Curtinhas – um post mimimi

tudo coisadoRá. Eu ando sumida, o blog juntando poeira e, quando resolvo aparecer, ainda é pra reclamar? Olha, tou boba de ver a paciência de vocês para com esta que vos escreve…

* “A edição desta obra contou com o trabalho, dedicação e empenho de vários profissionais. Porém podem ocorrer erros de digitação e impressão.” Bom, primeiro que uma obra que conta com o trabalho de vários profissionais não deveria incluir erros de digitação e impressão. E se ficasse só nisso, se fossem só umas coisinhas de nada, eu até daria um desconto. Mas, amiguinhos, já fazia um bocado de tempo que eu não lia um livro com uma tradução tão meia-boca (‘audience’ de um show de rock traduzida como ‘audiência’, sem falar nas expressões idiomáticas passadas ao pé-da-letra para o português), sentenças incompletas, erros básicos de ortografia (‘brexó’, gente, sério?), o mais que temido ‘haviam’ (em “Haviam tantas seringas…”), erros de concordância (“as malas começaram a serem feitas”), nomes errados nas legendas das fotos, e que diabos significa “Um pouco de atenção sussurada foi prestada”?, tudo isso mostrando que a coisa toda deve ter sido feita a toque de caixa. Lá pela página 80, resolvi parar tudo e recomeçar a leitura, dessa vez com uma caneta marca-texto amarelona para destacar as aberrações. Olha, se o livro não fosse interessante pelo conteúdo, te garanto que já teria atirado ele pela janela. Francamente, que tortura.

* Um lado chamando o outro de ‘coxinha’ e ‘elite’. O outro lado acusando o ‘um’ de ser um bando de aproveitadores vagabundos que só querem botar o burro na sombra e aproveitar bolsa-isso e bolsa-aquilo. Tou doida pra esse negócio de eleição acabar logo, pra eu poder tentar gostar das pessoas de novo porque ó, tá Soda, Fócrates.

* Uma coisa que me impressionou no debate ontem na TV Record (não, não assisti, vi os comentários e links hoje na internêta) foi ver o senhor Levy Fidelix falar aquela monstruosidade toda sobre os direitos de cidadãos como eu e você e na hora nenhum, eu repito, nenhum dos outros candidatos colocá-lo em seu devido lugar. Alguém sem medinho ali pra mandar um ‘shut the fuck up’, cadê? A indignação veio mesmo em tempo real só nas redes sociais. Que vergonha, senhores candidatos, que vergonha.

* Meu conhecimento sobre o mundo das artes (sobretudo sobre o que é pós-moderno e pós-tudo) é, reconheço, limitado e não avança muito além do gostei-não-gostei. Mas, gente, a moça vai lá e faz uma instalação na galeria de arte. Arte-invisível, ela chama. Você chega na frente da parede e tem um nada de mais ou menos dez metros de comprimento. Ou tem que desviar do meio da sala porque, né, tem uma escultura invisível bem ali. E o povo lá, achando o máximo. Só falta dizer que a trilha sonora é o John Cage e seu 4’33”. Sim, eu sei, existe todo um questionamento por trás dessas coisas, um mega ponto de interrogação sobre o que é a arte e talicoisa, tá, concordo, uma certa transgressão do que já está aí estabelecido, uma quebra de paradigmas e coisital. Ok. Mas daí a me pedirem pra fazer cara de conteúdo pra isso, sorry, rola não.

* A diferença, amiguinhos, é que numa democracia as pessoas podem ir às ruas elogiar e pedir a volta dos militares ao poder. Agora tentem fazer o caminho inverso procês verem no que dá.

* A Sabesp teimando em dizer pros paulistas que não há racionamento de água em São Paulo parece o personagem do Michael Palin tentando convencer o John Cleese de que aquele papagaio duro e seco que ele comprou não está morto, está só dormindo.

