Entendendo as regras

A pequena pergunta:
– Uai, candidato também vota?
– Claro, querida, todo mundo vota!
– E ele pode votar nele mesmo?
– Pode sim…
– Nossa, que roubo…

(quem dera, lindinha, que o roubo ficasse nisso…)

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Twitter em tempo de eleição

* Candidato é como McDonald’s: você escolhe pelo número, a foto é sempre melhor que a realidade e ainda faz um mal danado.  (@bomdiaporque)

* é falarem em eleição e a cabeça fm começa: ♫ “laugh about it, shout about it, when you’ve got to choose/ any way you look at it you lose” ♫   (@cynister)

* Tentei assistir o debate pela internet, mas o firewall bloqueia sacanagem.  (@microcontoscos)

* Se seu candidato faz merda, argumente “Mas é assim que se faz política”. Se é o outro, repita a frase, com interrogações indignadas no final  (@aomirante)

* Uma coisa que eu garanto como candidato: se vocês todos votarem em mim, dentro de um ano estarão profundamente arrependidos.  (@millorfernandes)

* Se eu entrar num elevador com 10 pessoas, 4 votarão na Dilma, 3 no Serra e uma na Marina. De agora em diante, só uso escada.  (@zorzanelli)

* É óbvio que o horário eleitoral é gratuito. Queriam o quê? Que eu ainda pagasse por essa merda?  (@bomdiaporque)

* aí ele pegou, virou e falou assim, tava até pensando duns tempo pra cá, vovô tá no serra, e eu peguei virei e perguntei assim, vovô tá onde?  (@claaudio)

* Horário político parece o Zorra Total. Os personagens mudam a cada 4 anos, mas as piadas são as mesmas.  (@hpiva)

* Na carreira de político, pobreza é currículo.  (@bomdiaporque)

* O primeiro programa eleitoral de Plínio de Arruda foi dirigido pelos irmãos Lumière.  (@microcontoscos)

Meu candidato

Já defini meu candidato pras próximas eleições presidenciais.
Agora só falta saber quem vai ser o vice.
Pelo jeito, o drama da falta de opções de escolha não conhece fronteiras…

***

– Vote em NINGUÉM
– NINGUÉM vai cumprir as promessas de campanha
– NINGUÉM vai ouvir seus problemas
– NINGUÉM vai ajudar os pobres e os desempregados
– NINGUÉM se importa!
– Se NINGUÉM for eleito, as coisas vão melhorar pra todo mundo!
– NINGUÉM diz a verdade!

Cê tá feliz?

O candidato é jovem, com aquela cara de eu-sou-o-genro-que-você-pediu-a-Deus, fala olhando pras câmeras e tem um sotaque forçado meio caipira,  pra vender a idéia de que é gente-como-a-gente – mas mora num super imóvel em uma das áreas mais sofisticadas da cidade, e de ‘povo’ ele não tem nada.

Em uma época em que a noção de ideologias já foi pro saco há muito tempo, as pessoas se apegam a imagem dos candidatos. Não existem mais esquerda nem direita, os políticos trocam de partido e de amigos como trocam de carro importado todo ano e deixam o eleitor sem saber quem é quem. Só fica mesmo a imagem.

A eleição para prefeito nesta cidade está como de resto em boa parte do país: uma palhaçada. Mas me preocupa o messianismo por trás da pergunta do candidato com cara de menino, olhando o eleitor pela lente da câmera: “Eu sei que tem obra pra tudo quanto é lado nesta cidade, mas me responda: cê tá feliz?”

Bacana: o Poder Público não dá conta de resolver os problemas básicos e concretos da administração municipal – saúde, educação, moradia, segurança, trabalho – e agora está propondo resolver minhas questões existenciais também? Olha, até que eu tô feliz, mas passa pra cá um Porsche, o telefone do George Clooney, um plano de saúde porreta e os números da MegaSena e eu vou ficar muito melhor. Faça a sua parte e deixa que eu trato das minhas neuras e vontades no divã do terapeuta ou no boteco da esquina, muito obrigada. Da minha felicidade cuido eu, vê lá se eu quero a prefeitura se metendo na minha vida até nisso…

Apelar para o lado emocional, seja oferecendo felicidade a granel ou te colocando um medo dos infernos como fez o Dabliubush nos últimos oito anos, é nos tratar com a certeza de que a gente é burra. Vamos manter o joguinho do faz-de-conta em um nível aceitável, senhores? Não façam pouco da minha inteligência, fassfavô.

Pra arrematar:
De políticos e de fraldas

Ted Boy, cadê você?

Gente, segundo turno de eleição é muito, mas muuuito mais divertido. O bate-boca nos debates, as acusações mútuas, inúmeros processos na justiça, a busca incessante pelos tais ‘skeletons in the closet’, baixaria, baixaria, baixaria… Os candidatos deviam ir para o programa da Márcia Goldschmidt ou no Superpop da Luciana Gimenez.

Ou então podiam partir para uma solução mais saudável, mais ‘família’ e muito mais bacana: ressucitar o Telecatch, lembra dele? Com Ted Boy Marino lutando implacavelmente contra o Fantomas? Pois então, eu ía achar o máximo ver esses políticos se engalfinhando pra valer, puxão de cabelo, dedo no olho e chute no saco. Sem contar que o modelito ceroula ía fazer o maior sucesso no próximo verão.

Depois ainda perguntam por que é que votar é obrigatório na brasilândia. Fala sério: se fosse facultativo, você sairia de casa em pleno domingão de sol e calor pra fazer papel de palhaço?