Vou pra Diamantina

Se tem uma coisa que eu tenho dó é dos repórteres nessas épocas de feriados e comemorações. Porque entra ano e sai ano e os pobres coitados repetem a mesma ladainha, entrevista com o chefe da Polícia Rodoviária Federal sobre como viajar com segurança, como evitar a ressaca, imagens ‘exclusivas’ dos foliões pulando e berrando freneticamente enquanto dão adeusinho para as câmeras, tentativas de conversar pelo menos um minutinho com alguma celebridade (sub-celebridades ninguém precisa procurar, elas aparecem do nada na frente do microfone), a tradicional reportagem sobre o fim da farra na quarta-feira, yadda yadda yadda.

E também o movimento nas rodoviárias. Aí me lembrei de uma repórter de um telejornal local valentemente tentando encontrar alguma informação remotamente interessante na rodoviária de Belo Horizonte para colocar no ar. Como nada muito relevante parecia estar acontecendo por ali, lá vai a moça entrevistar os foliões, né, fazer o quê. E pergunta pro primeiro: Vai pra onde nesse Carnaval? Vou pra Diamantina. E então pro casalzinho logo atrás: E vocês, pra onde vão no feriado? Pra Diamantina. Dois ou três viajantes indo pra Diamantina depois, a câmera dá aquele zoom out básico e a gente percebe (mas aparentemente a repórter não) que aquilo ali é uma fila. Pra comprar passagem. Pra Diamantina.

A matéria deve ter ido ao ar por absoluta falta de opção… ou pra sacanear com a jornalista.
***

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7 respostas em “Vou pra Diamantina

  1. Perguntada sobre a reportagem a reporter talvez respondesse:
    – Fí-la porque quí-la!

    Trocadilho no carnaval (ou seria sempre?) é dose! Momesco (ou seria Mômico?) abraço,
    Paulo

  2. é mais ou menos como entrevistar jogador de futebol depois do jogo…

    mas o falecido Sócrates tinha umas boas:

    – doutor, qual o objetivo do time?
    – vencer.

    – doutor, como vc analisa o jogo?
    – perdemos.

    (Mônica, como eu sei que vc passa longe do futebol… este Sócrates foi jogador por aqui, batia um bolão e morreu faz pouco…)

    • Ufa! Ainda bem que você explicou, eu já estava aqui pensando com meus botões ‘minha nossa, os gregos jogavam futebol?!’ 😛

      Teve um jogador (claro que não me lembro o nome, meu pai é que contava a história há anos) que, quando pediram pra fazer uma análise do jogo, saiu com essa: “Muita gente, muito frio, muito gol… e muito obrigado!”

    • Hahaha, mas como tem gente sem-noção nesse mundo de modêus, não? 😀
      O Ismar foi meu aluno na Cultura há muitos anos (e bota muitos nisso), mas estava sempre agarrado no fechamento de jornal na Globo e acabou desistindo, uma pena.

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