* Os algoritmos do Google e do Facebook são uma pândega. Você faz uma busca qualquer, sabe, aquela coisa que, estivesse numa loja, você diria pro vendedor “obrigada, tou só olhando”, e no instante seguinte você é bombardeada com zilhões de anúncios online oferecendo produtos similares. E a brincadeira continua durante semanas, mesmo depois de você já ter se esquecido completamente de que raios você estava procurando.

* Aí entra a primavera e o termômetro me diz que a temperatura está em 32 graus, com sensação térmica de 36. Olha, só não estou derretendo porque tá tão, mas tão seco aqui nas montanhas, que antes de me liquefazer eu já evaporo. Pensando seriamente em me mudar pra dentro da minha geladeira no verão.

* Mimimi de verdade. Uma cortesia do Dodô, o sábio, que me passou o link.

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curtinhas

* Eu saio do patropi coisa de pouquinho mais de duas semanas, deixo todo mundo aqui de cara fechada dizendo que ‘não vai ter Copa’, que ‘a gente não quer só futebol, a gente quer futebol, saúde e educação’ e talicoisa, aí eu volto e vejo o quê? as criaturas pedindo mais jogo, tendo piripaques por conta de disputa de pênaltis e cantando ‘sou brasileeeeeiro, com muito orguuuuuulhho’ (eu também sou mas, né, que musiquinha chata!). Gente é mesmo uma cousa bem esquisita. Mas divertida.

* A imprensa publicando que os estrangeiros estão encantados com o Brasil, que tudo tá lindo e as pessoas são ótimas e tá tudo divino, maravilhoso. Fico feliz, de verdade. Mas Copa é mais ou menos como aquela festona de arromba que você resolve dar na sua casa. Na hora da comemoração você capricha na produção, todo mundo toma todas, elogia a comida, ama a decoração e se acaba na pista de dança. Mas quem tem que pagar a fatura do cartão e fazer a faxina na maior ressaca no dia seguinte é você, não os convidados…

* E pra quem estiver ameaçando ter um piripaque durante o jogo do Brasil com a Colômbia, um lembrete: o governo investiu bilhões em estádios, não foi em hospitais não.

* A maior dificuldade que eu tenho nesses tempos é explicar pras pessoas que não é que eu não goste de futebol – eu simplesmente não ligo pra futebol. Eu paro na frente da TV para ver uma partida qualquer com o mesmo contido entusiasmo com que sigo um jogo de basquete ou um torneio de golfe. Isso não quer dizer que eu não goste de Copa do Mundo. Mas o que eu gosto dela é a ajuntação de gente, o clima de ‘vamulá’ e a meninada no maior entusiasmo, uniformizada e emperiquitada com acessórios em verde e amarelo, ainda alheias a terrível realidade de que algumas delas um dia irão crescer e se transformar em abomináveis torcedores sem-noção de times locais. Mas quando a farra toda acaba eu volto pro meu livro, pro meu trabalho, pra faxina na cozinha e tudo o mais e pronto, acabou-se.

* Mas o melhor da Copa, pra mim, é a internêta. A zueira é o melhor efeito colateral de qualquer grande evento acompanhado online. A criatividade e a rapidez com que as pessoas fazem piadas sobre tudo e todos é sensacional. Se eu fosse antropóloga, psicóloga, socióloga ou qualquer outra ‘óloga’ dessas, montaria minha tese de doutorado com base em estudos científicos sobre o poder da zueira. Provavelmente seria uma porcaria de uma tese, mas pelo menos eu iria me divertir horrores.

* Gente véia que nem que eu assiste jogo dizendo que foi ‘corner’. Nem sei quando foi que resolveram começar a usar ‘escanteio’.

* Eu não guardo nome e cara de jogador nenhum. Nunca. Acho que o último que me vem cara e nome juntos é o Beckenbauer, que meu pai chamava de ‘Chico’. Bom, tem o David Beckham também, claro, mas por motivos beeem diferentes. No jogo de abertura da Copa, com a Croácia, a gente fez um bolão pra ver quem ia fazer o primeiro gol do Brasil (isso é que é otimismo, partimos do pressuposto de que haveria não um, mas mais de um gol do Brasil), eu tirei o meu papelzinho e achei que tinha alguma coisa errada porque, pra mim, Oscar sempre foi jogador de basquete. Isso dá uma ideia do tanto que eu sou fã e acompanho o esporte.

