Cabocla faxineira

Ela aparece sempre nessa época do ano, na semana entre o Natal e o Ano Novo. Chega um belo dia assim, do nada, meio de surpresa, embora eu saiba que ela nunca iria me deixar na mão – nem precisa tocar interfone, campainha nem nada, de repente eu acordo e ela já está na minha casa, pronta para a ação. Ela, a Cabocla Faxineira.

Desta vez eu já saio da cama com um plano estratégico na cabeça, que é pra não me dispersar, primeiro os armários dos banheiros – frascos de perfume só com um restinho, cremes fora do prazo de validade, pincéis de maquiagem que sobreviveram depois que a maquiagem se foi, bijuterias que seguramente  não vou usar mais. De lá é a vez da cozinha, aqueles pacotinhos de adoçante que comprei para um jantar, mas eu não uso adoçante e é claro que a data de validade já passou há séculos, potes vazios, vidros, tampas, aquele montão de prendedores coloridos de pacote de pão-de-forma (é legal guardar uns para um momento de emergência, mas 7942?), panos de prato que, francamente, já deram o que tinha que dar. Reorganizar o armário de produtos de limpeza e constatar que não vou precisar comprar paninhos de flanela pelos próximos vinte anos.

Depois começa a fase mais pesada, papéis, papéis, papéis, papéis pra arquivar, papéis pra jogar fora, papéis que a gente pode aproveitar o outro lado como rascunho (gaveta neles), contas deste ano, do ano passado, arquivo morto, tudo guardado em seus devidos plásticos com etiqueta, do contrário eu fico perdidinha quando precisar encontrar rapidamente alguma coisa. Armário de rouparia, toalhas que já estão feias e desbotadas e que a gente guarda nem sabe direito pra quê, fronhas que o passar dos anos não permite que fiquem sem uma e outra manchinha, edredons e mantas pra lavar (porque já chega de frio, né?). Sapatos e roupas para doar, pra levar pra consertar ou apertar ou, infelizmente, alargar, algumas peças que não têm salvação, é ir pro lixo mesmo. Aquele canto do armário que guarda de tudo um pouco, papéis de presente, fitas, sacolinhas, cabos de equipamentos eletrônicos que eu nem tenho mais, extensões, adaptadores, carregador de celular antigo.

É impressionante a tralha que a gente (ou, pelo menos, eu!) consegue acumular de um ano pro outro, mesmo fazendo algumas incursões esporádicas nesse período, mesmo não sofrendo de surtos consumistas incontroláveis. No fim do dia tudo está em seu lugar e eu tenho sacos de coisas para doar, consertar ou dar um fim. E, mais uma vez, descubro que minha casa até tem espaço sobrando, espaço nos armários, nas gavetas, nas prateleiras. Espaço pra juntar mais um bocado de tralha pra faxina do ano que vem, claro.
***

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6 respostas em “Cabocla faxineira

  1. Apoiada Monica!
    Tb preciso de disciplina para deixar a Cabocla Faxineira trabalhar! Incrível como a gte guarda coisas ao longo do ano. Mesmo não sendo consumista.
    O meu problema são os papéis. Vc deve saber bem como eles ocupam espaço e precisam de etiquetas específicas!
    Mas vc me inspirou! Vou deixá-la trabalhar!!

    • Mariana, e olha que um bocado dos meus papéis ficam no escritório! Mas aqui em casa também tem demais, e nesse ponto eu costumo ser super organizada, tudo em pastas com etiqueta, plásticos separando tudo, porque na hora que a gente precisa de alguma coisa, é sempre pra ontem, né? Aí não dá tempo de sair procurando um por um. Hoje ainda tem um bocado de serviço pra terminar, mas é legal começar o ano com tudo arrumadinho. Ao longo dele só dá mesmo pra tentar dar uma manutenção, e olhe lá! Boa sorte na suas arrumações!

  2. mais uma prova do quão pouco religioso eu sou: esse espírito da cabocla faxineira nào baixa aqui nem com reza brava…
    De vez em quando eu sou obrigado a arrumar as coisas, mas é com choro e ranger de dentes. Eu já te falei que, se eu pudesse escolher QUALQUER COISA do universo do Harry Potter, eu queria ter um elfo doméstico?
    Pois é.

    • Bom, comigo é diferente. Não sou uma control freak, mas me daria uma aflição danada ver outra pessoa arrumando minhas coisas. Varrer, arrumar cozinha, passar roupa, tudo bem; mas essa faxina de final de ano tem jeito não, eu mesma é que tenho que fazer. Mas olha, até que um elfo doméstico não seria má ideia de jeito nenhum…

  3. Mônica, concordo com tudo o que você disse.
    A Cabocla Faxineira passou rapidamente por aqui na semana passada, e conseguimos nos livrar de muita coisa. Só que ela precisa urgentemente fazer mais um rasante aqui no planalto central… e por motivos óbvios. Ainda tem muita tralha acumulada.
    Caso ela dê as caras por aí, já sabe para onde mandá-la, OK?
    Beijão, e um excelente e organizado 2012.

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