Nicho de mercado

Eu assisto muito pouco televisão, menos ainda TV aberta, quase nunca TV Record e nadinha de programas do tipo Domingo Espetacular. Modosque demorei pra entender o que é que tava pegando entre o chefe da igreja Universal e o da igreja Mundial, trocando farpas e acusações e um querendo provar como o outro é corrupto e digno de uma investigação cuidadosa das autoridades competentes. Até aí tudo bem, a gente vê esse script ser repetido a toda hora em outras esferas da vida pública nacional, só troca o palanque e a plateia, então o bafão não me entusiasmou muito. Mas depois parei pra pensar que ali estava um nicho de mercado, uma brecha interessante a ser preenchida, um novo (ou novos!) espaço de infinitas possibilidades descortinando-se bem diante de nossos olhos e ninguém prestando a menor atenção. Igrejas mundiais, universais, estratosféricas e intergaláticas podem ser bacanas e tal, mas esbarram em certos limites impostos pela própria natureza do nome. Daí que estou boba que ninguém pensou ainda na criação de uma igreja Quântica para funcionar neste e em outros universos paralelos, espalhando louvores e recolhendo dízimo em todos eles, evidentemente. E antes que alguma ovelha desgarrada desse rebanho da pós-modernidade cogite doar seus tostões à maneira quântica (ora onda, ora partícula, como lembrou a Daisy, podendo ou não estar na caixinha, completou o Max), o dindin naturalmente entraria nos cofres da maneira tradicional – cash, dólar, euro, cheque ou cheque pré-, boleto bancário, débito em conta, desconto em folha, todos os cartões de crédito, vale-transporte, vale-refeição, mas não aceitamos balinhas do troco da padaria. O ‘quântico’ daria uma aura de tecnologia, modernidade e ciência pra coisa toda, quem sabe até angariaria alguns adeptos nessa seara em geral resistente a tudo que envolva criação em seis dias, descanso no sétimo e necas de big bang. Eu não tenho exatamente um perfil empreendedor, e menos ainda pra essas coisas, sou daquelas dazantiga que curtem construções góticas medievais, meditação e música de Bach no órgão da igreja, mas pra galera que é chegada num louvor mais aeróbico, com bater de palmas, mãos pro alto e todo o resto, e tá na vibe de ‘Jesus está voltando com mil novidades e grandes promoções’, fica a dica. Edir e Valdemiro vão se morder de inveja.
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8 respostas em “Nicho de mercado

  1. “ti contá” hein…. eu também não estava sabendo disso… fiquei sabendo pelo twitter!!! pouca vergonha ou como nós chamamos por aqui… “pouca bosta”!

    eu tô louca pra ver o filme sobre kevin… mas eu não quero ver antes de acabar o livro, por isso estou na espera! mas com certeza, deve ser muito bom!

    bjos e boa semana Mônica!

    • Pois é, ‘farinha do mesmo saco’, como diria minha sábaia avó…
      ‘Precisamos falar sobre Kevin’, o livro, causa mais impacto (é quase terror, né?), mas a transposição para a tela ficou muito boa -Tilda Swinton e os dois meninos que fazm o Kevin são excelentes. Termine de ler sim, assim você assiste com uma ideia mais completa da história toda. Eu gostei muito.
      Ótima semana pra você também! bjk

  2. Perfeito. Templos, igrejas, terreiros…cantoria, gritaria, aplausos, beijos, abraços e um festival de abobrinhas sem recheio. Muito antes de pensar se Deus existe e riscou o fósforo ou se Jesus morreu na Índia, aprendi que conversar com a própria consciência é a única oração necessária. Santo Silêncio rogai por nós! Beijo.

    • Se eu já não era muito chegada em missas (apesar de achar esses rituais religiiosos bonitos), imagina então depois que ela ficou aeróbica e interativa! Sem contar que eu acho as músicas, em geral, pavorosas (e sim, eu presto muita atenção nessa parte). Outro dia fui a um concerto de Vivaldi na igreja São José e pensei – arrá, isso sim, foi feito para se ouvir num lugar desses. Sou daquelas que preferem entrar na igreja quando está tudo quietinho e calmo, pra eu poder ‘olhar pra dentro’ em paz… bjk!

  3. Bah Monica… vou te dizer que o livro é “chocante”. Cada criança que vejo pela rua, eu já fico me lembrando de um melão, pois é assim que ela descreve a gravidez. E várias outras coisas aterrorizantes que ela fala, te deixam sem saber o que pensar. Tá sendo difiícil digerir o livro…. mas estou perto do fim!

    Bjs

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