curtinhas

* Eu saio do patropi coisa de pouquinho mais de duas semanas, deixo todo mundo aqui de cara fechada dizendo que ‘não vai ter Copa’, que ‘a gente não quer só futebol, a gente quer futebol, saúde e educação’ e talicoisa, aí eu volto e vejo o quê? as criaturas pedindo mais jogo, tendo piripaques por conta de disputa de pênaltis e cantando ‘sou brasileeeeeiro, com muito orguuuuuulhho’ (eu também sou mas, né, que musiquinha chata!). Gente é mesmo uma cousa bem esquisita. Mas divertida.

* A imprensa publicando que os estrangeiros estão encantados com o Brasil, que tudo tá lindo e as pessoas são ótimas e tá tudo divino, maravilhoso. Fico feliz, de verdade. Mas Copa é mais ou menos como aquela festona de arromba que você resolve dar na sua casa. Na hora da comemoração você capricha na produção, todo mundo toma todas, elogia a comida, ama a decoração e se acaba na pista de dança. Mas quem tem que pagar a fatura do cartão e fazer a faxina na maior ressaca no dia seguinte é você, não os convidados…

* E pra quem estiver ameaçando ter um piripaque durante o jogo do Brasil com a Colômbia, um lembrete: o governo investiu bilhões em estádios, não foi em hospitais não.

* A maior dificuldade que eu tenho nesses tempos é explicar pras pessoas que não é que eu não goste de futebol – eu simplesmente não ligo pra futebol. Eu paro na frente da TV para ver uma partida qualquer com o mesmo contido entusiasmo com que sigo um jogo de basquete ou um torneio de golfe. Isso não quer dizer que eu não goste de Copa do Mundo. Mas o que eu gosto dela é a ajuntação de gente, o clima de ‘vamulá’ e a meninada no maior entusiasmo, uniformizada e emperiquitada com acessórios em verde e amarelo, ainda alheias a terrível realidade de que algumas delas um dia irão crescer e se transformar em abomináveis torcedores sem-noção de times locais. Mas quando a farra toda acaba eu volto pro meu livro, pro meu trabalho, pra faxina na cozinha e tudo o mais e pronto, acabou-se.

* Mas o melhor da Copa, pra mim, é a internêta. A zueira é o melhor efeito colateral de qualquer grande evento acompanhado online. A criatividade e a rapidez com que as pessoas fazem piadas sobre tudo e todos é sensacional. Se eu fosse antropóloga, psicóloga, socióloga ou qualquer outra ‘óloga’ dessas, montaria minha tese de doutorado com base em estudos científicos sobre o poder da zueira. Provavelmente seria uma porcaria de uma tese, mas pelo menos eu iria me divertir horrores.

* Gente véia que nem que eu assiste jogo dizendo que foi ‘corner’. Nem sei quando foi que resolveram começar a usar ‘escanteio’.

* Eu não guardo nome e cara de jogador nenhum. Nunca. Acho que o último que me vem cara e nome juntos é o Beckenbauer, que meu pai chamava de ‘Chico’. Bom, tem o David Beckham também, claro, mas por motivos beeem diferentes. No jogo de abertura da Copa, com a Croácia, a gente fez um bolão pra ver quem ia fazer o primeiro gol do Brasil (isso é que é otimismo, partimos do pressuposto de que haveria não um, mas mais de um gol do Brasil), eu tirei o meu papelzinho e achei que tinha alguma coisa errada porque, pra mim, Oscar sempre foi jogador de basquete. Isso dá uma ideia do tanto que eu sou fã e acompanho o esporte.

* A única escalação que ainda tenho na memória até hoje é a que meu pai dava para um time comandado pelo técnico JC, que entrava em campo com Pedro, Paulo e André; Tiago, João e Tomé; Judas (depois Matias), Bartolomeu, Filipe, Mateus e Simão. (Judas Tadeu e Tiago Menor ficavam no banco de reservas, possivelmente devido aos nomes repetidos). O grande clássico seria com uma seleção da pesada proposta pelo Evando -a dos doze césares- cujo técnico era ninguém menos do que Júlio César himself, e a equipe formava: Otávio, Tibério e Calígula; Cláudio, Nero e Galba; Óton, Vitélio, Vespasiano, Tito e Domiciano.

10 respostas em “curtinhas

  1. Povo brasileiro é folgado mesmo: reclama de tudo, mas na hora H quer mais é aproveitar. Se o Brasil não vai pra frente, eu é que não quero ficar pra trás. É ou não é?!

  2. Sabe a sensação de se lembrar que tinha esquecido aquele restinho de sorvete no freezer? É como me sinto quando encontro um post novo rsrsrs
    E eu me diverti demais com essa historia toda da Copa. Tal como vc , eu não me importo com futebol, mas gosto da zoação e da bagunça, da turma reunida, e aí foi a hora de atazanar aquele amigo torcedor fanático que viu seu Time, sua Seleção, seu País perder de 7 a 0 no grande jogo! hehe
    Ps: Ainda não sei como esse povo da internet consegue ser tão rápidos pra fazer circular as piadas ! (desconfio que são ninjas kkk)

    Bjs Mônica

    Greici

    • hahaha… adorei ser comparada com sorvete… porque eu AMO sorvete e sei exatamente a sensação de achar um restinho no freezer!!! 😀
      Pois é, o pessoal sofre demais com esse negócio de futebol, mas ainda bem que mutia gente canaliza o sofrimento pra bobagem…
      Bjk!

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