Ouça sempre a sua mãe

Naquele 1962, meu pai, mãe e irmão mais velho embarcavam para a Itália, onde iriam morar por pouco mais de um ano. Primeira parada, Milão. Em cima da cama as malas abertas, pencas de roupas, casacos pro inverno, alguns brinquedos, ‘artigos de toucador’ (como diria o Roberto), chega minha avó com uma caixa de velas e outra de fósforos.

– Pra que isso, mãe?
– Nunca se sabe, vai que acaba a luz de repente, vocês ficam no escuro num país estranho com uma criança de colo?
– Mãe, a gente vai pra Milão, não é pra Mateus Leme (minha avó era de lá).
– Pois em Milão a luz também pode acabar, uai. Não custa colocar na mala, o pacote é pequeno.

Você desafiaria a sua mãe? Manda quem pode, obedece quem tem juízo, lá se foram o pacotinho de velas e o de fósforos devidamente embarcados para Milão. Viagem longa, chegam todos no hotel, cai uma tempestade. E o que acontece? Acaba a luz. Menos pra minha mãe, que abre a mala e diligentemente acende uma vela. Aliás, duas: uma pra iluminar o escuro, outra pra agradecer a minha avó.
***

(postei este texto em 2010, aproveito o dia das mães pra relembrar…)

Mãe só tem uma, mas posts tem um monte!
Sábios ensinamentos das mães
Drummond e um poema de mãe
Mães e filhos

29 respostas em “Ouça sempre a sua mãe

    • Rá, e nós ainda estamos na primeira terça parte do ano!
      A história é realíssima e faz parte do anedotário familiar.
      Brigada, valeu!
      bjk

    • Devia mesmo, Wagner (até hoje a gente periga ter uns sobressaltos pelo caminho). E olha que Milão foi só a primeira parada, depois de uns dias é que eles foram pra cidadezinha onde iriam realmente morar. Mas eles adoraram a experiência (e naquela época não tinha Skype, MSN, DDD pra gente entrar em contato com a família no Brasil rapidinho, era realmente uma ginástica dar um simples telefonema…)
      abraço

  1. Sei não… Se eu fosse seguir todos os(as) conselhos/sugestões/recomendações/pitacos da minha mãe, tava f…
    Será que bom senso pula uma geração? Antes que vocês comecem a querer jogar pedras no possível desnaturado aqui, aviso que minha mãe é daquelas que (quase sempre) caem de paraquedas (sic) nos assuntos e sempre têm que deixar uma pérola antes de alçar vôo de novo…

    • Hahaha, não sei se é pra seguir os conselhos dela ao pé-da-letra o tempo todo, mas acho que de vez em quando ia ser, no mínimo, muito divertido, né? Sei lá, só pra ver no que ia dar…

      • Já fiz isso, várias vezes. Resultados vão de catastróficos a surpreendentes. Passando por surreais…

  2. Bela crônica, Mônica, minha linda. Mãe é mãe, e feliz daquele que tem uma e pode contar com ela pra tudo, principalmente para dar à luz.

    PS. Minha querida mãe, gaças a Deus, ainda nos delicia com sua maravilhosa companhia e espero que isso dure por muito tempo ainda.

    Bjos de mon tão.

    • Ah, e que bom que você ainda pode aproveitar a companhia da sua mâmi, Cláudio, porque isso é bomdimaisdaconta! Tem mais é que curtir muito mesmo!
      Obrigada e bjks!

    • Ah, pras mães a gente não cresce nunca, né? 🙂
      Quanto a estar de malas prontas, é sempre bom lembrar o Quintana:

      Esta vida é uma estranha hospedaria
      De onde se parte quase sempre às tontas
      Porque nunca nossas malas estão prontas
      E nossas contas nunca estão em dia…

  3. Deliciosa, essa hostória.
    Conselho de mãe não dá p’ra contrariar.
    Sempre que ouvia as palavras de Zeca:
    “E embora seja ladrão
    Aquele que tenha mãe
    Lá tem no meio da luta
    Ternos afagos de alguém”
    Imaginava a Mãe, entre ternos afagos, relembrando seu filhinho: “está se vestindo direito? Não vá esquecer de levar casaco. É bem frio, esse tal de meio-da-luta. Depois não diga que não avisei…”
    É assim, mãe…
    Bj

    • É como a mãe do ‘Meu Guri’, do Chico, né? O sujeito pode ser o que for, pra ela é sempre o filhinho.
      Baideuêi, delícia de ouvir essa guitarra portuguesa…
      bjk

  4. Quer dizer que eu não sou o único que sempre carrega no carro um tupperware com velas, isqueiros/fósforos, talheres, uma caneca, merthiolato, aspirina, cotonetes, repelente, refil de boa-noite, barbante, anti-alérgico, gaze, esparadrapo, antiinflamatório, cortador de unhas, palitos, espelhinho, sabonetes de motel, preservativos, caneta, papel, um “T” para eletricidade, tesoura, clipes, atílios, talco antisséptico, colírio, termômetro, novalgina, um cartão telefônico, uma lanterninha com pilhas novas e outros badulaquinhos do gênero? (Relacionei assim de cabeça, não fui lá no carro olhar…)

    • Arthur,
      já ouviu falar em lojas de conveniência 24 horas??? 🙂
      Ajuda bem a resolver as emergências!
      Mas não, você não é o único, definitivamente.
      A lista é diferente, mas pergunte a qualquer mulher o que ela carrega naquela bolsona… Olha, existe um verdadeiro reino de Nárnia ali!

  5. Em defesa das mães(até porque sou uma!!) o que tenho a declarar é que mãe é mãe…não tem nada que explique o que sentimos e por vezes até intuimos quando o assunto é filho!
    Pena que a minha partiu há 26 anos….

    • Accácia,
      com certeza. ‘Mãe é mãe e vice-e-versa’!
      É, só sendo uma pra saber como é que é.
      E só tendo uma pra saber o tanto que ela faz falta quando já não está mais por aqui…
      bjk

    • É só mais uma das tantas histórias que a gente tem dela, né?
      Esse caso, e o de que eu quase nasci no meio de uma corrida de bicicletas (o que, obviamente, era um grande exagero do papai), é um clássico aqui em casa…
      bjk

  6. Em 2010 comentei e estou aqui novamente! A propósito a minha mãe agora está com 85 e quando ela fica chata (as mães com 85 sabem ser muito chatas quando querem!) nós brincamos com ela: “Ainda não carimbaram o seu passaporte?” e ela responde: “Perdi! Acho que vocês roubaram!”

    Uma de suas melhores histórias: sintética, objetiva, bem humorada, dá o recado, sempre atual e chama uma lágrima no final! Feliz dia das mães!

    • hahaha, demorei a responder mas, né, ou aqui. Mães sabem ser de tudo um pouco quando precisa, né? Sua mâmis tá com 85 e nesse pique? Lindona, ela! Mãe é tudo de bom, super beijo pra ela e procê!

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