O que te irrita no cinema?

Eu adoro cinema. Eu adoro IR ao cinema, aquele ritual de escolher o filme e a companhia, ver onde está passando e a que horas (pra, quem sabe, programar uma eventual esticadinha depois), o escuro da sala de projeção, som e imagem na telona pra você mergulhar naquele universo incrível pelas próximas duas horas, por aí. Até dispenso a pipoca, de medo de uma daquelas casquinhas entrar entre os dentes e me tirar totalmente a concentração. Depois conversar sobre o filme num bar, ir pra casa pensando no que viu, as ideias revirando na cabeça.

OK. Corta. Hoje em dia ir ao cinema está muito mais próximo de um filme de terror do que de um romance com a Doris Day. Essa história de ter home-tudo em casa e poder alugar DVD 24 horas por dia, 7 dias na semana, está criando uma geração de seres sem-noção, para quem cinema ou tela da TV dá no mesmo. Eu gostaria de saber de onde foi que essa gente tirou a ideia de que, uma vez pago o ingresso, pode liberar geral e se comportar como se estivesse em casa.

Ontem, por exemplo, sala até vazia, Freud (Viggo Mortensen) e Jung (Michael Fassbender) discutindo os rumos da psicanálise e da loucura nossa de cada dia em Um Método Perigoso, e olha lá um grupinho no fundão conversando sem parar. Devem ter entendido errado aquela história da ‘fase oral’ do Freud porque, meu Deus, como falavam. Não tinha nenhum super-herói do ‘sshhhh’ por ali disponível pra mandar o pessoal calar a boca, eu não faço muito o gênero, modosque a solução foi munir-me de uma dose extra de concentração para deletar em parte a presença incômoda daquelas criaturas. Que devem ter saído do cinema sem entender lhufas. O que faz algumas pessoas saírem de casa e gastar tostões pra conversar no escuro, pra mim ainda é um mistério.

Mas fica a pergunta: o que te irrita no cinema? gente conversando/comentando/explicando o filme pra quem está do lado? aquele holofote que emana da tela do celular quando alguém acha que TEM que responder a uma mensagem NAQUELE momento? cerumano que atende telefone durante a sessão como se estivesse em casa? papel de bala sendo aberto b-e-m  d-e-v-a-g–a-r-i-n-h-o  pra não incomodar os outros (mas é claro que seria muito menos incômodo abrir de uma vez e estamos conversados)? gente que levanta no meio da sessão pra ir ao banheiro ou para comprar alguma coisa? prováveis alienígenas com dois metros de pernas, que ficam cutucando a sua poltrona o filme todo? gente que não sabe fazer de cor o caminho entre a mão e a boca no escuro e emporcalha a sala de pipoca?

Como se já não bastasse o preço exorbitante do ingresso, a dificuldade de estacionamento, o fato de 300 salas exibirem o mesmo filme tosco, enquanto um filme bacana tem uma sessão às 15h num cinema fora de mão, a profusão de cópias dubladas, ainda tem o sem-noção do lado de dentro pra acabar de vez com a minha graça. Nhé.
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35 respostas em “O que te irrita no cinema?

    • E se a gente parar pra pensar mais um cadinho, vai achar um tanto de coisas! 🙂 Algumas irritam mais do que outras, o problema maior atualmente é que esses comportamentos estão deixando de ser exceção e virando regra…

  1. Ah, disse tudo o que eu penso e mais um pouco! Vejo filmes em casa, é claro, mas não abro mão da telona de jeito nenhum! E essas coisas irritam mesmo. Não tinham pensado em colocar bloqueadores de celular nas salas? Mas quanto aos saquinhos de bala é mais difícil, né? E nas salas de concerto? Uma vez, assistindo ao Messias, tinha um cantando o Aleluia junto e errado! Ó: sugiro a você, que escreve bem demais, publicar umas regrihas básicas para as salas escuras, cinema, concertos, etc… Publica que eu endosso e espalho!

  2. Tosse. Tosse de cachorro no cinema. Funga-funga de gripe. Bicho, tá doente? Vai ao médico, não ao cinema. E a reforma agrária do bracinho da poltrona com o vizinho desconhecido? A certeza de que eu vou ter que esfregar meu braço num braço alheio durante toda a sessão, naquela guerrinha de nervos por um espaço de menos de 2cm… aaaahhh, o cinema.

