Excesso de inter@tivid@de

Entrei no mundo virtual meio por acaso. Meu primeiro endereço de e-mail nem existe mais, era uma sequência de letras e números que eu tinha que manter anotada num papelzinho, porque é claro que eu jamais me lembraria daquela charada. O ano era 1991, eu estava num projeto na Inglaterra e o grupo foi apresentado ao que hoje seria considerado o tataravô da internet. Em meados da década de 90 a gente acessava a internet lá de casa, mas só aos domingos, porque ocupava a rede telefônica e a conexão era feita por interurbano, com um provedor de São Paulo. Levava uma eternidade e mais um dia pra acontecer alguma coisa na tela mas, pra sorte dos meus pais, também não tinha muito para acontecer, então eu e meus irmãos íamos catar algo mais interessante pra fazer rapidinho.

Em maio de 2007, através de um grupo de professores que estudam possíveis interfaces entre educação, ensino de línguas e tecnologia, fiz meu perfil no Twitter e no Facebook. Eu tinha poucos contatos brasileiros (naquela época todo mundo ainda estava no Orkut), as ferramentas ainda não tinham sido traduzidas e boa parte do que acontecia nas redes sociais era bobagem mesmo – alguém se lembra das guerras de travesseiro virtuais e do joguinho que transformava seus amigos em zumbis? Pois então.

Mas eu me divertia com tudo, como me divirto até hoje. Não faço parte de jeito nenhum do grupo de reclamões que de tempos em tempos posta que o Facebook está chato, ou que o Twitter está chato, que a internet está chata. Prefiro pensar que chatos devem estar eles, porque eu sigo gente bacana e divertida no Twitter, fiz e reencontrei amizades queridas no Facebook, recebo dicas e links preciosos através desses contatos, e vejo como as redes sociais podem ser usadas também para causas bacanas – como aconteceu com o filho de uma amiga, que precisou de doações generosas de sangue depois de uma doença grave e contou com uma mobilização rápida de amigos e até desconhecidos pelo Facebook. Graças a isso ele hoje está se recuperando bem, totalmente fora de perigo.

Porém, por mais que me divirta e ache muito legal tudo isso, o excesso de interconectividade me irrita um pouco. Se eu quero agrupar todas as minhas contas em uma só, de modo que eu poste no blog e automaticamente apareça no Twitter e no Facebook? Não, não quero. Se eu gostaria de contar pra todo mundo onde eu estou no momento, graças ao Foursquare? De jeito nenhum. Se eu desejo fornecer meu número de telefone para o Google e o Facebook, para que eles entrem em contato comigo caso minha senha seja hackeada? Nem pensar. Por mais que eu conte algumas coisas da minha vida aqui no blog, tenho o cuidado de evitar informações muito pessoais (até porque, convenhamos, minha vida é como a de quase todo mundo, sem nada de muito fascinante, ninguém estaria interessado). Não coloco fotos pessoais, evito incluir nomes ou como as pessoas estão ligadas a mim. Meu Facebook é fechado aos amigos e mesmo lá tomo minhas precauções. Não marco fotos nem faço legendas: se você me conhece, vai saber se aquele moço do meu lado é meu irmão, marido, primo, namorado ou amigo. Se não sabe, é porque não precisa saber. Algumas fotos ‘entram em cartaz’ num dia e saem no outro. Não digo aonde vou, o que comprei, o que vou fazer hoje. Tenho dois perfis no Twitter – o antigo, basicamente para links de trabalho, e o @madamemon, que é das bobajinhas do dia-a-dia. Ambos requerem permissão para ler o que posto (dizem que com isso menos gente vai me seguir, mas nesse caso eu prefiro a segurança). Segurança total não existe na rede, claro, mas faço o possível pra não escancarar minha vida. Tem gente que não vê problema algum em divulgar sua vida no ciberespaço, já eu acho mais prudente um cadinho de cuidado.

E aí me vem o sêo Mark Zuckerberg com essas duas novidades. Uma, aparentemente, você escolhe participar. Agora existe um aplicativo que permite que você saiba que amigos seus estão nas proximidades. É pra ficar mais fácil encontrar quem você gosta, diz o Facebook. Eu, mineiramente desconfiada, acho que é uma maneira prática de stalkear. Ah, aquele amigo que não vejo há tempos estava no mesmo xópin que eu e só descobrimos no dia seguinte? Que pena. Sua prima e o namorado estão indo assistir ao mesmo filme que você? Vai que dá sorte e vocês encontram na bilheteria, caso contrário, fica pra próxima. Eu é que não quero a galera sabendo onqotô e proncovô.

A outra novidade eu descobri hoje, e essa foi feita na surdina, o que eu acho extremamente antipático da parte deles. O e-mail padrão de todas as contas foi alterado para o seu nome @facebook.com. Sabe o email que você inseriu como default na sua conta? Pois sêo Zuckerberg fez a alteração, sem te pedir permissão e nem te contar nada. Olha, me ofereça o serviço, me convença que é melhor pra mim, mas fassfavô de não atropelar as minhas escolhas, ‘gradecida. Voltar pro padrão antigo é fácil e rapidinho (siga o passo a passo aqui)

Estar conectada é hoje, pra mim, um caminho sem volta, e aproveito tudo de bom que essa interatividade pode me proporcionar. Mas me desculpaê o sêo Zuckerberg e toda sua turma, ainda não estou preparada para colocar todo o meu bloco na rua.

6 respostas em “Excesso de inter@tivid@de

  1. [2]

    É um porre ver os sites que a gente gosta de usar (e só gosta depois de uma certa resistência inicial para se acostumar com suas “lógicas” que merecem aspas) mudarem de repente, SEMPRE para um visual mais poluído e SEMPRE para inserir besteiras inúteis.

    Eu descobri o aplicativo MYKILL para o Chrome e com isso consigo ver o Orkut como era antes, o tal “antigo Orkut”. Instalei e nunca mais largo dele. Só acho uma lástima ter que desligá-lo momentaneamente quando preciso encerrar um tópico com o perfil moderador, visto que essa funcionalidade não existia no antigo Orkut e é a única coisa que presta no novo.

    Avisem-me quando houver um MYKILLFORFACEBOOK para eu me livrar da tal “linha do tempo”, aquela porcaria poluída e psicodélica para a qual não há meio de encontrar um manual do usuário.

    E sobre segurança… pois é, concordamos em quase tudo. A diferença é que eu considero um item de segurança informar para o site o número do meu telefone. Ninguém consegue me localizar com isso. Na pior hipótese, que é a divulgação pública do número devido a uma falha de segurança, eu só teria que mudar de número. Acho que esse risco vale a pena para não ter um perfil hackeado.

    • Arthur, eu já passei por tantas mudanças no layout do Facebook que num minutinho eu me acostumei. Cê precisava ver a bagunça que era em 2007! Já o Orkut eu nem me lembro mais se existe! 🙂

  2. Eu concordo mil vezes com você. E tambem acho estranho isso de saber se os amigos estão proximos, penso igualzinho e tenho medo que isso venha a ser automatico e obrigatorio, por enquanto nao eh, mas tambem nao vejo porque eles fariam de forma obrigatoria. Tambem evito a exposicao ilimitada.

    Beijo

    • Não custa nada tomar precaução, né Luciana? O caso é que a gente vai se acostumando com o aumento da exposição e começa a achar tudo tranquilo. Eu procuro ficar sempre com um pezinho atrás, just in case. Se não escancaro minha vida particular face to face, imagina então no ciberespaço… Bjk

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