BH, quase irreconhecível


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Belo Horizonte completa 114 anos amanhã. Como toda senhora de certa idade, a capital está repleta de ziguiziras e problemas crônicos: trânsito caótico, verticalização das construções, deficiências sérias na saúde, educação, transporte, lazer e tudo o mais, uma classe política do mesmo ‘nível’ do resto do país – o que não é elogio nenhum. Mas está soprando velinhas e tals, então a gente faz exatamente o que faz com os aniversariantes numa ocasião dessas: enfeita, dá um upgrade no visual e escolhe os melhores ângulos na hora de bater a foto. Assistindo ao vídeo, fica até difícil reconhecer alguns desses lugares. Mas talvez seja assim que as pessoas de fora a vejam, bem mais bonita e agradável do que para quem tem que encará-la no dia-a-dia. Mesmo com todos os seus ‘poréns’, esta ainda é uma cidade bacana para viver. Tudo bem que éramos para ser coisa de duzentos e poucos mil por aqui, e já somos 2 milhões e meio, e tá ficando cada vez mais difícil chegar pro lado pra caber mais um, mas é só olhar pra beleza da Serra do Curral (não tentem fazer isso pelo lado de Nova Lima, ali tem mais serra não) ou sentar num botequim com os amigos pra tomar uma, que a gente se esquece dos problemas rapidinho e simplesmente curte a cidade e acha tudo bom demais da conta.
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10 respostas em “BH, quase irreconhecível

  1. Ah, como eu amo e odeio esta cidade!
    Sempre feliz quando a deixo, sempre reconfortado quando a ela retorno.
    Você me entende, Monca?
    Beijão procê, de quem gosdimaisdaconta, falando no belorizontês mais que castiço…

    • Acho que essa relação de amor e antipatia deve existir (pelo menos eventualmete) com todo mundo sobre a sua cidade, né? Porque o dia-a-dia não é mole, e a gente tem por hábito lembrar só das chateações, mas a verdade é que todo lugar tem seus céus e infernos… Ainda acho BH uma boa cidade pra se morar e, claro, fica muito mais fácil aguentar o tranco quando as pessoas queridas, família e amigos, estão no mesmo barco…
      bjk

    • Não é ótimo isso, Pedro? A gente tem a cidade da gente e aquela (ou aquelas!) que adotamos como nossa(s) também. Assim dá pra tomar um legítimo porto acompanhado de uma porção de pão-de-queijo com linguiça… 🙂
      bjk

  2. Mônica,

    Na faculdade um colega meu disse uma frase inesquecível, da qual eu não me esqueci até hoje e com a qual concordo em gênero e inúmeros degraus:
    “Não existe cidade igual a Paris, porque não existe cidade igual a outra!”

    Não existe cidade igual a Belo Horizonte!…

    Grande abraço,
    Paulo

  3. Gosto muito de beagá, morei aí no milênio passado (96 a 99). Vi a cidade toda produzida e linda para os 100 anos. Tenho muitas lembranças boas de pessoas, lugares, fatos, etc. Morava e trabalhava em torno da Savassi, e andava muito por suas ruas, não lembro bem das tribos mas entre Pernambuco e Bahia andava todo dia. Duas lembranças que tenho das andanças por lá, uma boa e outra ruim. A boa é dos ipês roxos ou rosas todos floridos deixando as ruas lindas. A ruim é que toda semana via, nessas ruas transversais, casarões belíssimos indo abaixo. Imagino que hoje deve haver muito mais prédios (e carros, e gente, e movimento, e tudo o mais que, inevitavelmente, vai aparecendo) do que naquele tempo. Espero que os ipês tenham resistido.
    E, claro que muita coisa boa e bonita também deve ter aparecido desde aquela época, que eu não conheço. A última vez que estive aí foi há dois ou três anos, mas só de passagem.
    beijo

    • Wagner, os casarões, infelizmente, estão cada dia mais raros. Às vezes passo em bairros antigos, como Santa Tereza, e me pergunto até quando aquelas casas, que nem são mansões nem nada, mas são super bonitinhas e aconchegantes, vão resistir. Meu palpite é que não vai demorar nadinha… Algumas regiões, como a Cidade Jardim, ainda resistem mas de vez em quando aparece um sem-noção tentando desafiar. O último foi o dono de uma construtora que conseguiu permissão (mas tá tudo suspenso) pra fazer um hotel de 15 andares próximo ao Mineirão. Não pediu licença ao IEPHA e agora tá reclamando que perdeu dinheiro. Rá. Como diria a minha mãe: ‘Acho-te uma graça, Pafúncio!’

      Mas a cidade ainda tem coisas muito boas, gente muito boa e sim, os ipês de todas as cores continuam firmes, assim como as quaresmeiras e os flamboyants, que andaram perdendo um pouco do status (eles detonam as calçadas). O clima já mudou muito mas ainda é agradável a maior parte do ano e, como toda cidade, a gente vai encontrando os nossos cantinhos favoritos e deixando de lado os lugares que não nos agradam.

      Quando aparecer por estas bandas de novo, faça sinal de fumaça!
      bjk

  4. É Mônica, quando sentimos saudades preferimos mesmo só lembrar das coisas boas e belas. Elas existem apesar da correria que cega e do estresse que foca o lado ruim sempre. Hoje, de longe, BH me emociona. Cores, cheiros e sabores, palavras que abraçam, olhares que reconhecem. Sinto falta da gente da minha terra. Abraço.

    • E que bom que as lembranças que a gente guarda são as melhores, né? Nossa memória é sabiamente seletiva… Mas a terra continua aqui, falta você aparecer mais amiúde (e dar notícias quando fizer isso!) 🙂
      bjk

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