    • Nossa, super bem lembrado, Tia Carol! Tosse é de lascar. E se for em teatro e concerto então, tá danado! Os braços das cadeiras hoje são um tiquinho mais largos, e eu não sou de ficar apoiando neles tanto, mas realmente irrita a cabo-de-guerra. Tá vendo, a lista só cresce…

  3. éééé Mônica, aqui temos semelhantes problemas …ou pensa que é só aí?!?! Daqui a pouco vao criar uma nova disciplina nas escolas “se comportar em espacos públicos”. Esse é o atestado de que educacao vem de casa também….mas o que está ocorrendo heim? Pais nao chamam atencao dos filhos? Eles têm medo dos filhos?!? ou será que é o senso de respeito ao outro acabou? aliás, quebrou o marcador?!!?

    • Infelizmente (ou felizmente?) essa falta de noção parece ser mundial. Arrisco até a dizer que é universal. Ou seria quântica? Vai ver em outros universos esses seres também proliferam. Tá danado…

  4. Aqui em sampa a coisa começa um pouco (ou muito) antes da sessão. Os cinemas de rua estão desaparecendo, se você quer ir ao cinema você tem que ir a um xópin, o que, pra mim, já é um programa de índio. Mas, ok, você está num bom astral e vai ao xópin. Se você mora perto, ótimo, senão, vai pegar o carango, entrar num engarrafamento, entrar no xópin e rodar uns bons minutos atrás de uma vaga, disputando com outros tantos iguais a você (depois vai pagar uma exorbitância, claro). Aí tem a fila pra comprar ingresso, e hoje a fila é única para 55 filmes, cada um em sala e horários diferentes, se você está em cima da hora (você se atrasou porque nunca imaginou que ia pegar um engarrafamento domingo a noite), problema seu. Já estive em um cinema em que a lista de filmes/salas/horários era uma tela no alto da parede em que passava todos os comerciais dos restaurantes e outras lojas do pedaço e, de vez em quando (você precisava ser rápido, pra não ter que ver tudo de novo), aparecia o título do filme. Depois do ingresso tem a fila pra entrar no cinema, claro, e depois a disputa pra arranjar um lugar razoável, já que as salas são mínimas.
    Claro que as vezes tem um filme não comercial (tipo dinamarquês com legendas em romeno) num cinema afastado. Aí você vai achando que vai ser tranquilo, e encontra umas 5000 pessoas que também acharam a mesma coisa.
    Enfim, tô fora.
    Os problemas que você falou eu não vivo há muito tempo, porque não tenho mais saco pra sair de casa pra ir ao cinema. Infelizmente porque adoro cinema, mas hoje fico só com os filmes e minha TV.
    Alguém pode dizer que eu tô ficando velho, e está coberto de razão.

    • Wagner, o que você descreveu aí é bem a cara de Belo Horizonte também… 😦
      Hoje alguns cinemas já trabalham com lugares marcados, o que ajuda a diminuir o estresse da fila longa, mas cria o problema do ‘esse lugar é meu’, ‘onde é que eu estou sentado?’ e coisinhas afins. É tudo cinema de xópin mesmo, pouquíssimas salas alternativas – por aqui estão todas fechando, uma tristeza. E comprar ingresso é um inferno nos finais de semana, de vez em quando eu tento ir à noite numa quarta-feira, por exemplo, que costuma ser um pouquinho mais tranquilo. Mas tá ficando cada dia mais dramática a coisa!

  5. Ei,agora que vi uma coisa… o filme é do David Cronembleargh (Como ele é conhecido no Canadá)… vou procurar ver… Abração.

    • hahaha, sacanagem! O filme é bem legal, Marcus, baseado em uma peça, e os atores estão muito bem. Eu tenho um pouquinho de preguiça da Keira Knightley (ainda mais fazendo papel de histérica), mas ela até que se saiu bem. Vale a pena, mas tem que estar em dia com o sono, porque o filme, embora não seja chato de jeito nenhum, é lento, até pela temática mesmo. Abraço procê!

