O (não tão) Grande (assim) Gatsby

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Se esse tivesse sido o meu primeiro filme do Baz Luhrmann, eu poderia ter pensado “olha, até que essa overdose de sons e imagens e efeitos especiais foi uma sacada bacana para retratar os excessos da década de 1920”. Afinal de contas, é justamente de excessos, vazios e superficialidades que nos fala ‘O Grande Gatsby’, o livro. O problema é que esse não foi o meu primeiro Baz Luhrmann. Foi o quinto. Antes teve o tolinho Vem Dançar Comigo (Strictly Ballroom), o moderninho Romeu + Julieta (beijo, Shakespeare!), o que-todo-mundo-gostou-menos-eu Moulin Rouge e o (enooooorme bocejo, e olha que tem o Hugh Jackman…) Australia. Todos eles ostentando suas próprias doses generosíssimas de imagens mostradas em vertiginosos movimentos de câmera e trilha sonora repaginada. Então eu marchei para o cinema pra assistir à versão cinematográfica do livro de F. Scott Fitzgerald sem a menor expectativa, porque imaginava que vinha mais do mesmo pela frente. Pelo menos a sala era excelente, as companhias, perfeitas e a panqueca traçada antes da sessão estava dos deuses. Por mim, eu já estava no lucro antes mesmo do apagar das luzes.

Daí eu não entender por que os críticos mundo afora e os fãs hardcore do romance ficaram tão bravos e reclamaram tanto. O que eles estavam esperando desse diretor, sutileza? profundidade? uma análise psicanalítica dos personagens? um retrato da sociedade americana pós-Primeira Guerra e pré-colapso da Bolsa? Né por nada não, viu, mas querer isso do Luhrmann é mais ou menos como chiar porque falta ação e aventura na obra do Woody Allen. Simplesmente não dá, gente. OK, ele poderia até ter nos surpreendido com uma super adaptação do livro mas, convenhamos, a chance disso acontecer era remotíssima.

Se gostei do filme? Gostei sim, no nível que dá pra eu gostar dos filmes desse senhorinho australiano. Visualmente é muito bonito, mesmo com todos os excessos, a trilha é bacana (eu bem que gostaria de mais originais e menos releituras mas, né), os atores não são muito exigidos, porque o roteiro é só uma raspadinha de nada na camada mais superficial do texto original (mas, a exemplo do que aconteceu em Django, o sempre ótimo Leonardo di Caprio perdendo as estribeiras é uma coisa linda de se ver) e no final a gente tem a sensação de ter saído de um longo videoclipe.

Pessoalmente, não me importo muito que livro e filme não se encontrem. São meios diferentes pra se contar uma história, usam linguagens diferentes; esse mimimi de ‘aiiin, o livro é muito melhor’ não me aflige. Mas fica aquela impressão desconcertante de se estar diante de um filme potencialmente ótimo, mas cujo roteiro, apesar de fiel ao livro, não aproveita o que este tem de melhor. Luhrmann faz filmes de apelo 100% visual para uma geração que quer mesmo é 3D, efeitos especiais e música do will.i.am, e esse é mais um exemplo. Pode não ser do agrado dos críticos, mas funciona.

Não deixa de ser curioso, então, constatar um belo (e talvez inesperado) efeito colateral: várias pessoas já me disseram que, visto o filme, agora querem ler o livro. Algumas até em inglês. Imagino que o sêo F. Scott Fitzgerald não ligue a mínima para a cara feia que os críticos fizeram pra versão da telona e esteja muito satisfeito da vida no final das contas.
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4 respostas em “O (não tão) Grande (assim) Gatsby

  1. Excellent film review , Moniquinha! Congrats! I love it! As Graeme, I enjoyed the film too. Actually Leo Di Caprio performs very well and there’s the production, music and photography. ..But nothing compares to the fist version with Robert Redford and Mia Farrow!

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