Tossi um arco-íris

Eu sei. Hoje é véspera de eleição, tá todo mundo naquela vibe mezzo-entusiasmada-mezzo irritante (pelo menos, pra mim) de sair pelas redes sociais elogiando os seus candidatos e descendo o pau nos candidatos dos outros. Mas é preciso manter bem claras as prioridades nesses momentos, amiguinhos, ainda mais porque 4 de outubro é dia de São Chiquinho, e São Chiquinho é, de longe, o meu candidato para qualquer coisa nesse mundo. Portanto, tenho apenas três coisinhas pra dizer pra vocês: Pandinhas. Tomando. Dedêra. Todo o resto é secundário.

Para 2014

Esse discurso não faz parte de nenhuma palestra motivacional. É Tim Minchin, então a gente pode esperar humor e ironia de ótima safra. Porque tudo bem, o mundo até que precisa de coisas grandiosas, pessoas superlativas, grandes feitos, momentos de ‘uau’. Mas a vida da gente também é feita de coisinhas corriqueiras, pequenos gestos, cuidados cotidianos, miudezas que nos fazem felizinhos e nos dão sentido. E não podemos nos esquecer disso de jeito nenhum. Boa hora pra se pensar nisso, com um 2014 aí, novinho em folha.
(se a legenda em português não aparecer, clique no ícone pequenininho do teclado, na parte inferior direita do vídeo)
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O Queen faria 40 anos em fevereiro…

(há dez anos eu perdia um grande amigo. Há quase três, publiquei este post.)
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… e se você estivesse por aqui agora, certeza de que arrumaríamos um jeito de comemorar, você jamais deixaria passar uma data dessas em branco. Talvez a gente marcasse um jantar na sua casa, e mesmo com aquele tanto de vinhos maravilhosos na cave, você sairia pra comprar outra garrafa, porque nenhum deles combinaria com o que você estava preparando. Aí a gente ouviria toda a sua coleção, e isso poderia levar a noite inteira, mas tudo bem, porque tinha os vinis, os CDs (inclusive aqueles das carreiras-solo), as gravações exclusivas que só os fãs com carteirinha do fã-clube como você tinham acesso, antes que o mp3 e a internet entrassem em cena, facilitando a nossa vida. E você me contaria todas as histórias de novo, todos os casos com todos os detalhes, aquelas coisas que só quem tinha lido todas as biografias, colecionado todos os artigos, assistido a todas as entrevistas, podia saber. Se estivéssemos aqui em casa, tentaríamos pela milésima vez cantar ‘My Melancholy Blues’ direito, mas eu nem me arriscaria na introdução do piano e iria me atrapalhar toda com a partitura como sempre e a gente morreria de rir e continuaria cantando sem acompanhamento mesmo, e aquele riso frouxo não combinaria de jeito nenhum com a fossa da música, mas aí é que estava a graça. Se você estivesse por aqui, a gente poderia cantar de novo ‘Guide Me Home’, você fazendo a voz do Freddie, eu faria a da Montserrat, porque já tem tempo que eu não canto essa música, na verdade desde que a frase “Guide me back safely to my home where I belong once more” ganhou um significado totalmente diferente pra mim, e por isso eu sempre paro antes dela. A gente pegaria a reprodução do quadro ‘The Fairy Feller’s Master Stroke’ que você me deu de presente – e que está pendurada aqui mesmo no escritório – e tentaria encontrar todos os personagens descritos na música. E você me faria contar outra vez sobre quando vi o Queen no Rock in Rio, em um distante 1985, e me diria mais uma vez que esse show você queria muito ter assistido (embora você tenha ido a tantos outros em tantos lugares). Você tentaria me convencer pela centésima vez de que os albuns depois de ‘The Game’ eram bacanas, eu te explicaria por que eu achava aquele lado mais pop meio chatinho, mas ambos concordaríamos que ‘Somebody To Love’ é a melhor música pra cantar bem alto no banheiro ou dentro do carro. E então terminaríamos a noite cantando ‘Seven Seas of Rhye’, aquela que decidimos que era a nossa cara. Isso tudo a gente bem que poderia fazer agora, se 2003 nunca tivesse existido e você ainda estivesse por aqui pra comemorarmos juntos esses 40.

Tossi um arco-íris

A essa altura do campeonato, menos de uma semana depois de aparecer e já com mais de um milhão de visualizações, todo mundo já deve ter visto, ouvido, compartilhado e inclinado a cabeça pro lado dizendo ‘aaaaawwwww que bonitiiiinho…’ Mas esse garotinho de 1 ano e 11 meses cantando ‘Don’t let me down’ ao violão com o pai é mesmo de dar vontade de espremer até sair caldinho. Se você andou por algum outro planeta nos últimos dias e ainda não viu esse momento de pura fofura, clica aí e diga ‘nhóóóiiiin’…
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É a da novela

Eu achando a música uma gracinha, melodia fácil e gostosa de ouvir, dessas que grudam na cabeça e a gente cantarola distraída no chuveiro, presa no engarrafamento ou enquanto espera o elevador. Letra bonitinha, tudo me fazendo lembrar um pouco as composições bacaninhas  do Jim Croce no começo dos anos 70, antes daquele avião dele se espatifar. Nada muito original, ok, mas o tipo de música que daqui a muitos anos a gente vai continuar ouvindo e gostando e achando fofa. Só que eu sempre pegava a música pela metade ‘na rádia’, quando pegava do começo o moço não dizia o nome, nem quem estava cantando. Quando eu estava do lado de alguém e perguntava ‘que música é essa? quem tá cantando?’, a resposta era sempre ‘ah, essa é a música da novela!’. Da novela! Gente, eu não vejo novela desde aquela que tinha a Odete Roitman (e não foi a reprise não, hein, foi a original, sei lá há quantos anos), não dava pra ser um cadinho mais específico? Todo mundo achando a música bonitinha mesmo, mas informação pra me ajudar, que é bom, nadinha. Mas eu só precisei de uma coisa, uma coisinha só, pra resolver o meu problema: uma adolescente. Que me deu nome, título, letra, link pra baixar e tudo mais. Adolescente, meus amiguinhos. É tudo de que preciso para sobreviver no universo das musiquinhas pop da atualidade.
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