  6. Mônica, que bom vc falar sobre isso, dorei!… Faz muito tempo que queria compartilhar a minha irritação com certas coisas que acontecem quando nos dispomos a assistir um filme na telona…faz tempo por ex. que parei de frequentar alguns cinemas em BH por causa da “porcalhada” que deixam pelo chão com as danadas das pipocas… pipoca tem tudo a ver com cinema, eu mesmo adoro, sou daquelas que se não comer, a programa não fica completo, mas o que não tem nada a ver com isso é a educação, ou a falta dela. O sistema do “emporcalhamento” começa pelo próprios pipoqueiros,atendentes da lanchonete do cinema, PORQUE ELES TÊM QUE ENCHER O SACO, O BALDE, o que for, até as tampas pra sair transbordando pipoca pra tudo quanto é lado? Será que eles contam com o equilíbrio das pessoas para não deixarem as pipocas cairem no chão ou é um jugo, um plus no entretenimento onde as pessoas vão deixando as pipocas cairem para marcar o caminho de volta, já que a sala é escura. Em segundo lugar, vem o cerumamo, como vc mesma disse, o bicho difííícil, e tem muita gente que pensa que ah já ta sujo mesmo e aí aproveita, sá comé né. E em terceiro lugar os mantenedores dos cinemas, que não cordenam uma limpeza, pelo menos entre uma sessão e outra. Eu sou da opinião que problema sempre se resolve lááá na raiz e acho que nesse caso é a situação 1, criada “pelos” pessoal que serve a pipoca… outro dia eu fui ao cinema e pedi a pipoca, daí a mesma história, pedi ao pipoqueiro que não transbordasse o meu saquinho, que não era necessário aquilo, que eu ia ficar bem com o saquinho cheio e não transbordando, porque eu não queria sair espalhando pipoca pra todo lado. Pois acredite na indignação do pipoqueiro, porque eu não queria o plus de pipoca…. ai, ai, ai, pode isso gente?!

    • A sujeira é incrível, né, eu fico pensando se a casa deles fica assim depois de uma sessão de cinema… Eu gosto até gosto da pipoca, mas o preço é absolutamente ridículo. Não existe a menor possibilidade d’eu gastar uma pequena fortuna com ingresso + estacionamento e ainda encarar um pacotinho de pipoca com uma Coca COla igualmente pequena por tantos tostões. Não mesmo! 🙂

  7. Desculpe, mas há um equívoco fundamental: todas as pessoas com “Home-Tudo” que conheço são exatamente os amantes do cinema que já perderam a paciência em ir aos cinemas cada vez mais mal frequentados. E normalmente são os guerreiros do “shhhhhhhh”. :o)
    Quem conversa no cinema é porque é mal educado. Ponto. Seja ali, no trabalho, no trânsito, etc.

    • Sem dúvida, Heitor, o cinema é apenas mais um lugar onde os mal educados se manifestam… Mas eu conheço gente que equipou a casa com esses home-tudos só pra poder assistir filme em casa. Aí, quando resolve encarar uma telona, acha que ainda está no sofá da sala! 😛

  8. O que mais me irrita no cinema é o cinema (no sentido de empresa que administra as salas de cinema na minha cidade), que coloca só filmes dublados, babacas, cheios de explosão e piadas esculachadas.
    Isso sem contar o pessoal que vai pra conversar, é claro.

    • Pois é, aí uma bela hora colocam vários filmes bons ao mesmo tempo (como na temporada do Oscar) e a gente fica doida tentando ver tudo. Depois é aquela entressafra horrorosa. E a modinha de dublagem tá pegando, tanto no cinema como na TV. Já estou pra cortar a minha assinatura de TV a cabo por causa disso – pagar pra ter a programação em português é dureza.

    • Eu sou teimosinha e acabo indo de qualquer jeito porque, pra mim, filme é pra telona. Mas hoje sou bem mais seletiva na escolha do filme, sala e horário, pra evitar encheção de paciência…

  9. Muito bom esse post!
    Celular tocando, ou só aquela luz aparecendo, me irritaaaa! Quem tira o sapato e coloca o pézão na cadeira da frente também. Ah! E casal que fica se agarrando como se não houvesse amanhã (e nem motel). (e um bando de outras coisa já mencionadas, mas continuo indo ao cinema) 🙂

    • Se a gente prestar atenção em todas as coisas irritantes, acaba até desistindo de ir ao cinema, né? 🙂
      Mas essa luz do celular é terrível. Tem gente sem-noçào que fica com o telefone aberto uma eternidade, vendo sabe-se lá o quê, ao invés de prestar atenção ao filme. De matar!

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  11. Mas, mesmo com todos os mal educados e sem-noção deste mundo cão, nada é melhor do que ver um filme na telona da sala escura, largando a vida lá fora por duas horas de imersão!! Não sou a favor de home-tudo, mas de pessoas mais razoáveis para se conviver!

