Quem te viu, quem te vê, Ian…


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Eu não tinha nem dez anos quando meu pai chegou dos Estados Unidos com uma fita cassete e um livrinho com toda a letra datilografada do Jesus Christ Superstar (ah, aqueles idos tempos jurássicos, quando as pessoas gravavam do vinil para o K7 e datilografavam tudo numa máquina de escrever manual…). Foi ali, mais precisamente no berro aos 2 minutos e 26 segundos (com direito a repeteco aos 3 minutos) em Gethsemane, que eu me apaixonei pela voz do Ian Gillan. Deep Purple nunca fez muito a minha cabeça, mas um bom berreiro, com classe e categoria, sempre figurou no topo da minha lista de preferências musicais. E eu guardei aquela imagem na minha cabeça, né, as longas madeixas meio desgrenhadas, as roupas desleixadas, aquele jeitão de ‘desculpaê, mas é que não deu tempo de tomar banho antes do show’, enfim, o pacote da rebeldia era completo, voz, guitarra e visual. Vai daí que a última coisa que eu poderia esperar nessa vida era tropeçar num vídeo de mr. Gillan cantando num episódio pré-roquenrôu, numa banda com a maior pinta de bubblegum rock chamada Episode Six (eles tinham músicas mais pesadinhas, mas nada que desse um vislumbre do que se tornaria o moço pouco depois). No caso, com direito a florzinhas, balões, pinturas nas bochechas, uma piscadinha de olho e muito ‘pa pa pa pa’. Gillan pelo menos pode argumentar que não estava nessa sozinho: o baixista da banda, Roger Glover, não demorou nada e também foi parar no Purple. Pra gente ver que todo ‘day after’ já teve um ‘day before’…
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2 respostas em “Quem te viu, quem te vê, Ian…

  1. Wow. De novo: Wow; Andrew Lloyd Weber. Jesus Cristo Superstar. Deep Purple. De novo: Wow! (Falando no Andrew Lloyd, conhece o Requiem dele? É imperdível, mas muito difícil de achar inteiro).

    • Conheço o Requiem sim, Marcus, é muito bonito. Assisti uma vez ao vivo e foi emocionante, e é mesmo meio difícil conseguir ele inteiro. A gente costuma achar só o Pie Jesu, que acabou ficando mais famoso que o restante da peça (talvez por ser cantado por criança, e criança é sempre ‘fofinha’, haha).
      JCS sempre foi dos meus musicais favoritos (da época em que a gente chamava mesmo era de ópera-rock) e, acredite, ainda sei ela todinha de cor. Ela e Hair. Sério, não me pergunte como ainda tenho tudo na cabeça, provavelmente seja porque aprendi quando criança, e o que a gente aprende ali costuma ficar bem gravado na memória…

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