O mineiro e o queijo

Eu não sou muito boa pra contar essas coisas, mas a história é mais ou menos assim: Lá vai o mineirinho andando e pitando seu famoso cigarrinho de palha, quando de repente vê um ‘trem brilhoso’ na beirinha da estrada. Apanha, esfrega e puf!, aparece o gênio da lâmpada. Que, como reza a cartilha, se dispõe a satisfazer três desejos. ‘Eu quero um queijo!’, pede o mineirinho. No que é prontamente atendido pelo gênio. Segundo pedido: ‘Outro queijo!’. O gênio acha um pouco esquisito mas, né, desejo é desejo e lá vem outro queijo. Aí o mineirinho faz o terceiro pedido: ‘Uma morena formosa pr’eu casar com ela.’ E aparece uma moça danada de bonita e o moço parece feliz. O gênio então resolve perguntar por que ele só pediu a moça no final, e o mineiro responde: ‘É que eu queria mesmo era um outro queijo, mas eu fiquei com vergonha…’

Mineira que sou, não vivo sem um bom queijo. Queijo curado, meia cura, queijo da Canastra, do Serro, o requeijão amarelo do Jequitinhonha, o biscoito e o pão de queijo, a rosca de queijo. Queijo no pão francês quentinho no café da tarde, queijo derretido na chapa no café da manhã, com doce-de-leite ou goiabada (a verdadeira razão do queijo, segundo a dona Iêda) na sobremesa do almoço.

E queijo também no cinema, por que não? O documentário O Mineiro e o Queijo, do Helvécio Ratton, é daqueles filmes que a gente senta pra assistir e em cinco minutos está encantada. Encantada com a simplicidade daquelas pessoas que vão aparecendo na tela, os pequenos produtores de queijo das fazendas das regiões da Canastra e do Serro, encantada com o carinho e o cuidado com que as pessoas simples vão explicando a arte e o ofício de produzir queijo, encantada de ver como uma prática artesanal de séculos mantém-se intacta até hoje, sobrevivendo a uma política ridícula que proíbe a comercialização do queijo feito a partir do leite cru fora das fronteiras das Minas Gerais (se você anda comprando queijo por aí crente que o que está adquirindo é o legítimo queijo daqui das montanhas, think again…). Encantada com as paisagens, o jeito tranquilo da prosa do interior, com uma ciência que passa de avô pra pai pra filho pra neto e não acaba nunca.

E a gente ainda sai do cinema doidinho por uma boa xícara de café, pão quentinho e queijo.
***

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6 respostas em “O mineiro e o queijo

  1. Eu também adorei o documentário. Informa sobre a sandice da legislação e, ao mesmo tempo, mostra de forma muito bela a autenticidade das pessoas simples do interior de Minas – que geralmente são retratadas de forma caricata em novelas e programas de humor.
    E quem ganhou o troféu simpatia foi aquela produtora de queijo que contou como conheceu o marido e comentou: “num intendo esses namoros de hoje…”

    • As pessoas são de apaixonar, né Alessandra? Cada uma mais bacana que a outra, os casos, a simplicidade, o jeito de falar do trabalho na fazenda… Eu adorei aquele produtor dizendo que, se o problema são as possíveis bactérias, é só avisar na embalagem que o queijo pode conter algumas, né? Aqui em Minas ninguém nunca morreu disso. Aliás, se tem coisa que a gente identifica num minutinho é queijo estragado…

  2. Mônica já fugindo da pauta, ñ vi o documentario e palpitar as cegas é um pouci estranho né, e vc falar de queijo me deu uma saudade, aqui se acha queijos do mundo todo, mas nenhum se assemelha ao queijo fresco q minha avó fazia, e o melhor de tudo ñ era comer o queijo, e sim a qualhada que estava sendo colocada na forma pra escorrer o soro, aiai, bons tempos de criança, as pobres de hoje em dia perdem tanto, é quase impossível isso, a ñ ser muito no interior. Mesmo onde eu morava, a minha avó agora mora na cidade, ñ tem mais vacas leiteiras, e tão pouco faz queijo, essa modernidade ajuda muito ñ posso negar, mas anda se perdendo tanta coisa, sei q é evolução dos tempos mas… Abraço e desculpe a chororo.

    • Ah, o blog também é pra chororô, preocupa não! 🙂
      Pois é, é tanto queijo diferente, né? Adoro todos, mas um queijinho canastra tem um lugarzinho cativo no coração. De vez em quando também ganho requeijão do norte de Minas, daqueles bem fortes e feitos na fazenda, é uma delícia. Atualmente é tudo bem pasteurizadinho mesmo, o pessoal nem arrisca. Ganha-se por um lado, mas por outro fica tudo com o mesmíssimo gosto, o sabor do queijo artesanal vai pro saco…
      abraço!

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