Entendendo as regras

A pequena pergunta:
– Uai, candidato também vota?
– Claro, querida, todo mundo vota!
– E ele pode votar nele mesmo?
– Pode sim…
– Nossa, que roubo…

(quem dera, lindinha, que o roubo ficasse nisso…)

Anúncios

Análise aos oito

Como muitos meninos da sua idade, aos oito anos ele também é louco por futebol. E por seu time. Camisa oficial, boné e bandeirinha e muitos gritos de ‘Gooooool’ para comemorar. Muitos. Na sala. Na janela. Na varanda. Tantos, que a mãe preocupada resolve perguntar:
– Mas meu filho, precisa dessa gritaria toda? O que é isso?
– Angústia, mãe. Isso é angústia…
Olha. Se isso não é uma das melhores análises psicanalíticas do ato de torcer pro seu time de futebol que eu já vi, então eu não sei o que é…
***

Tossi um arco-íris

A essa altura do campeonato, menos de uma semana depois de aparecer e já com mais de um milhão de visualizações, todo mundo já deve ter visto, ouvido, compartilhado e inclinado a cabeça pro lado dizendo ‘aaaaawwwww que bonitiiiinho…’ Mas esse garotinho de 1 ano e 11 meses cantando ‘Don’t let me down’ ao violão com o pai é mesmo de dar vontade de espremer até sair caldinho. Se você andou por algum outro planeta nos últimos dias e ainda não viu esse momento de pura fofura, clica aí e diga ‘nhóóóiiiin’…
***

Questão de matemática

Almoço de domingo com a família – e por família entenda-se todo mundo, mais tios, primos e agregados, a meninada em polvorosa, cada qual com um saquinho com aquelas moedinhas de chocolate (gente, são da minha infância, certas coisas grazadeus não mudam nunca). Mas só podiam abrir e comer depois do almoço, claro, que as mães zelosas deixaram as regras bem claras. Passado o almoço, lá foram os meninos dar cabo dos chocolates, e em cinco minutos já estavam numa animadíssima competição pra saber quem tinha comido mais moedinhas no menor espaço de tempo (quem nunca participou de um campeonato semelhante, que atire a primeira pedra). A menorzinha da turma disse que comeu três – embora três, sendo a idade dela, provavelmente era o único número de que conseguia se lembrar assim, no calor de uma disputa. O próximo contou seus papeizinhos na mão e orgulhosamente anunciou que tinha eliminado pelo menos uns cinco dinheiros. E assim sucessivamente, a contagem já chegando às centenas (que matemática de criança pertence a uma outra ordem de lógica), até que o garotinho de seis anos anuncia vitorioso: “Pois eu comi infinitas!”. Silêncio momentâneo, com os demais tentando processar aquela nova informação, mas o irmão dele, do alto de seus quase nove anos, e perfeitamente ciente do que infinito significaria num contexto de moedinhas de chocolate, retruca: “Comeu nada! Se você tivesse comido infinitas moedinhas, você ia estar mastigando até agora!!!”. Vitória aparente, mas efêmera. O pequeno contra-ataca, encerrando a discussão: “Infinitas menos uma!”.

O tuíte

Não é do meu feitio ficar reciclando post, mas é que hoje eu me lembrei disso aqui. E dela.

*******

Eu não atendo telefone durante as aulas. Já passava das nove da noite quando eu peguei meu celular e vi: cinco ligações não atendidas. Do celular dela. Do celular do pai. Do da mãe. Do telefone de casa. Alguma coisa devia ter acontecido pra ela me ligar 5 vezes em menos de 20 minutos, ela que geralmente escolhe conversar comigo pelo Facebook e pelo Twitter, que é como qualquer adolescente normal e sadio conversa com qualquer outro ser deste planeta. Ela atendeu e, por um momento, eu não sabia se ela estava rindo ou chorando; pela respiração um pouco ofegante, devia estar pulando e falando ao mesmo tempo, hábito que tem desde muito pequenininha. O pai disse que na última meia hora ela tinha ido do risador frouxo às lágrimas e de volta, mas ele também estava morrendo de rir. ‘Mona, ele me respondeu! Eu postei uma mensagem no twitter e ele me respondeu! Ele agora sabe que eu existo!’

Ele, no caso, é o ídolo-mór da sua vida até aqui, o líder da banda que ela ama e venera e cujas músicas sabe de cor, junto com inúmeros detalhes da vida de todos os cinco integrantes. E o caso tinha sido bem esse mesmo, ela postou uma mensagem inocente no twitter e o moço, que normalmente não é de sair respondendo ninguém, deu um RT (algo como ‘copiar e colar’ na linguagem do twitter) e adicionou um comentário curto e simpático. E foi o que bastou para transformá-la em instant celebrity em sua escola e entre as muitas outras fãs que seguem a banda virtualmente. Por um momento, um segundozinho à toa, ela tinha estabelecido uma conexão real com seu ídolo, muito mais do que qualquer garota poderia imaginar que um dia fosse acontecer de verdade. Ele nem notou isso tudo, claro, não faz a menor ideia. Mas pra ela tinha sido o mundo.

E eu fiquei de cá rindo e matutando que hoje, já bem longe da minha adolescência, eu não tenho ídolo nenhum que eu ame e venere e para quem eu mandaria uma mensagem e de quem esperaria ansiosamente por uma resposta. E pensei que, no meio de todo esse turbilhão de crises e problemas pra resolver e contas pra pagar, é bom, é mesmo muito bom pegar carona na adolescência dela por um instantezinho só e ter 13 anos de novo.