Fuga número 4

Eu acho que é impossível alguém não gostar de Bach. Tá bom, é possível, mas não deveria ser permitido, onde já se viu um absurdo desses! Porque pensa em qualquer coisa em matéria de música (‘menos funk! menos funk!’, diria preocupadíssimo herr Bach), volta lá atrás, no século 18, Bach já fez. Para alguém que tem mãos pequenas como as minhas, Bach é a salvação – Liszt e Chopin que me desculpem o mau jeito, mas onde é que esses dois senhores estavam com a cabeça quando escreveram peças absolutamente maravilhosas, mas que careciam de mãozonas gigantescas e metros de dedos para dar conta dos acordes? Bach me pede agilidade e precisão, uma precisão matemática, mas ao mesmo tempo uma interpretação que um maestro muito apropriadamente chamou de ‘espiritual’ – a música de Bach pode ser exata, mas está longe de ser mecânica.

Há algum tempo descobri no YouTube (amigos, sério, como era a nossa vida antes da internet?) uma série de vídeos super interessantes, que transformam a música em algo muito mais visual. Porque, convenhamos, pouca gente sabe ler uma partitura, e aquele monte de notas e pausas, às vezes em claves diferentes, faz pouco ou nenhum sentido. O que o vídeo faz é mostrar as notas musicais transformadas em retângulos coloridos (com cada linha melódica de uma cor), quanto mais ‘longo’ o retângulo, maior a duração da nota (bye bye semínimas, colcheias e semi-colcheias). Assim fica mais fácil enxergar, por exemplo, a polifonia e contraponto típicos das fugas – experimente, por exemplo, identificar a repetição dos temas (em forma de sequências iguais de notas, só que em tonalidades diferentes) ou seguir uma ‘voz’ (escolha qualquer cor e esqueça as demais) para ver como ela ‘passeia’ pela melodia. Ou note como nesta fuga (Fuga No.4 em Dó Sustenido Menor) as vozes vão se sobrepondo, e como elas ganham volume lá pelos dois minutos e meio, e como vão perdendo força nos momentos finais, estendendo as notas gradativamente. É lindo demais (já li gente reclamando que o andamento tá meio acelerado – e tá mesmo – mas eu gostei) e você ainda pode esquecer a partitura colorida e prestar atenção no que acontece quando dez dedos têm que fazer várias linhas melódicas diferentes, às vezes ao mesmo tempo. Depois desse primeiro módulo, você pode arriscar o avançado. É ainda mais genial.
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8 respostas em “Fuga número 4

  1. Entendi? Além de fotografar, viajar, lecionar, escrever do jeito que escreve ainda toca… Piano?
    Que que é isto, meu deus do céu!
    Estou acachapada.
    Bons dias de feriado. Ah! Poste as fotos que fizer; está bem? Adoro vê-las.
    Leda

    • Leda,
      obrigada, my dear, mas quanto ao ‘toca piano’, há controvérsias! 🙂 Na verdade, tem um bocado de tempo que eu parei de estudar pra valer, minha leitura está um horror (voltei pro nível de semi-analfabeta, acho) e meu piano atualmente só está autorizado a executar Beethoven. É que Bee era surdo e provavelmente não vai perceber que meu Fritz tá carecendo de uns sérios ajustes de afinação…
      Este feriado tem fotinho não, fiquei bem quieta na cidade – não animo a viajar com chuva – e a Isaura aqui até está no tronco hoje, lerê… lerê… 😛
      Mas tem fotos bacanas de outras pessoas, vou postando aos pouquinhos!
      bjk e ótimo feriado pra você também!

    • Já viu o tanto de vídeos que ele colocou? Cada um mais legal que o outro, e a Fuga 1 é mesmo show. Gosto muito também do 1o movimento do Eine Kleine Nachtmusik, do Wolfgang, porque a gente pode concentrar um pouco mais nas violas, que eu sempre achei que ficam assim, meio misturadas e largadas, ora invadindo os violinos, ora indo pro lado dos violoncelos, aí ninguém presta atenção nelas. Estão em marrom, bem no meio da ‘partitura’. E é uma peça fácil de seguir, só cordas, bem legal.

  2. Bach… Mônica… É facebook, blog, twitter, e-mails, além de toda a rotina do dia-a-dia.
    Não dou conta de ver tudo. Mas, como vir aqui e não ler e ouvir o que vc escreve?
    Já ouvi mais de 1000 vezes esse movimento da Eine Kleine, desde a adolescência, imagina, deixava a fita cassete tocar e voltava nele pra ouvir de novo. Fiz isso diariamente por mais de um ano. Bem, vc sabe o quanto amo Mozart.
    E agora, estou deixando o vídeo rolar enquanto escrevo. Só vou clicar em publicar, quando a música terminar…hehehe.
    Bjo

    • Nem me fale, nem me fale… A gente ser virtual e ‘de verdade’ é uma trabalheira danada! 🙂
      Mozart é aquela coisa, né, não tem como não gostar. Eu fiquei torcendo pro moço colocar os outros movimentos, mas até agora nada…
      bjk

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