curtinhas

* Fui levar o carro pra troca de óleo, filtro e aqueles breguetes todos. O moço perguntou se eu queria esperar, coisa de hora e meia a duas. Tudo bem. Me aboletei num dos sofás da sala de espera com mais umas seis ou sete pessoas ‘esperantes’ como eu e abri meu livro. Nas quase duas horas seguintes, aquelas pessoas jogaram joguinho no celular, andaram de um lado pro outro e olharam pro teto. Como é que conseguiram passar duas horas inteiras sem ler alguma coisa é algo que me foge totalmente à compreensão.

* Porque está cada vez mais difícil – e cada vez mais necessário – a gente encontrar motivos pra manter a nossa fé na humanidade.

* As cozinhas de antanho sempre tinham aquele suporte de mármore onde a mãe da gente encaixava o filtro de barro. Já vinha tudo esquematizado desde sempre – a altura certa pra gente alcançar a torneirinha, o registro no alto da parede pra abrir e fechar e deixar a água cair e encher o filtro, o espaço exato pra encaixar o copo. Daí alguém deu de inventar aqueles purificadores mirabolantes todos. Mas, ó, nossas mães e avós é que estavam certas, viu. Filtro de barro, meus queridos, essa é a solução.

*  Pequenas antipatias pessoais no quesito ‘verbos usados em manchetes na imprensa’: abusar (‘Abuse dos sucos naturais para manter a forma’), apostar (‘Aposte em decotes ousados neste verão’) e esbanjar (‘Fulano esbanja simpatia nas areias de Ipanema’). Esse pessoal bem que podia apostar na aquisição de um dicionário pra abusar dos sinônimos e depois sair por aí esbanjando vocabulário. Olha. Dá arrepio.

* Tem gente que faria por bem desistir da vida em comunidade e mudar de mala e cuia pro meio do mato em Xiririca da Serra porque, ó, tem hora que vizinho é um troço muidifiço. A gente vai lá e escreve bilhetinho phynno e bem educado – como minha mãe me ensinou – pedindo por gentileza não deixar o alarme do condomínio desativado, lembrando questões basiquinhas sobre segurança de todos e blabablá. e vira e mexe o alarme está desligado. E é lógico que são sempre as mesmas criaturas. Pensando seriamente em largar os bons modos de lado e pregar um aviso do tipo “Quem é a anta que tá deixando a pôuha dakaraia do alarme desligado?” pra ver se dá uma melhorada no ibope.

* Em compensação, um vizinho da rua mandou pintar a casa dele de amarelo. E quando digo ‘amarelo’, amiguinhos, não quero dizer apenas ‘amarelo’, mas sim AMARELO. Mais ou menos como a casa da Adélia. Modosque que acabo de ganhar um ponto de referência na minha rua. Não sei se ficou bonito, mas nesses dias de céu azul intenso e sol, o contraste é até bacana.

* A gente se apega à série e fica só prestando atenção nas cabeças rolando, mas vejam só que verdadeiras obras de arte no guarda-roupas do Game of Thrones.

* Esta cidade no inverno, senhoras e senhores, é uma coisa linda de se ver. Por enquanto são os ipês-rosa, mas brevemente teremos os amarelos também. Por todo canto. É o que eu digo pra vocês, inverno é civilização.
***

ipês

4 respostas em “curtinhas

    • Aaaah, as cebolas!!!
      (linda, saudadocê, viu, tou sempre te visitando virtualmente, mas na correria nem deixo um oi… Prometo ser uma amiguinha mais assídua – mas nem mesmo aqui eu tou aparecendo com a frequência que eu gostaria… 🙂 )

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