* A única escalação que ainda tenho na memória até hoje é a que meu pai dava para um time comandado pelo técnico JC, que entrava em campo com Pedro, Paulo e André; Tiago, João e Tomé; Judas (depois Matias), Bartolomeu, Filipe, Mateus e Simão. (Judas Tadeu e Tiago Menor ficavam no banco de reservas, possivelmente devido aos nomes repetidos). O grande clássico seria com uma seleção da pesada proposta pelo Evando -a dos doze césares- cujo técnico era ninguém menos do que Júlio César himself, e a equipe formava: Otávio, Tibério e Calígula; Cláudio, Nero e Galba; Óton, Vitélio, Vespasiano, Tito e Domiciano.

curtinhas

* Oláááá… ainda tem alguém aíííí???

* As pessoas andam muito chatas. Ou então sou eu que ando muito chata. Não, eu não, eu tenho certeza bissoluta de que continuo legal como sempre fui. Mas, então, de onde foi que saiu essa moda esquisita de toda e qualquer declaração de qualquer pessoa ter que ser sumária e imediatamente rechaçada e criticada? Digamos que você diga/poste em algum lugar que vai tomar uma xícara de café. Em dois segundos alguém comenta “mas não é com açúcar não, né, açúcar faz um mal danado”. Voilà, é o que basta para soar o gongo do MMA virtual, com discussões que beiram o bizarro (porque, né, ninguém quer ouvir ou conversar sobre as ideias, a manha é berrar seu ponto de vista e ganhar o bate-boca na marra). O curioso é que o manjado triunvirato de antanho – futebol, religião e política – não é mais o único vilão, qualquer assunto tem o potencial de virar polêmica. E aí é que tá, você nunca vai saber sobre qual tema é seguro conversar. Parece que tá todo mundo na vibe daquele colega de república do meu tio.

* O que me faz pensar que, se a Nave-Mãe não vier em meu socorro antes que deem largada pro pegapracapá de Copa do Mundo, manifestações e eleições presidenciais, eu não sei se vou dar conta de emplacar 2015 online. Ou com amigos.

* O almoço começa no maior entusiasmo, salada de folhas, arroz integral e filé de frango grelhado. Ai você passa pela panela de feijão tropeiro e, amiguinhos, eis que toda e qualquer boa intenção é posta a perder. E já que o pé está devidamente enfiado na jaca até quase o joelho, na saída você pega distraidamente um bombom Sonho de Valsa porque, né, é sexta-feira e a gente também é fidideus. Olha. Depois fica aí botando culpa na enlouquecida dos hormônios e reclamando que o ponteiro da balança não abaixa nem por decreto. Mônica, fia, tem jeito procê não.

* Fiquei sabendo que teve gente que, depois de acampar durante dias na porta do ginásio pra ver ontem o show da Demi Lovato, voltou pra fila pra acampar até sábado pro show da Avril Lavigne. Que coisa prodigiosa ser chóvem, né verdade, com a coluna em dia e nível de exigência de banheiro igual a zero. Eu já tou naquela fase de querer lugar marcado e papel higiênico no toalete, e olha que nem precisa ser Neve folha-dupla. Acho que não encaro uma maratona dessas nem por Bruce. E Bruce, amiguinhos, é o Chefe, poder e glória amém.

* Parece que os cientistas descobriram como os egípcios levaram todas aquelas pedras pesadíssimas pra construir as pirâmides. Para desapontamento geral da galera, a história toda tem mais a ver com areia molhada do que com homenzinhos verdes de outras galáxias. Fuén.

