Diferente, mas bem parecido

O ano era 1963. Enquanto olhava as imagens de Martin Luther King falando para centenas de milhares de pessoas em Washington DC durante a marcha pelos direitos humanos, um italiano amigo dos meus pais comentou: “É um absurdo o que estão fazendo nos Estados Unidos, esse preconceito contra os negros, toda essa violência, a discriminação…” Meu pai comentou que sim, era um absurdo mas que, pensando bem, os italianos do norte também discriminavam horrivelmente os do sul (embora sem a mesma violência explícita), faziam pouco deles e em geral consideravam a turma abaixo de Roma inferior a galera de Milão e, né, não se falava muito sobre isso por ali. Vira o italiano, claramente alterado: “Mas não, aquela é uma outra gente!!!”

Quer dizer. O caso é que é facinho apontar o preconceito dos outros. Enxergar o nosso próprio preconceito, admiti-lo e (de preferência) fazer alguma coisa a respeito, taí o grande desafio.
***

5 respostas em “Diferente, mas bem parecido

  1. Estou fazendo um simulado e caiu tal questão sobre esse texto:
    A breve crônica da autora revela uma incoerência na falta do italiano, amigo do pai da narradora. Aponte qual é essa incoerência e explique porque ela pode ser considerada como tal.
    Adorei o texto, parabéns 👏🏼

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s