A gente é que perde o bonde

As pessoas se espantam mas, sinceramente, nem precisa tanto. Na verdade, somos só nós, legítimos descendentes do telefone de disco, da TV de válvula e do telex, que achamos isso tudo ‘a big deal’, porque a meninada acha tudo super natural. O pai desta menininha parece impressionado com o comportamento da filhota, alguns jornais e revistas publicaram o vídeo como se estivéssemos diante de algo incrível, fantástico, extraordinário, mas o caso é que as coisas são assim mesmo, a gente é que às vezes perde o bonde. Tá lembrando daquele vídeo francês com as crianças tentando adivinhar a serventia de umas tantas tecnologias ‘do nosso tempo’? Não sei dessa história de que ‘a tecnologia vai moldar e dominar o seu cérebro’, falando assim até parece um desses filmes de terror em que criancinhas inocentes se transformam em zumbis do mal, mas é que é isso mesmo, a tecnologia nos molda e nós moldamos a tecnologia. Outro dia estava numa loja de brinquedos e vi um telefone todo colorido, de plástico, como esse aí da foto, uma gracinha, mas fiquei pensando quem é que ainda daria pra uma criança um telefone desse modelo, hoje eles só devem existir mesmo em lojas de antiguidades e cacarecos. Perguntei pra vendedora se tinha saída, ela disse que sim, mas imagino que é mais ou menos como dar um tiranossauro-rex pro pequeno aniversariante, muito legalzinho e tals, mas fica nisso.

E criança, minha gente, num minutinho se adapta. E incorpora e adota, pronto. Simples assim. Não lembra daquela garotinha ensinando o grandão a usar o iPhone? Quando era bem pequeno, talvez com uns dois anos, meu priminho ficou no maior desapontamento quando posou para a câmera da vovó mas não pode ver a foto imediatamente porque, é claro, a máquina da vovó ainda usava filme. Ele saiu do sofá todo pimpão, pegou a câmera da minha mão para ver como tinha ficado, e a carinha de espanto dele ao ver que ali atrás não tinha nada foi das coisas mais divertidas que eu já vi. Anos mais tarde, a prima dele, no aniversário de um ano, pegou meu celular e ficou tentando mudar a imagem do visor com o dedinho. Meu telefone, senhoras e senhores, ainda é daqueles que fazem e recebem ligações, enviam e recebem mensagens de textos, e é basicamente isso (adoraria ter um iTudo, desses que molham a samambaia e pregam botão, mas não ao custo de alguns milhares de dinheiros, por favor). Minha sobrinha ainda nem sabia falar e andar direito, mas já pegava o controle remoto da TV do lado certo e apontava pra luzinha no painel. Eles não são a exceção, são a regra; nós é que penamos para ajustar nossos neurônios de tempos em tempos. A garotada dá de mil na gente. Mas também eles, daqui a uns 20 ou 30 anos (se tanto!), vão passar pelo mesmo aperto que nós, quando aparecerem as novas engenhocas. Porque a tecnologia pode até mudar mas, lá no fundinho, gente é basicamente tudo a mesma coisa.
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6 respostas em “A gente é que perde o bonde

  1. Mônica, verdade nós perdemos o bonde, o avião, trem bala e depois tem q correr feito doido pra alcançar, essa molecada de hoje parece q nasce num supersônico e ainda fica na janelinha dando tchauzinho, so que na nossa época foi assim, eu me lembro de programar o videocassete (to velho kkkk) com uma destreza, no alto dos 10 anos, q os adultos olhavam incrédulos, hoje em dia é uma briga com bluray da vida q nem te conto, tenho de ler o manual 10 vezes e qdo vou fazer algo, como era mesmo? Esqueci.
    Mas essas crianças vão ter seus dias de correr atras do bonde tbem, cada geração nova supera a anterior, ainda bem né, imagina se ficasse tudo igual, ia ficar bem sem graça, ótimo fim de semana, abraço.

    • Blu-ray? O que é isso? 🙂
      Menino, é isso mesmo, cada geração tem que sair correndo pra pegar o bonde. Outro dia o amigo de um irmão disse que estava tendo problemas com o iPhone, e meu irmão comentou: Pois é, você não tem um filho de dez anos pra te ensinar o que fazer, né… Eu também era fera com o vcr, fazia edições, filmagens, trilhas sonoras, era um sucesso. Hoje corro atrás do prejuízo, e olha que eu ainda me considero bem inteirada de tudo que está aparecendo por aí!
      Abraço

  2. um tempo atrás vi uma palestra de um cabra que mostrava, matematicamente, que os computadores dobram sua capacidade de memória a cada 18 meses, e diminuem seu tamanho em uma taxa também assombrosa, enquanto o cérebro humano está estacionado. É só uma questão de tempo até os Cylons atacarem, escuta o que estou dizendo…

  3. Um amigo meu saiu para passear com a netinha de três anos.
    Como iriam passar pelo túnel da Rebouças disse pra ela:
    -Vamos entrar num buraco!
    Ao entrar no túnel a netinha disse:
    – Isso não é buraco vô, é túnel!
    Quando sairam do buraco ele perguntou:
    – Você deve estar achando que o vovô é burro, né?
    – É!…

    Grande abraço,
    Paulo

    • hahaha, genial!
      Essa é uma perguntinha que eu nunca faço pras meninas, vai que elas concordam como fez a garotinha?!
      Quando meu irmão foi pela primeira vez ao dentista, ainda bem novo, o moço falou pra ele: ‘Agora nós vamos tratar dos seus dentinhos e tirar os bichinhos que ficam neles.’ Irmão olhou sério pro dentista e corrigiu: ‘Não são bichinhos; são bactérias.’
      Abraço!

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