* Sobrou verão, sobrou calor, faltou chuva. Agora, para felicidade total de yours truly, as temperaturas despencam para níveis minimamente aceitáveis para uma convivência civilizada. Gente. Minha vida fluiria com muito mais graça e leveza se os termômetros fizessem a gentileza de registrar sempre algo em torno de 17 e 22 graus.

* Charles Darwin deve estar siacabando na tumba com essa campanha de ‘somos todos macacos’. “Tou falando isso há quanto tempo, galera, e tem gente que ainda fica empacada na tecla do Criacionismo?” (justiça seja feita, o que Darwin disse mesmo é que FOMOS todos macacos…)

* No jornal: “Fulana diz que está surpreendida com a demanda em sua franquia.” Surpresa fico eu, quando vejo que até hoje tem jornalista que não sabe a diferença entre ‘surpreso’ e ‘surpreendido’…

A Leticia Sabatella não é cantora. Mas é atriz e sabe o que fazer com as palavras e o corpo para interpretar bem uma música. Vale a pena ver (e ouvir) essa sua Geni e o Zepelim, dá uma outra dimensão pra música. E a Leticia é muito linda.

* Este é um desenho feito por uma criança que vive em um campo de refugiados. Olha, pardon my French, mas é phoda. Criança nenhuma nesse mundo deveria ter que ver coisas assim. Ainda mais tantas e tantas vezes que até dá pra repetir a cena de cabeça. Como bem diz o Max, o cerumano é um projeto beta que não deu certo e foi abandonado.

refugiados

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* Entra o mês de dezembro e eu automaticamente abandono o mimimi que se apossa de mim em novembro, caio no clima das festas de fim de ano e me divirto horrores com o combo ‘enfeites, presentes e reuniões etílicas’. Se você joga no time dos que odeiam Natal e Ano Novo, é bom manter uma distância segura de minha pessoinha, porque eu entro na vibe Jingle Bells e adoro tudo. ‘De menas’ o trânsito insuportavelmente caótico, claro, esse é um teste em que a minha paciência zen-budista sempre tira nota zero.

* Os moços (já bem grandinhos na casa dos 40 anos, diga-se de passagem) resolvem dar um rolé no sábado à tarde e explodem o Porsche num poste, a mais de 150 por hora numa área urbana onde a velocidade máxima é 70. Fiquei com muita pena e tal, moço tinha filha, fazia sucesso no cinema, estava empenhado em causas humanitárias pelo mundo afora, era bonito pra dedéu e tudo o mais. Mas olha, uma morte besta dessas tem muito mais a ver com falta de juízo na cabeça do que com fatalidade.

* Kyle Lambert é um artista inglês que faz ilustrações e animações sensacionais. E como papel não é suficiente pro seu talento, ele também pinta com os dedos. Num iPad. E faz coisas absolutamente sensacionais, como este retrato do ator Morgan Freeman.

* Daqueles mistérios pro Poirot investigar: o helicóptero tem dono, a empresa de onde saiu o helicóptero tem dono, a fazenda onde o helicóptero pousou tem dono, o piloto que pousou o helicóptero da empresa na fazenda tem patrão, o voo foi encomendado e pago por alguém. Já a droga – e não estamos falando de uma trouxinha desavisadamente colocada no bolso do seu paletó, meu amigo, estamos falando de quase meia tonelada – essa é filha bastarda de pai desconhecido.

* Eu já tou velha pra pelo menos duas coisas nessa vida: perder o sono por causa da opinião dos outros sobre a minha pessoa e pra achar que avaliações subjetivas são algo que se deva levar minimamente a sério. Dito isso, mas que coisa mais idiota e sem-noção esses aplicativos Tubby e Lulu, que permitem que seus respectivos usuários e usuárias saiam por aí dando notas de avaliação nas pessoas, hein? Em tempos de cyber-bullying, discussões sobre invasão de privacidade e de jovens cometendo suicídio por terem suas vidas expostas nas redes sociais, programinhas como esses mostram que no fundo, no fundo, o cerumano continua sendo uma criaturinha muito da besta.

