamanho. Daí eu ficava andando pelos corredores (que nem mesmo foram usados no filme!) e só conseguia ver o garotinho pedalando sua bicicleta e aquele tanto de sangue vindo atrás. E olha que esse foi um filme que eu gostei, medão à parte. Quer outra? Nunca vi O Exorcista. Nunca. Dizem os entendidos do ramo que o filme está tão datado que já dava pra exibir na Sessão da Tarde, não dá medo em ninguém. Sei lá, não me arrisco. Teve um filme de um barco que ficava perdido no Triângulo das Bermudas, um a um os tripulantes iam morrendo, até ficar o último, que dá aquele sorrisinho demoníaco para as câmeras. Nem sei o nome do filme (vai ver é ‘O Triângulo das Bermudas’, pra ser bem original), mas ainda me lembro da cara do tal sujeito. E isso foi em mil novecentos e guaraná de rolha, procês verem que comigo essas coisas não têm prazo de validade. Tem filme que eu já descarto no trailer, facilita um bocado a  minha vida.

Uma amiga (obviamente fã do gênero) me disse que é ridículo alguém correr desse jeito de um filme bobo. Claro que é, mas eu corro assim mesmo. Também deve ser uma bobagem subir na cadeira, gritar e descabelar por causa de uma reles periplaneta americana, mas acho que nessa história eu sou exceção e não regra…
***

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20 respostas em “Medão

  1. Eu também não pago para ver filme de terror não…Ir dormir a noite pensando no moço arrasado pela serra elétrica, eu hein! Mas sabe que quando era criança e até na adolescência eu adorava, de alugar VHS e juntar uma galera em casa pra todo mundo passar medo junto! Era a maior adrenalina do mundo!! Mas agora, até de montanha russa eu corro!! Acho que quando mais nova, eu era mais corajosa!! (E olha que não faz muito tempo assim viu).

    • Eu não vejo nem de graça!!!!! 😀
      É, na adolescência tem essa da gente juntar uma galera pra passar medo em grupo, acho que todo o meu repertório de filme de terror vem dessa época… E montanha-russa? Marrnééééém morta!!!! 🙂
      Tou te falando, minha necessidade de adrenalina é zero. Acho que você tá certíssima, eu perdi a ousadia pra um monte de coisas.
      bjk

  2. Oi Monica!
    Agora criei o hábito de ler e comentar os seus posts direto da terrinha Curitiboca!!
    Então, eu tenho uma teoria que só assisto filmes que me tragam algo de bom. Claro q um bom suspense é sempre bem vindo, mas como é gostoso assistir aquele filme que te faz relaxar e até repensar seus valores!
    Por isso que não entendo a necessidade que alguns meninos (marmanjos mesmo) tem de assistir filmes de terror. Será q eles não ficam sonhando com aquele sangue jorrando?? 🙂
    Meu namorado me fez assistir “Kill Bill” uma vez para ver se eu mudava de opinião. Até hoje sonho com a mulher arrancando o olho da outra… =)
    Bjão!

    • Sabe que Tarantino até me diverte? Eu o vejo mais ou menos como um daqueles desenhos animados de Tom e Jerry, aquele exagero de gente sendo esmagada, braços decepados e sangue jorrando, tão ‘over’ que eu nem me abalo. A cena do olho é realmente aflitiva, mas em compensação a luta da moça contra aquele bando de ‘ninjas’ foi divertida! 🙂
      Mas eu também sou de querer filme que me relaxe, e aí terror não tem a menor chance, né? Mesmo quando é o que a galera chama de ‘filme cabeça’, eu tenho que sair do cinema achando que valeu a pena, não que eu não vou conseguir dormir de noite…
      bjk

  3. eu poderia ter escrito esse post. Concordo com tudo.
    Filmes de terror? O Iluminado, Os Outros e alguns outros poucos nesse genero. Não consigo entender o sucesso dessas coisas sanguinolentas e sádicas, mas…

    E o hotel onde foram filmadas as cenas internas d”O Iluminado é aqui pertim de casa, nas montanhas. Quando vc vier nos visitar, te levo lá. É bem bonito…

    • Quem imaginaria que a gente pára na porta do hotel e está no Oregon, e quando entra no saguão está no Colorado??? 🙂 Esses hotéis nas montanhas são muito bonitos e elegantes, mas não tive cacife para me hospedar no Timberline. Mas pelo menos jantamos lá uma vez e, coincidência das coincidências, perdido naquele mundaréu de montanhas e picos e vales tinha um garçom filho de brasileira nos atendendo…

      Ah, Os Outros é mesmo tudo de bom, mas eu nem colocaria ele na categoria ‘terror’, assim, pra valer. Tem muito mais suspense e, claro, o que é apenas sugerido costuma assustar bem mais do que o que é óbvio. Amenábar arrasou nessa.

  4. Então, eu já gostei muito de filmes de terror. O do triangulo das Bermudas que você mencionou, então, é de primeiríssima. É que com o tempo o terror deixou de ser aquela coisa que a gente não vê, mas está lá, ameaça a nossa existência e quer mandar a alma da gente pro inferno de cabeça pra baixo. Acontece que a vida real tem sido mais apavorante.

