Análise aos oito

Como muitos meninos da sua idade, aos oito anos ele também é louco por futebol. E por seu time. Camisa oficial, boné e bandeirinha e muitos gritos de ‘Gooooool’ para comemorar. Muitos. Na sala. Na janela. Na varanda. Tantos, que a mãe preocupada resolve perguntar:
– Mas meu filho, precisa dessa gritaria toda? O que é isso?
– Angústia, mãe. Isso é angústia…
Olha. Se isso não é uma das melhores análises psicanalíticas do ato de torcer pro seu time de futebol que eu já vi, então eu não sei o que é…
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Tossi um arco-íris

A essa altura do campeonato, menos de uma semana depois de aparecer e já com mais de um milhão de visualizações, todo mundo já deve ter visto, ouvido, compartilhado e inclinado a cabeça pro lado dizendo ‘aaaaawwwww que bonitiiiinho…’ Mas esse garotinho de 1 ano e 11 meses cantando ‘Don’t let me down’ ao violão com o pai é mesmo de dar vontade de espremer até sair caldinho. Se você andou por algum outro planeta nos últimos dias e ainda não viu esse momento de pura fofura, clica aí e diga ‘nhóóóiiiin’…
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Questão de matemática

Almoço de domingo com a família – e por família entenda-se todo mundo, mais tios, primos e agregados, a meninada em polvorosa, cada qual com um saquinho com aquelas moedinhas de chocolate (gente, são da minha infância, certas coisas grazadeus não mudam nunca). Mas só podiam abrir e comer depois do almoço, claro, que as mães zelosas deixaram as regras bem claras. Passado o almoço, lá foram os meninos dar cabo dos chocolates, e em cinco minutos já estavam numa animadíssima competição pra saber quem tinha comido mais moedinhas no menor espaço de tempo (quem nunca participou de um campeonato semelhante, que atire a primeira pedra). A menorzinha da turma disse que comeu três – embora três, sendo a idade dela, provavelmente era o único número de que conseguia se lembrar assim, no calor de uma disputa. O próximo contou seus papeizinhos na mão e orgulhosamente anunciou que tinha eliminado pelo menos uns cinco dinheiros. E assim sucessivamente, a contagem já chegando às centenas (que matemática de criança pertence a uma outra ordem de lógica), até que o garotinho de seis anos anuncia vitorioso: “Pois eu comi infinitas!”. Silêncio momentâneo, com os demais tentando processar aquela nova informação, mas o irmão dele, do alto de seus quase nove anos, e perfeitamente ciente do que infinito significaria num contexto de moedinhas de chocolate, retruca: “Comeu nada! Se você tivesse comido infinitas moedinhas, você ia estar mastigando até agora!!!”. Vitória aparente, mas efêmera. O pequeno contra-ataca, encerrando a discussão: “Infinitas menos uma!”.