Recordo ainda

Um primo me enviou a foto há um tempo, e eu ficava olhando e olhando e olhando, mas nada que eu escrevesse parecia fazer justiça à beleza singela dessa imagem, foto tirada por meu tio em priscas eras. Mas Quintana – sempre ele, mestre da delicadeza – veio em meu socorro.
***

foto: Marcelo Gomes (copyright)
***

Recordo ainda… e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
… Algum brinquedo novo à minha porta…

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança…

Estrada afora após segui… Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino… acreditai!…
Que envelheceu, um dia, de repente!…

(Mário Quintana – Recordo Ainda)
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18 respostas em “Recordo ainda

  1. Sendo foto do Marcelo, Monquinha, é foto muuuuuuiiiiitooo velha mesma.
    Brincadeiras à parte, Dr. Walter caprichou e o modelo, talvez por não ter notado, ficou leve e bonitinho como um poema de Quintana.
    Não há como dissociar uma coisa doutra.
    Beijoquinha

  2. a foto é muito boa mesmo. algumas coisas me chamam atenção: pelo velocípede (ainda existe essa palavra?) a foto é muito antiga e colorida, o que é raro para a época. mesmo assim o colorido é muito suave e bonito. outra coisa rara nas fotos de criança é o ângulo, a maioria das pessoas fotografa criança de cima (o que é natural se a pessoa estiver em pé) e essa está no nível do garoto, o que traz uma intimidade muito maior. sem falar na imagem em si que é muito significativa.
    mas vou discordar do poema, adoro quintana mas esse tipo de nostalgia não me seduz. eu, pelo menos, não quero meus brinquedos de criança não, tem tantas coisas que eu posso inventar hoje pra brincar que meu velocípede, meu canudo de bolinha de sabão, minhas bolas de gude podem ficar sossegadas, não me fazem falta não.

    • Pelo que meu primo disse, Wagner, a foto é de 1956, por aí. Todo mundo da minha família adora fotografia, infelizmente essa não estava com data… Gosto da expressão concentrada, como quem cuida de um carrão importado – a proporção devia ser a mesma!
      Também não sou muito chegada nas nostalgias, gosto de cada coisa a seu tempo e acho que o melhor tempo é agora. Mas resistir ao Quintana, quem há de? 😉
      bjk

      • Falando em passado me lembrei de um verso do Sergio Godinho (grande compositor português, pra quem não sabe), que, sabiamente, diz o seguinte:
        ‘o passado é a verdade contada por outro de nós’.
        bj e bom fim de semana santa (um viva aos católicos e seus feriados!!!)

    • Concordo, Ana Paula. Os poetas sabem como ninguém a melhor maneira de dizer as coisas. Depois a gente fica pensando que era aquilo mesmo que a gente queria ter dito… 🙂

  3. Wagner, nessas horas a galera costuma deixar aquele papo de ‘Estado laico’ meio de lado, pra poder aproveitar melhor o feriadinho! A começar pelo Magistrado, que achou por bem sair retirando os crucifixos das salas dos tribunais, mas já ‘está de altas’ desde hoje… 🙂

  4. Monica, sua análise:
    “Gosto da expressão concentrada, como quem cuida de um carrão importado – a proporção devia ser a mesma!”

    E é… Precisa dizer mais? Perfeito!!!
    Bom feriado, Boa Páscoa!

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