    Nos filmes de terror de hoje é tudo 100% gráfico, no pior sentido. A “qualidade” dos filmes é medida pelo número de membros podres que rolam e pelos litros de sangue que jorram. As pessoas não tem mais medo do sobrenatural, agora o medo é físico, medo de ser cortado em rodelinhas ainda vivo. Assim nem é preciso ver o filme, é só ler o noticiário policial. Acabei abandonando o genero por falta de interesse.

    A propósito, assisti O Exorcista e quase morrir de rir quando a menina gira a cabeça 360 graus e vomita verde, fazendo cara de encapetada. Não tem jeito de levar a sério mais. O Iluminado, do Jack também fazendo cara de encapetado o tempo todo, é meio chatinho. Já Louca Obsessão, embora não seja propriamente filme de terror, me faz assistir com os pés recolhidos para cima do sofá. Nunca vou confiar no olhar inocente de Kathy Bates. Jamais.

    • É isso mesmo, tá tudo gráfico demais, perdeu a graça. Quando tudo era sugerido, dava um medão bem maior. Talvez seja isso que tenha me dado tanto medão no A Bruxa de Blair, o fato da gente não ver nada, só imaginar… Eu me lembro de ver, há séculos e séculos, aquele filme da mulher que virava pantera (minha memória pra nome de filme hoje tá danada…), e que depois virou um remake com a Nastassja Kinski. No original, a moça entrava por um túnel e ouvia os passos do salto alto da mulher-pantera vindo atrás, de repente o barulho do salto sumia, todo mundo entendeu… Deu muito mais medo do que ver uma pantera grandalhona retalhando a coitada, claro.

      Nooooossa, Louca Obsessão é de morrer. Nunca mais consegui ver a Kathy Bates sem pensar que ela vai fazer alguma sacanagem sádica. Assisti a Tomates Verdes Fritos achando que uma hora daquelas ela ia quebrar as pernas de alguém… 🙂

  5. Monica, eu tbem não sou fã do gênero, prefiro suspense ou terror japonês. E olha no gênero eles são de arrepiar no sentido literal, parece mistura de suspense de Hitchcock, com terror, desse que da medo mesmo, eu não sou de me assustar fácil, o negócio é tão terrível que depende da hora você chega a sentir a presença dos personagens do filme, sobe um arrepio que começa do pé e vai até a cabeça, todos os pelos do corpo ficam de pé, e o engraçado vc espera o susto, que ocorre pouco, ou nem acontece. E se o seu sistema é meio nervoso pra essas coisas, passa longe que o sistema pira, pois a coisa é feia mesmo. Abraço e ótimo fim de semana.

    • Oi Fernando, sumidíssimo!
      Menino, terror japonês mas é só se for de jeito nenhum, moooorro de medo. Me levaram pra ver aquele ‘O Chamado’, olha que encrenca, aí me contaram que o original japonês era muito mais assustador. Meu sistema é nervosíssimo, nunca mais!
      Já Hitchcock eu adoro, suspense da melhor qualidade. O cara sabia contar uma história e ser econômico nos elementos, nada escapava. Sabia que o terror maior está mesmo é na cabeça da gente, né, não precisa sair mostrando muito. “Disque M para Matar” é genial. Aí vem o Michael Douglas e a Gwyneth Paltrow e fazem aquele remake ridículo, vou te contar…
      Abraço procê também e ótimo finde!

    • Ah, nossa, é mesmo! Se bem que sempre que eu ouço falar em ‘orfanato’ eu me lembro da irmã Selma, aquela freira horrorosa do Terça Insana, aí o terror vai embora e vem o riso… 🙂

  6. Nunca gostei de filmes de terror, mas eventualmente assistia um… até ver o primeiro episódio da série “Jogos Mortais”. Dali em diante eu decidi que os horrores do mundo real já são mais que suficientes, não preciso procurar na ficção mais porcaria para poluir minha mente. Terror ou horror… xô, passa fora!

    • Arthur, do Jogos Mortais eu não passei do pôster!!! 🙂
      É engraçado, mas a tecnologia digital acabou tornando o terror explícito demais, os efeitos especiais por computador fazem qualquer coisa ser possível, ficou ‘over’. Galera agora tem problemas pra lidar com a sugestão, com o implícito – se não estiver lá, escancarado em sangue jorrando e cabeças rolando, não vale…

  7. Monica, um dos poucos filmes que me incomodaram foi o primeiro Alien, cognome “O oitavo passageiro”. A sensação de claustrofobia, o roteiro bem construído, os personagens bem montados, uma coisa aterrorizante, para a qual falta explicação, a sensação que, no meio daquele bando de “zés-manés” ninguém vai escapar. Quando vi a primeira vez, fiquei impressionado.
    Naqueles tempos, não havia necessidade de sangue jorrando na tela, a situação já era assustadora o suficiente. Abraços!

    • Olha, só não tive mais pavor do Alien porque vi o primeiro depois do segundo (ou terceiro?), aí o impacto foi menor um pouco. Mesmo assim, medão, claro! E é o que você disse, não precisa sangue pra deixar a gente em pânico. Como disse o Stephen King, a cabeça da gente já é dançada o suficiente, tudo que o autor ou diretor precisa fazer é sugerir, o leitor dá conta de criar cenários bem piores… 🙂
      abraço!

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