Historinha com final feliz

A gente fica sabendo de cada caso de arrepiar os cabelos. Mas de vez em quando, não com muita frequência, mas vez ou outra, aparece alguém contando uma história com final feliz. Porque a gente sabe que, quando se trata de respeito ao consumidor, a coisa na brasilândia não anda nada boa – daí valer a pena reacender as esperanças sempre que possível.

Quando comprei meu château nas montanhas, levei um bom tempo mobiliando tudo em suaves doses homeopáticas. Tinha chegado a vez do sofá, e existem duas coisas que a gente pode ter certeza quando vai comprar um: ele vai custar os olhos da cara, e não vai passar na porta. Ou não vai dar pra ‘manobrar’ no corredor. Tentando me antecipar aos problemas, fui a uma loja de móveis tradicional da cidade adquirir um bom sofá para a minha sala de televisão. Tá, pro quarto de televisão. Escolhi modelo, cor e tecido e fiquei feliz quando a vendedora me disse que o móvel iria desmontado, então não haveria problema pra colocá-lo no lugar escolhido (é claro que um dia vou ter que tirá-lo daqui, mas isso é uma questão para o futuro). No dia da entrega eu não estaria em casa, mas minha mãe se prontificou a montar guarda esperando os moços da loja. Segue-se o diálogo que travei com minha mãe por telefone assim que cheguei:

– Ei mãe!
– Ei minha filha. Você viu que o sofá chegou?
– Vi sim. Mãe, você estava comigo na loja, lembra? Me ajudou a escolher modelo, cor, tecido, tudo, né?
– O que foi?
– Mãe, lembra que o sofá era de uma cor entre o vermelho escuro e o marrom, meio terracota, prático pra sala de TV?
– …
– Mãe. Este sofá é branco. Imaculadamente branco. No quarto de televisão, mãe…

Claro, tinha sido erro da loja, as anotações no pedido eram precisas. Conhecendo minha mãe e suas distrações como eu conhecia, uma coisa como a cor do estofado era detalhezinho à toa totalmente compreensível. No dia seguinte, liguei pra loja e expliquei tudo pra moça. Ela pediu 3.486 desculpas e disse que cuidariam de tudo. Cinco minutos depois de desligar o telefone, a filha da dona da loja me ligou, pedindo mais 8.521 desculpas. Iam buscar o sofá, claro. Combinei um horário em que não estivesse dando aula e eles chegaram pontualmente. Trazendo outro sofá, de outro modelo, mas da mesma cor. Era pra ficar no lugar do meu enquanto eles faziam o conserto, estavam trazendo um bastante parecido, que era pra não comprometer a decoração (que, naquele momento, resumia-se a um tapete no chão e uma mesinha com TV e vídeo). Isso era uma sexta-feira na hora do almoço. Logo depois me ligou a dona de novo, perguntando se tinham ido buscar o sofá e se o outro estava ok como temporário. Pediu desculpas mais 7.598 vezes, disse que a pessoa responsável pelo engano estava desconsolada, já trabalhava na loja com eles há muitos anos e aquilo nunca tinha acontecido.

Segunda-feira de manhã tocou meu celular. Era a dona me avisando que o sofá estava pronto, queria combinar um horário para a entrega. Tinham trabalhado no fim de semana pra refazer o estofado, agora estava tudo certo, ela tinha verificado tudo pessoalmente. O sofá definitivo chegou, o substituto se foi, e entre a entrega errada e a certa tinham se passado 48 horas + o final de semana. A dona ainda me ligou outras duas vezes, para saber se eu havia recebido o móvel e, no dia seguinte, para checar se a montagem tinha sido do meu agrado, se estava tudo bem feito, etc. Desligou o telefone me pedindo mais algumas centenas de desculpas.

Ninguém está livre de um erro desses, ainda mais quando se trata de uma empresa com muitos funcionários. Shit happens, nem sempre é um problema de má organização ou incompetência. Às vezes, é um engano. Não deveria acontecer, mas acontece. E quando acontece, tudo o que a gente quer é que a empresa reconheça o erro, admita a responsabilidade e aja rapidamente. No meu caso, recebi até um sofá para ficar no lugar do meu durante o fim de semana. Foi um bônus, mas o mais importante mesmo foi o respeito com que fui tratada o tempo todo. Parece tão simples, né? E é. A gente se pergunta porque casos como esse são a exceção e não a regra.
***

PêEsse- Por uma falha minha, acabei não citando o nome da loja, ia fazer isso no fim do post mas ‘se esqueci’. Thanks Max e Fernando pelo toque! A loja é a Maria Alice Decorações, e o pessoal que me atendeu foi o do shopping MinasCasa. Isso já faz uns bons anos, mas vendo que eles continuam no ramo e que as lojas cresceram de tamanho e variedade, imagino que o serviço continue bom… Pelo menos, assim espero!
***

6 respostas em “Historinha com final feliz

  1. é tão raro, e deveria ser regra…

    agora, ‘cê não acha que, ficando tão satisfeita com o selviço, não podia fazer um merchã e dar o nome da loja, não?
    Vai que alguém vai lá, compra alguma coisa e diz que escolheu a loja porque vc elogiou o trabalho deles? Eles vão continuar sendo atenciosos com todo mundo depois disso…

    • Miniiiino, e eu que postei antes de acrescentar o nome da loja? Quando fiz o post, pensei em fechar dizendo o nome e tals, aí li, reli e publlquei. Só agora estou vendo que a informação ficou de fora. Imperdoável, vou adicionar no final. Acho mesmo que coisa boa a gente tem que divulgar, né? Peraê que já vou cuidar disso.

  2. Mônica vi o comentário do Max e também apoio a idéia, já q esse caso foi excessão e ñ regra, como deveria ser vc poderia fazer uma menção a loja, casos como esse de respeito ao consumidor estão sendo a minoria mesmo, uma vergonha, o comum seria colocar a culpa em alguém, e ñ foi o caso, descobriram o engano e prontamente foram solucionar o equivoco, parabéns pra essa loja, q creio qdo vc se lembra dessa compra, além da história, só trás recordações positivas, abraço.

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