    • Jogo no seu time, Ana, não troco um filme no cinema por nada. Telinha é só pra ver de novo, ou então pra encarar aqueles filminhos que não fazem a menor diferença. Se as pessoas colaborarem um cadinho, fica de ótimo tamanho pra mim! 🙂 bjk

  12. Acho a maioria das reclamações legítimas e ainda acrescentaria algumas, como os contadores de filmes, ou adivinhos de cenas. Ou aquela menina que fica perguntando tudo ao namorado…mas se de um lado existem os chatos, talvez devêssemos que tomar cuidado com nossa intolerância. Acho exagero reclamar de quem pode precisar ir ao banheiro ou está com um problema de tosse. Ok, é chato, sim, mas talvez essa pessoa também seja amante do cinema e tem tanto direito que querer ver um filme quanto qualquer outra. Não se trata, nesse caso, de uma falta de educação.

    • Com certeza, Ed, existem aqueles que estão apenas atendendo um ‘call of Nature’ e dando um pulinho ali, e pra esses eu tenho toda a paciência. Já aquele que levanta pra ir ao banheiro, volta, sai pra pegar pipoca, volta, levanta pra comprar refrigerante, volta, sempre passando na frente da tela (quando não está bem no meio da fileira e tem que pedir licença pra um batalhão…), faço questão de manter distância! 🙂

      Mas ah! os adivinhadores de história são de lascar. Lúdicos demais pro meu gosto, isso quando não ficam no ‘sabiiiiia que isso ia acontecer!’
      abraço!

  13. É um problema sério a falta de educação nas salas de cinema. As coisas que mais me irritam são:
    A conversa fora de hora – Piadas, risaiada fora de hora, ou comentarios autos são terriveis.

    Comida inadequada – Um saco de picoca até que vai, mas já vi mcdonalds, subways, e até uma pizza inteira sendo consumidos dentro da sala de cinema.

    Mas o pior de todos é o Celular. Sempre dou a sorte de um maldito ligar uma tela de 7 polegadas bem na cadeira a minha frente. Já vi gente atendendo, mandando mensagens e até jogando durante o filme. Me da vontade de tomar o telefone e atirar lá na tela.

    Acho que vou comprar um home theater e alugar filmes 24 horas por dia, 7 dias por semana, e parar de ir aos cinemas.

    • A gente se pergunta o que o cidadão tá fazendo ali, né? FIcar jogando na hora do filme? Por acaso comer no escuro tem graça? Eu adoro sair do cinema e ir a um bar ou restaurante e, aí sim, conversar sobre o filme, trocar impressões, mas durante a projeção? O pessoal tá exagerando. Quanto aos clulares, é mesmo das coisas mais irritantes – a sala escura e aquele farol vindo na sua cara. Mas ainda assim adoro ir ao cinema, vai entender… 🙂

  14. deixei passar esta ótima postagem tua sem comentar, mas, em tempo, vou te dar motivo pra um pouco de inveja… Florianópolis anda engatinha culturalmente se compararmos com Belo Horizonte, ou Sampa… mas veja isso:

    http://www.paradigmacinearte.com.br

    depois clique em “espaço” e, na página que abrir, bem embaixo, clique na foto do Corporate Park, que é onde fica o cinema…

    ah! é claro que dentro do cinema sempre pode ter algum inconveniente, mas quem busca espaços alternativos tem uma probabilidade maior de ser bem educado… e o local é fácil de chegar e tem ótimo estacionamento.

    • Poxa, que inveja! Aqui em BH a gente já teve boas salas de cinemas de filmes fora do circuitão blockbuster, mas elas foram fechando e hoje só ficou mesmo o Belas Artes. Uma pena, já houve bons festivais, ótimas mostras; hoje em dia, se não for essa sala, só sobra mesmo um ou outro horário de cinema de shopping mostrando filmes de menor apelo comercial. Essa sala aí em Floripa é uma maravilha…

      • faz pouco eu assisti As mulheres do sexto andar… daqueles que dificilmente veremos em shopping… se ainda não viu, procure que vale a pena. É sobre as mulheres espanholas que fugiram da guerra civil e foram para a França, principalmente Paris, lá por 1962… só que, apesar do tema, é uma comédia…

      • Pois olha como são as coisas, esse filme passou a jato por aqui. Num minutinho estava numa daquelas sessões às 3 e meia da tarde, que ninguém consegue ver. Eu tinha assistido ao trailer e adorado, agora vou pegar o DVD!

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