Vai dar no New York Times

Então tá. Foi uma das conversas paralelas desse início de semana pelas redes sociais. Luiz Inácio (nunca lembro se ele é com ‘s’ ou com ‘z’, sempre olho no Google e depois me esqueço, agora deixa pra lá) vai ter uma coluna no New York Times. ‘No NY Times!’, brada incrédula a galera que adora pegar no pé. Gente, um cadinho menos no tom seria uma boa ideia, eu acho. Não, não tenho nenhum apreço especial pelo Luis Inácio (vou alternar ‘s’ e ‘z’, pra acertar 50% das vezes), mas tampouco vejo no senhorinho a reencarnação do Tinhoso. Vá lá, saíram algumas coisas boas no plano social naqueles oito anos (o que é bom). E sim, ele tem uma vaidade e arrogância que me deixam deveras irritada (o que é ruim). Nunca me decepcionei com ele ou com o PT porque, falando cá entre nós, nunca esperei nadinha diferente do que eles fizeram. Nunca duvidei nem por um segundo de que o que todo mundo da nova turma queria lá na Corte era entrar pro clube. E, como bem nos lembrou o comediante George Carlin (falando dos Istêitis, mas você vai ver que dá no mesmo), ‘é um grande clube, mas você não é sócio dele’. Eles não estão nem aí pra você, pra mim, pra nós. Nunca. E nunca estiveram. Também nunca estarão.

Mas não sei o que isso tem a ver com o Luiz Inácio ter uma coluna no jornal americano. Não sei sobre o quê ele vai escrever. Não sei se ele é bom de escrita. Imagino até que não seja lá grande coisa – mais ou menos como muita muita gente que conheço, inclusive jornalistas. O próprio Luis Inácio falou em público mais de uma vez fazendo pouco da importância dessas coisinhas banais como leitura e educação formal, pequenos detalhes que, creio eu (talvez ingenuamente), ajudam pra caramba na hora de alguém se meter a escrever qualquer coisa, ainda mais pra publicar. E sim, pro meu gosto ele fala mal pra burro. Eu já critiquei aqui as bobagens que ele diz (e critico as bobagens que são ditas e publicadas pela imprensa também, diga-se). Então não tenho muita expectativa não. Mas pra isso é que existe revisor e, já que estamos falando de NY Times, tradutor. Dois profissionais que, pensando bem, qualquer pessoa com juízo e pouca experiência no ramo requisitaria sem pestanejar. Eu chamaria, você não? Olha, conheço muito poucos que se aventurariam a redigir um artigo e mandar pro editor assim, na cara dura. Quem sabe inglês nem sempre escreve bem, quem escreve bem nem sempre sabe se expressar em inglês, modosque é capaz de dar pra contar nos dedos da mão quem daria conta do recado. Ficar criticando por criticar, dizendo que é um absurdo chamá-lo pra escrever uma coluna porque acha que ele não sabe escrever, não leva a lugar nenhum. O editor do jornal deve estar ciente do fato. Deve ter seus motivos pra fazer o convite. Se vir que o senhorinho não dá conta do recado, provavelmente vai dizer ‘muito obrigado’, tapinha nas costas, foi um prazer, até logo, passar bem. Ou então a brincadeira acaba assim que a brasilândia deixar de ser modinha lá fora.

E isso tudo eu tou dizendo de palpiteira, porque nunca li absolutamente nada que o Luiz Inácio tenha escrito. Então, ó, eu vou preferir aguardar um cadinho antes de fazer minhas críticas e ponderações. Vou esperar aí, quem sabe, lá pela terceira, quarta coluna. Porque, gente, o começo costuma ser bem ruinzinho. Eu vejo as minhas primeiras postagens aqui no blog e me espanto de ver que as pessoas deram conta de ler, algumas até acharam bacanas, voltaram e leram mais. Escrever é um exercício. É pouco provável que a coisa fique boa já de saída. É capaz do revisor e o tradutor terem bastante trabalho nessa empreitada. Mas não vou entrar nessa de criticar antes não, viu. O Luis Inácio nunca fez nada que me fizesse acreditar que esteja apto para escrever pra um jornal desses. Mas, como diz a Chris, vai que o inesperado faz uma surpresa? Acho meio feio sair por aí detonando por nada, antes mesmo do apito inicial.

4 respostas em “Vai dar no New York Times

  1. Mônica,

    O Luis é com Z porque o último sobrenome começa com S. Se o último sobrenome fosse Zilva o Luiz seria com S.

    Grande abrazo,
    Paulo.

  2. Não acredito que o Luiz(s), tem que ver como foi registrado, vá escrever de próprio punho. Muito mais provável que alguém do grupo escreva por ele, assim como eram escritos os discursos. Tem sempre um escritor fantasma de plantão.

    • Bom, já deve ter um bocadinho de ghost writer por aí mesmo… 🙂
      Deve até ser ‘a fala’ dele sim, mesmo que venha gente pra dar pitacos e arrumar tudo bonitinho pro pessoal do NY Times achar que tá uma beleza.

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