O tuíte

Não é do meu feitio ficar reciclando post, mas é que hoje eu me lembrei disso aqui. E dela.

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Eu não atendo telefone durante as aulas. Já passava das nove da noite quando eu peguei meu celular e vi: cinco ligações não atendidas. Do celular dela. Do celular do pai. Do da mãe. Do telefone de casa. Alguma coisa devia ter acontecido pra ela me ligar 5 vezes em menos de 20 minutos, ela que geralmente escolhe conversar comigo pelo Facebook e pelo Twitter, que é como qualquer adolescente normal e sadio conversa com qualquer outro ser deste planeta. Ela atendeu e, por um momento, eu não sabia se ela estava rindo ou chorando; pela respiração um pouco ofegante, devia estar pulando e falando ao mesmo tempo, hábito que tem desde muito pequenininha. O pai disse que na última meia hora ela tinha ido do risador frouxo às lágrimas e de volta, mas ele também estava morrendo de rir. ‘Mona, ele me respondeu! Eu postei uma mensagem no twitter e ele me respondeu! Ele agora sabe que eu existo!’

Ele, no caso, é o ídolo-mór da sua vida até aqui, o líder da banda que ela ama e venera e cujas músicas sabe de cor, junto com inúmeros detalhes da vida de todos os cinco integrantes. E o caso tinha sido bem esse mesmo, ela postou uma mensagem inocente no twitter e o moço, que normalmente não é de sair respondendo ninguém, deu um RT (algo como ‘copiar e colar’ na linguagem do twitter) e adicionou um comentário curto e simpático. E foi o que bastou para transformá-la em instant celebrity em sua escola e entre as muitas outras fãs que seguem a banda virtualmente. Por um momento, um segundozinho à toa, ela tinha estabelecido uma conexão real com seu ídolo, muito mais do que qualquer garota poderia imaginar que um dia fosse acontecer de verdade. Ele nem notou isso tudo, claro, não faz a menor ideia. Mas pra ela tinha sido o mundo.

E eu fiquei de cá rindo e matutando que hoje, já bem longe da minha adolescência, eu não tenho ídolo nenhum que eu ame e venere e para quem eu mandaria uma mensagem e de quem esperaria ansiosamente por uma resposta. E pensei que, no meio de todo esse turbilhão de crises e problemas pra resolver e contas pra pagar, é bom, é mesmo muito bom pegar carona na adolescência dela por um instantezinho só e ter 13 anos de novo.

12 respostas em “O tuíte

  1. “é bom, é mesmo muito bom pegar carona na adolescência dela por um instantezinho só e ter 13 anos de novo.” Muito fofo, Monica! Sabe que eu fui lá no Twitter procurar a tal mensagem e RT quando vc postou no FB tempos atrás. Delícia pegar carona na adolescência alheia. Até eu curti. Até eu dei uns gritinhos.

  2. que delicia!
    aos TRINTA eu recebi uma resposta do mário Prata ‘meu ídolo” . Trocamos e mails por algum tempo e depois a coisa simplesmente parou.
    E numa entrevista no Jô, ele se gabou de ter uma leitora na Australia. E só eu sabia que era eu. Eu e o meu pai, que me ligou contando da entrevista….

    Confesso : essas bobagens dão uma energia boa pro dia a dia sem graça!

    • Num é? Eu não me lembro de ter tido nenhum ídolo na minha adolescência (nem na ‘adultescência’), mas eu curto horrores o tanto que ela curte a banda – e eles são bons mesmo. Tornar o dia a dia mais bacana é mesmo uma tarefa que requer zelo e carinho, né… 🙂
      bjk

  3. Quem é esse ídolo dela? De que banda faz parte? Fiquei curiosa agora. Sei bem o que é isso, passo por isso no dia a dia, tanto comigo, quanto com minhas amigas… Enfim, adorei a historia e o blog. Parabéns!

    • Beatriz, a banda é o Maroon5 e quem respondeu e retuitou a mensagem foi o cantor, Adam Levine… Não é legal? Quando eu era adolescente, a gente nem conseguia vislumbrar a possibilidade das bandas que a gente curtia virem dar show no Brasil, quanto mais ter alguma forma de contato com os artistas assim, de maneira informal! Acho o máximo. Foi super bacana e ela ficou toda feliz (e eu também!).
      Obrigada, apareça mais!

  4. Mônica! Aos 63 anos, se eu mandasse uma mensagem para todos os ídolos que um dia já tive, se unzinho me respondesse poderíamos chegar a duas opções possíveis: ou eu já morri, ou instalaram a internet no céu! (Por via das dúidas não vou tentar esse tipo de contato! )🙂

    • Sou eu mesma, Gessica. Quando um texto não é meu (caso de algum poema, por exemplo), eu sempre incluo o nome do autor. Caso seja um desses textos ‘sem dono’ que de vez em quando circulam pela internet, eu também aviso.🙂

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