* Blue Jasmine. Olha, acho que há muito tempo não via o Woody Allen detonar tanto um personagem protagonista. Depois da temporada de filmes mais levinhos que ele andou fazendo, esse é um soco no estômago. E Cate Blanchett reina absoluta. Vale a pena demais, e se você se lembrar de ‘Um Bonde Chamado Desejo’, não é mera coincidência.

* Coisa marrrrlindinha e delicada esse vídeo da francesa Emilie Simon, com uma animação com a maior pinta de Tim Burton…
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curtinhas

* “Ler bons livros não permite que você goste de livros ruins.” (isola Pribby em carta para Miss Juliet Ashton, no livro ‘A sociedade literária e a torta de casca de batata’). Olha. Tá coberta de razão a Isola, viu.

* Poizintão. Muita gente me falou de ‘O Arroz de Palma’, ganhei no aniversário, finalmente comecei a ler. E olha, parei faltando aí uns 20% pra acabar (um dia eu termino, porque minha esperança de que ele melhore na reta final é maior do que a preguiça de continuar a leitura). Mas nossinhora, que luta inglória! Não o tema, que eu até gosto bastante de histórias de imigrantes, das famílias através dos tempos e tals. Mas alguém precisa avisar pro autor que é totalmente possível escrever um livro para adultos usando orações subordinadas. Frases curtas podem causar um efeito incrível; trezentas e tantas páginas só com sujeito-verbo-predicado-ponto é de dar vontade de tacar o livro na parede.

* “Hemingway suicidou porque aceitou o papel que lhe impuseram, ou o que ele mesmo se impôs. A revista Time escreveu no seu necrológio: ‘Vivia olhando tudo como se fosse pela ultima vez. Estava sempre se despedindo.’ Resolvi fazer exatamente o contrário: estou sempre chegando. Não aceitei a imposição de um caminho que não era o meu, e procuro olhar tudo como se fosse pela primeira vez. Tento a cada dia recuperar esse estado de pureza. Renascer a cada manhã não digo que consiga sempre, mas tento. Como se eu tivesse acabado de desembarcar neste mundo.”  Fernando Sabino, sêolindo.

* Aquela esperança tola que eu cultivava com muito amor lá no cantinho do coração, de que a internêta nos traria uma muito bem vinda pluralidade de informações, ideias e pontos de vista, e que tudo isso seria ótimo para enriquecer os debates sobre qualquer assunto e fazer com que as pessoas aprendessem umas com as outras, olha, tá cada dia indo mais pro fundo do poço um cadinho. Galera hoje em dia não quer discutir, quer ganhar a discussão. Contra/a favor dos testes nos bichinhos, contra/a favor do governo, do aborto, casamento gay, alimentos transgênicos, da liberação da maconha, biografias não autorizadas, decisões do STF, desse ou daquele grupo religioso, nada disso tem importância. Interessa mesmo é a polêmica, o bate-boca, é estufar o peito e gritar mais alto pra não ouvir o outro e assim acreditar que seus argumentos são obviamente espetaculares e imbatíveis. Pelamor, o que foi que deu na cabeça desse pessoal pra achar que tudo tem que ser uma eterna final de campeonato de futebol?

* Primeiro foi o Mirror reclamando que o Brasil não tem condições de sediar a Copa no ano que vem, agora o Chicago Sun- Times fala que os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio vão ser um baita fiasco. Não sei por que esse pessoal lá fora tá surpreso e fazendo esse alvoroço todo. Passaram anos enchendo tanto a bola do Luiz Inácio que no final o senhorinho se comparou a Nelson Mandela e entrou naquela vibe-egotrip-Leonardo-di-Caprio de “I’m the king of the world”, daí resolveu que era pra sediar até torneio internacional de par-ou-impar. Poizé. De repente descobriram que não era exatamente bem assim. Tivessem perguntado pra um bocado de brasileiros por aqui lááá atrás, em 2007 mesmo, e a gente já teria cantado a pedra pra eles e explicado como as coisas (não) funcionam por estas bandas. Agora é respirar fundo, sentar à margem do rio Piedra e chorar, amiguinhos.

