Menos doze

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Era a primeira segunda-feira de 1993. Imaginei que muita gente ainda estaria no clima de Ano Novo, mas estranhei as ruas completamente vazias, a ausência de turistas (provavelmente muitos ainda estourando champãs em Paris), o incrível silêncio próximo aos canais da Petit France, embora já passassem das onze da manhã. Nem os cisnes pareciam muito animados a quebrar a quietude e deslizavam quase imperceptíveis na água. A sensação de estar sozinha num lugar que normalmente estaria movimentado era muito boa, e saí andando pelas ruas de casinhas de estilo germânico, parando para uma foto aqui e ali. Quando olhei pro relógio já passava da uma da tarde e era mais do que hora para uma pausa num café pra esquentar. Na frente de um, super simpático com cortininhas brancas na janela, havia um termômetro. Doze graus. Abaixo de zero. Então entendi porque não tinha ninguém batendo perna à toa na rua.
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10 respostas em “Menos doze

  1. Tenho que certeza que se no ano novo no Brasil fizessem 12 graus acima de zero também não teria ninguém batendo perna à toa na rua.!! rsrs

  2. eu, nativo de Barbacena, também nem teria reparado essa temperatura mais fresquinha, não. Mas D. Patroa ia ser uma das pissouas enfurnadas dentro do quarto do hotel, com certeza…
    Cariocas são muito cheios de nhem-nhem-nhem (se me permite usar linguagem científica aqui)…

    • Turista que é turista não se deixa abalar por um eventual congelamento das extremidades, né? Nada que uma boa garrafa de vinho não resolva eventualmente! A cidade vale muito a pena, é linda.
      bjk e thanks!

  3. Eu também tenho uma ótima história de ano novo: Londres, Trafalgar Square, passagem de ano de 1991 para 1992. Eu e alguns colegas fomos apreciar a passagem de ano londrina, com grandes expectativas. Ao chegarmos à praça, ambulâncias e polícia em todos os acessos. O pessoal trazia a sua própria bebida. O relógio ali perto deu as doze badaladas (havia um relógio digital ali junto ao Almirante Nelson), brindamos com o que tinhamos (nem fogos de artifício, nem nada) e depois é ver aquela multidão a correr para o metro que fechava às 00:30hs. Uma experiência única, exdrúxula e inesquecível!
    Bjs,
    Ana

    • Hahaha, pois é, passei pelo mesmo uns dias antes de chegar em Estrasburgo! Acostumada com os fogos e farra de Copacabana, fui passar a meia-noite de 31 em Veneza (que beleza!). Praça de San Marco lotada, aquele entusiasmo todo, champagne, abraços… e meia-noite e quinze já tinha todo mundo sumido dali!!! Gente, esse povo desanima por umas bobagens, né, só porque estava fazendo uns 5 ou 6 graus abaixo de zero e a gente tinha água em volta e um vento incrível? Esse povo não sabe como se divertir num Reveilon… 😛
      bjk

      PS- tou lembrando que falei dessa passagem aqui:
      https://cronicasurbanas.wordpress.com/2009/12/30/cade-o-reveillon-que-estava-aqui/

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