* Caetano, Paula, Chico, Milton, Djavan, Roberto, adôuro o otimismo de vocês. Pouco me importa o que suas biografias não autorizadas revelariam assim, de tão chocante e inimaginável sobre suas pessoínhas, quase tudo vocês provavelmente já contaram pra Caras ou já saiu publicado em algum site de sub-celebridades. O que me preocupa mesmo, de verdade, é de repente a gente ter que ler biografias que afirmam que Jair Bolsonaro e Renan Calheiros são homens de bem ou que José Sarney ama e faz tudo pelo Maranhão. Pensem nos perigos de só se poder contar uma história por um único ponto de vista, meus queridos, até parece que vocês não estavam aqui nos anos negros da ditadura. Não se deem tanta importância, mas preocupem-se um pouquinho mais com o que pode virar a nossa História. Tenham a santa paciência.

curtinhas

* Fui levar o carro pra troca de óleo, filtro e aqueles breguetes todos. O moço perguntou se eu queria esperar, coisa de hora e meia a duas. Tudo bem. Me aboletei num dos sofás da sala de espera com mais umas seis ou sete pessoas ‘esperantes’ como eu e abri meu livro. Nas quase duas horas seguintes, aquelas pessoas jogaram joguinho no celular, andaram de um lado pro outro e olharam pro teto. Como é que conseguiram passar duas horas inteiras sem ler alguma coisa é algo que me foge totalmente à compreensão.

* Porque está cada vez mais difícil – e cada vez mais necessário – a gente encontrar motivos pra manter a nossa fé na humanidade.

* As cozinhas de antanho sempre tinham aquele suporte de mármore onde a mãe da gente encaixava o filtro de barro. Já vinha tudo esquematizado desde sempre – a altura certa pra gente alcançar a torneirinha, o registro no alto da parede pra abrir e fechar e deixar a água cair e encher o filtro, o espaço exato pra encaixar o copo. Daí alguém deu de inventar aqueles purificadores mirabolantes todos. Mas, ó, nossas mães e avós é que estavam certas, viu. Filtro de barro, meus queridos, essa é a solução.

*  Pequenas antipatias pessoais no quesito ‘verbos usados em manchetes na imprensa’: abusar (‘Abuse dos sucos naturais para manter a forma’), apostar (‘Aposte em decotes ousados neste verão’) e esbanjar (‘Fulano esbanja simpatia nas areias de Ipanema’). Esse pessoal bem que podia apostar na aquisição de um dicionário pra abusar dos sinônimos e depois sair por aí esbanjando vocabulário. Olha. Dá arrepio.

* Tem gente que faria por bem desistir da vida em comunidade e mudar de mala e cuia pro meio do mato em Xiririca da Serra porque, ó, tem hora que vizinho é um troço muidifiço. A gente vai lá e escreve bilhetinho phynno e bem educado – como minha mãe me ensinou – pedindo por gentileza não deixar o alarme do condomínio desativado, lembrando questões basiquinhas sobre segurança de todos e blabablá. e vira e mexe o alarme está desligado. E é lógico que são sempre as mesmas criaturas. Pensando seriamente em largar os bons modos de lado e pregar um aviso do tipo “Quem é a anta que tá deixando a pôuha dakaraia do alarme desligado?” pra ver se dá uma melhorada no ibope.

* Em compensação, um vizinho da rua mandou pintar a casa dele de amarelo. E quando digo ‘amarelo’, amiguinhos, não quero dizer apenas ‘amarelo’, mas sim AMARELO. Mais ou menos como a casa da Adélia. Modosque que acabo de ganhar um ponto de referência na minha rua. Não sei se ficou bonito, mas nesses dias de céu azul intenso e sol, o contraste é até bacana.

* A gente se apega à série e fica só prestando atenção nas cabeças rolando, mas vejam só que verdadeiras obras de arte no guarda-roupas do Game of Thrones.

* Esta cidade no inverno, senhoras e senhores, é uma coisa linda de se ver. Por enquanto são os ipês-rosa, mas brevemente teremos os amarelos também. Por todo canto. É o que eu digo pra vocês, inverno é civilização.
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ipês

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* Sêo Renan diz que não paga. Diz que tá  no direito dele e que dar um pulinho ali em Porto Seguro pra tomar champã no casamento faz parte das atribuições de presidente do Senado deste patropi abençoado por Deus e bonito por natureza. Olha. Não sei como funcionam os trâmites nesses casos, porque nunca tive acesso ao manual de etiqueta da Corte, mas sei que alguém precisa explicar bem desenhado a esse senhorinho, urgentemente, rapidinho, tipo pra ontem, a diferença básica entre PODER fazer uma coisa e DEVER fazer essa coisa. É facinho, sêo Renan, eu aprendi quando ainda era bem pequena. Aliás, parece que a dica vai servir também pro sêo Joaquim Barbosa e pros outros que andaram pegando carona em avião da FAB pra ver a seleção jogar.

* Almodóvar fez coisas muito muito bacanas, tipo Tudo Sobre Minha Mãe e Fale Com Ela. Fez também ótimas comédias, das porralôka tipo Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos às mais controladas (para níveis Almodóvar-de-controle) como Volver. Mas esse Amantes Passageiros eu achei bem fraquinho, viu, tipo pra cumprir tabela mesmo. Uma pena.

* A pequena me pergunta:
– Sabe por que colocaram uma cama elástica no Polo Norte?
– Sei não, meu bem. Por que?
– Pro urso ‘polar’.
E ela riu e riu e riu e eu ri junto. Ah, as delícias de se ouvir uma piadinha inocente nesse mar de reclamações que virou a vida da gente…

* Diálogo ao telefone:
ELA – Tá vendo o jogo?
EU – Dei uma olhada, mas fiquei morrendo de dó dos moços correndo de um lado pra outro às duas da tarde nesse calorão de Salvador. Aí parei.
ELA – Esse escrete do Uruguai tem um jogador que é um pão.
EU – Fia, ninguém mais nesse mundo fala escrete, é time. E não é um pão, é um gato.
ELA – Cascateira, é claro que fala!
EU – Muito menos cascateira!
Você até pode tentar correr. Mas uma bela hora os anos 60 te alcançam.

* Pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa do singular. Olha. A menos que você seja o grande Dadá Maravilha, faça isso não.

* Deu no jornal que o papa Francisco aderiu ao modelito eco e mandou providenciar uma bicicleta para circular mais livremente. Papa Francisco não deve ter pedalado de batina pelaí com muita frequência pra ver que a coisa é meio complicada mas, né, vamos aguardar o desenrolar dos fatos. Resta saber se vão fazer que nem com o papamóvel e dar um nome pra magrela. O Murilo sugeriu três: papacleta, papabike e o meu favorito, bicichico.

* A voz na cancela do xópin: “Agradecemos sua visita.” Visita? Gastei dinheiro, paguei uma grana de estacionamento e não fui contemplada nem com um xicrinha de café com biscoito. Bela porcaria de anfitrião, viu…

* A primeira vez. Ela nunca foi tão fofa quanto nessas imagens aqui.

* Eu tou começando a achar que a presidentA vai ter que propor um plebiscito pra saber se o pessoal concorda com o plebiscito… Olha. Stanislaw Ponte Preta era um baita de um otimista.

* Claro que a gente já ouviu militrocentas vezes que aqui no Brasil se fala espanhol. Mas que a nossa língua oficial era o italiano, acho que foi a primeira vez. Pra ver que lá em Down Under os jornalistas podem ser ruins de geografia e conhecimentos que nem os daqui. Ducaráleo.
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